Flamengo mais uma vez quis passar vergonha, mas esqueceram de avisar o César

Provando que não tem respeito por nenhum tipo de data especial, seja o aniversário do clube, a data da proclamação da república ou mesmo o luto por um ano da morte do rapper americano Lil Peep, a equipe do Flamengo parecia ter entrado em campo nessa quinta-feira pra fazer uma das coisas que mais fez nos últimos anos: transformar uma vitória segura em um empate frustrante na base da pura palhaçadinha.

E para isso o time seguiu cada um dos capítulos do manual do empate ridículo. Partida dentro de casa com estádio lotado ou quase isso? Confere. Jogo contra equipe perigosa porém tecnicamente inferior? Claro. Domínio das ações e ampla vantagem no quesito posse de bola? Com certeza. Abrir o placar após muita insistência apenas para logo depois aprontar uma lambança totalmente desnecessária que coloca a vitória em risco? Nós todos sabíamos que ia acontecer.

Mas foi aí, logo depois que Léo Duarte, usando seus vastos conhecimentos de alquimia, conseguiu transformar uma roubada de bola segura num pênalti totalmente sem sentido, que alguém lembrou que, sendo aniversário do Flamengo, seria até errado dar um gol de presente logo pro Santos.


Site Oficial Flamengo
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"Opa, você precisa de alguém pro gol porque alguma coisa maluca aconteceu???"




E lá foi César. Nosso goleiro reserva que só aceita ser titular se for numa situação caótica, nossa revelação da base que já tem 26 anos mas a gente ainda trata como garoto porque ele tem cara de moleque, o arqueiro que tinha, ao lado de Uribe, participado de um dos mais confusos movimentos de corta-luz coletivo da história do futebol no gol do Botafogo. E César defendeu o pênalti, da mesma maneira que já havia defendido ao menos duas bolas complicadas durante a partida, e ali ele garantiu a vitória.

Mas além do fato de que Diego Alves não deve nesse momento estar tão feliz assim em casa, o que mais podemos tirar desse jogo? Bem, primeiro a conclusão óbvia de que o Flamengo voltou a ser um time incrivelmente previsível. O que quer que Dorival Junior tenha feito com a equipe em seus primeiros jogos, seja hipnose, cirurgia mediúnica ou banho de descarrego, obviamente o efeito passou e o Flamengo voltou a ser o time que apenas toca a bola pro lado inconclusivamente na esperança de que em algum momento ela entre no gol por vontade própria.

Depois é preciso aceitar que o volante Rômulo parece não ter mesmo condições de jogar no Flamengo. Veio como solução? Veio. Tem contrato longo? Tem. Mas da mesma forma que você, após seis meses pedindo aquele patins roller de presente de natal precisou, já no dia 3 de janeiro, admitir que não conseguia ficar de pé em cima daquilo, é hora da diretoria aceitar que, por mais últimas chances que sejam dadas, Rômulo não vai deslanchar na Gávea. Márcio Araújo não sabia passar a bola? Rômulo erra mais. Canteros não marcava nem atacava? Rômulo mal caminha. Arão é disperso? Rômulo vive numa realidade paralela. Em suma, já passou da hora de dizermos adeus para esse Capitão Planeta da má volância.

No mais, ficam como destaques a entrada de Berrío, o nosso atacante retrô que dobra o short pra se sentir disputando a Copa de 74 e o gol do Ceifador, que coloca o coloca ao lado de Uribe em mais um caso do paradoxo de Pará/Rodinei – “quando Rodinei joga você sente falta do Pará, quando Pará joga você sente falta do Rodinei, quando os dois jogam juntos você faz carinho numa foto do Juan com o Léo Moura”.

Agora é esperar pela partida de domingo, contra o Sport, fora de casa, onde o Flamengo tem mais uma vez a oportunidade de mostrar que, apesar do ano já estar praticamente perdido, ele pode ao menos acabar numa nota um pouco menos melancólica.