Panetone no mercado e fim da temporada para o Flamengo: cada ano chegando mais cedo

Com todo respeito ao Botafogo, um grande rival local e um clube com uma imensa história, não é exagero dizer que a derrota do Flamengo neste sábado foi vexatória. Seja pela diferença de situação das duas equipes no campeonato - o clube da Gávea em tese brigava pelo título, o de General Severiano lutava contra o rebaixamento - seja pela distância entre o volume de investimento de cada uma das equipes - o rubro-negro realizou nesta temporada a segunda maior contratação da história do futebol brasileiro, o alvinegro é patrocinado pela marca de coxinhas de um youtuber.


Mas ela não é vexatória apenas porque contra o Botafogo o Flamengo falhou miseravelmente em demonstrar a superioridade técnica que se esperava dele ou mesmo a vontade mínima de vencer que se espera de qualquer time na briga pelo título, tomando dois gols que se acontecessem na sua pelada de fim de semana pelo menos uma pessoa iria atirar o colete pro alto, xingar todo mundo e ir pra casa, ou mesmo pela clara incapacidade da equipe de buscar o empate mesmo diante de um Botafogo que tem -10 como saldo de gols.


Site Oficial Flamengo
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Pará com a bola tem menos naturalidade do que você quando chega perto a menina que você gosta


Não, essa derrota é vexatória porque ela não é um ponto fora da curva ou uma surpresa, mas sim mais um capítulo da rotina de pequenas e grandes vergonhas que se tornou o Flamengo nesses últimos anos.


Montamos times que são fortes mas não decisivos, investimos em grandes contratações mas ao mesmo tempo negligenciamos posições carentes, desenvolvemos um planejamento de temporada que envolve vencer todos os times de meio de tabela mas nunca os líderes e aí perder aleatoriamente para alguns dos pequenos. Com isso aparentemente o Flamengo descobriu a fórmula perfeita para ser um clube que sempre entra como favorito, sempre promete brigar por algo, mas está sempre caindo na final ou semi, sempre ficando em 3º ou 5º, sempre perto do título mas ao mesmo tempo infinitamente distante de vencer qualquer coisa.


E ainda que não ser campeão não seja de forma alguma uma vergonha - num campeonato como o Brasileirão não faria sentido dizer que temos um vencedor e 19 humilhados, por exemplo - diante do investimento, do elenco, das maneiras como perdemos e do período de ausência de títulos que vivemos, fica claro que, como dizem alguns, algo de errado não está muito certo no Flamengo hoje.


Então ainda que restem 5 jogos e matematicamente o Flamengo ainda possa ser campeão - uma matemática que até mesmo os tropeços dos nossos rivais tentam incentivar mas as nossas próprias falhas tornam impossível - é hora do Flamengo olhar com muita atenção seus planos para a temporada que vem, seja em termos de comando da equipe, já que o sopro de motivação que Dorival havia dado ao time parece já ter passado; seja em termos de elenco, já que cada vez mais fica claro que o ciclo de jogadores como Pará, Réver, talvez até mesmo Diego já tenha se encerrado no clube.


Porque o Flamengo é um clube construído com títulos e não com “boas campanhas”, porque a torcida merece comemorar vitórias e não ouvir que “dominamos o jogo mas não fizemos o resultado” e porque, sinceramente, as piadas sobre cheirinho estão ficando cada dia mais horríveis e ninguém aqui aguenta mais. Sério, nenhum flamenguista merece isso.