No Flamengo de hoje não há espaço para Diego no time titular

Ser flamenguista é esperar o inesperado. Quando você espera a facilidade o Flamengo te oferece complicação, quando você tem a dificuldade como certeza o Flamengo descobre um caminho mais tranquilo, quando você dá tudo como perdido ele ressurge, quando a vitória é garantida ele consegue te lembrar que não é bem assim. Assistir uma partida com o manto rubro-negro é uma atividade que muitas vezes é de alegria, outras vezes é de tristeza, mas raramente é previsível.

Isso fica claro nas coisas que o Flamengo já nos fez dizer e pensar. Já comparamos o desaparecido atacante Rafinha a Messi, já vibramos com jogadas de Anderson Pico, já nos animamos com a chegada de Henrique Dourado e muito recentemente comemoramos um gol marcado por Renê após cruzamento de Rodinei. Ou seja, são situações que antes de acontecerem você considerava impossíveis e que algum tempo depois que aconteceram você começou a se questionar se foram mesmo reais ou você apenas precisa dar um tempo nessa coisa de futebol.

E o Flamengo, é claro, agora nos coloca em mais uma dessas situações inesperadas, que é a de concluir que hoje, no time atual, Arão precisa ser titular e Diego precisa continuar no banco.


Getty Images
Getty Images

Se o critério fosse ser bonito com certeza Diego seria titular, mas não é esse o foco




Não que Arão esteja necessariamente jogando o fino da bola. Apesar de ter melhorado bastante em relação ao corpo desprovido de alma que durante a temporada passada vagava pelos campos numa estranha mistura de FIFA 2017 e Resident Evil 7, o nosso volante continua longe do desempenho que havia mostrado quando chegou ao clube em 2016. Oportunidades de finalização são perdidas, passes são errados, momentos de absurda distração seguem existindo, como na tentativa de assistência para o gol adversário durante a vitória contra o Corinthians.

E também não é como se Diego simplesmente tivesse se tornado inútil para o clube. Apesar de de prender a bola além do limite do saudável – a bola também tem direito a ter outros amigos, ver outras pessoas, passear sozinha – e muitas vezes preferir o passe seguro ao lado em detrimento do passe ousado pra frente, o nosso camisa 10 segue sendo um jogador dedicado, voluntarioso e técnico, que ajuda a ditar o ritmo do time e ainda pode contribuir com a equipe em diversas ocasiões.

Mas no momento atual, em que o Flamengo vem de duas vitórias com a mesma formação e pode estar novamente se colocando na briga pelo título, faz muito mais sentido que Diego, agora recuperado de lesão, passe a ajudar o time de lá do banco de reservas.

Primeiro porque não há como Diego voltar ao time sem mudar a dinâmica de jogo. Se ele entrar no lugar de Arão perdemos em capacidade defensiva e voltamos ao modo de jogar que já não estava funcionando com Barbieri. Se ele entrar no lugar de Paquetá, perdemos a disposição e o futebol mais agudo do moleque, que já está quase de saída do clube. Se entrar no lugar de Éverton Ribeiro tiramos do time um dos melhores jogadores do momento atual, um meia tão capaz que consegue atuar bem até mesmo ao lado de Pará.

Então, que Diego espere. Que entre no segundo tempo quando um dos meias se cansar, que faça a função de Arão quando o técnico perceber que o time precisa de mais ofensividade no segundo tempo, que surja do banco como opção em partidas que precisam de um ritmo mais controlado de jogo. Acredito que o nosso meia ainda pode voltar a ser titular – ainda mais num Flamengo sem Paquetá – mas ao menos por enquanto eu acho que não precisamos mexer em time que está ganhando. E – tá aí uma frase que algum tempo atrás eu não me imaginaria dizendo – o time que está ganhando é o time com William Arão titular.