Três missões para o novo presidente do Flamengo

E Rodolfo Landim foi eleito presidente do Flamengo. Engenheiro e executivo da área de petróleo, ele venceu a disputa para o cargo máximo do maior clube do Brasil comandando uma chapa apoiada pelas mais diversas correntes, que vão desde dissidentes da primeira gestão Bandeira, como Luiz Eduardo Baptista, o BAP, até ex-presidentes vitoriosos do clube, como Márcio Braga, passando até mesmo por Patrícia Amorim, a pessoa que contratou Ronaldinho Gaúcho mas não lembrava de pagar as contas de telefone da Gávea.

Mas agora que a eleição está definida e já sabemos quem irá decidir os rumos do Flamengo pelos próximos 3 anos, quais serão os principais desafios para esse gestor que foi eleito com menos de 2 mil votos mas tem em suas mãos a responsabilidade de fazer felizes 40 milhões de pessoas?

Manter as finanças em ordem sem elitizar o clube - Por mais que muitas críticas possam ser feitas a Bandeira de Mello, uma coisa não podemos negar: a sua gestão saneou as finanças do Flamengo. Salários estão pagos em dia, renda de jogo não é mais penhorada, a torcida pode querer processar o time por danos psicológicos mas os jogadores não processam mais o clube por dívidas financeiras.

Mas ainda que essa seja uma evolução imensa em relação ao antigo Flamengo onde jogadores fingiam que jogavam porque o clube fingia que pagava, ainda existe um longo caminho que o clube precisa percorrer não apenas em direção ao crescimento financeiro – ainda temos uma dívida de 400 milhões de reais – como também para não transformar essa busca por saúde contábil num álibi para excluir do estádio o torcedor que não tem dinheiro para um ingresso de 200 reais. A nova gestão precisa ter a capacidade de manter a austeridade financeira que o clube precisa para funcionar mas sem elitizar uma torcida que tem na sua essência ser imensa e popular.

Resolver a questão do estádio – Maracanã lotado. Recorde de público do campeonato. 66 mil torcedores presentes. Arrecadação de mais de 700 mil reais. Ótimo para o Flamengo, certo? Errado. Afinal, com um custo operacional na casa de um milhão de reais, um jogo com 700 mil de arrecadação representa para o clube um prejuízo na casa de 300 mil reais, ao menos dentro do contrato atual com o Maracanã.

E num cenário cada vez mais competitivo, onde ter um estádio próprio vem se mostrando um diferencial em termos de finanças, marketing e até identificação para o torcedor, o Flamengo precisa encontrar alguma solução mais viável do que receber 13 centavos para cada real arrecadado com seus ingressos. Construir um estádio próprio? Assumir a administração do Maracanã? Seja qual for a solução, ela é um passo essencial para o futuro do Flamengo.

Ganhar títulos – Desde 1992, ano que marcou a aposentadoria de Junior, o último remanescente da geração de ouro do Flamengo, o clube venceu apenas 4 títulos relevantes além dos limites do Rio de Janeiro: uma Mercosul em 1999, que equivaleria a uma Sul-Americana; duas Copas do Brasil, em 2006 e 2013 e um Brasileirão, em 2009. São 4 títulos em 26 anos, o que, para um clube da dimensão e ambições do Flamengo, é muito, muito pouco.

Neste mesmo período o Palmeiras ganhou 4 Brasileiros e 3 Copas do Brasil, o Cruzeiro ganhou 3 Brasileiros e 6 Copas do Brasil e o Internacional ganhou duas Libertadores, o que deixa claro que ainda que o Flamengo possa ter finalmente chegado onde deveria estar em termos de gestão ele ainda está muito longe disso quanto aos títulos no período recente.

Cabe à gestão Landim então cumprir sua principal promessa de campanha e tirar esse atraso do Flamengo em termos de conquistas, porque a supremacia no Rio de Janeiro, ainda que seja algo divertido pra tirar onda na mesinha de bar na Lapa, é muito menos uma conquista e muito mais uma obrigação. Se Bandeira foi o presidente que colocou ordem no Flamengo, está nas mãos de Landim ser o presidente que vai nos levar a conquistar o Brasil, a América e o mundo de novo.