Flamengo: a dois passos (um lateral e um zagueiro) do paraíso

Aconteceu. O Flamengo mostrou que, ao contrário de mim ou de você quando abordados por um vendedor da Chilli Bens, não estava ali só olhando, dando uma volta, e fechou suas duas primeiras contratações de peso para essa temporada: o atacante Gabigol, artilheiro do último campeonato brasileiro e o meia Arrascaeta, um dos principais destaques do Cruzeiro nos últimos anos.


E ainda que uma grande parte da imprensa vá passar os próximos dias discutindo aspectos que vão desde a viabilidade econômica das negociações – e chega a ser curiosa a preocupação generalizada com a saúde financeira do Flamengo – até os riscos que Arrascaeta corre ao se mudar para o Rio de Janeiro – sim, numa mesa redonda foi dito que o uruguaio deveria continuar no Cruzeiro para evitar viver numa cidade perigosa demais – a principal questão para todo torcedor do Flamengo é: como fica o time?


Primeiro é preciso reconhecer que Gabigol e Arrascaeta são dois jogadores que não apenas seriam titulares em qualquer time do Brasil como suprem carências reais já observadas no Flamengo. Gabigol é, como o próprio nome já diz, um atacante finalizador, que foi artilheiro do último brasileirão mesmo atuando num Santos que terminou apenas em 10º, sendo responsável por 18 dos 46 gols da equipe no campeonato. Existe o terror da “síndrome do artilheiro do ano passado”, que é a sina do Flamengo de contratar o principal goleador do último brasileirão apenas pra ver ele desaprendendo em tempo real como se empurra a bola pras redes? Sim. Mas, ao menos no papel não existe nome melhor hoje para a camisa 9 rubro-negra e ficamos na torcida para que ao contrário do Ceifador que ceifou apenas as nossos sonhos e alegrias, Gabigol não se transforme em Gabi-Quase-Gol ou Gabriel Barbosa porque tal qual a mãe dele estamos decepcionados e chamando o cara pelo nome completo.


Gazeta Press
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Já Arrascaeta supre outra necessidade do Flamengo, que é a de um meia ofensivo que atue mais centralizado, já que perdemos Paquetá e a tendência parece ser a de que Diego também não permaneça na Gávea. Jogador capaz tanto de armar jogadas quanto de finalizar ao gol com grande qualidade, o uruguaio teve em 2018 sua melhor temporada pelo Cruzeiro e chega no rubro-negro ainda com 24 anos, ou seja, ao invés de recebermos um meia jovem que ainda não se firmou ou um atleta mais velho rejeitado pela Europa, estamos contratando um grande jogador em seu auge, algo tão incomum no futebol brasileiro que muitos torcedores nem lembram a sensação.


Mas não é exagero dizer que nada disso, nem mesmo o atacante mais artilheiro ou o meia mais criativo, vão salvar o Flamengo caso ele não reforce também a sua defesa. Primeiro porque, como um meme já vem informando no Whatsapp, não adianta nada o Cuellar roubar a bola, passar pro Arrascaeta que vai deixar dois no chão, e o Éverton Ribeiro abrir na ponta com um lançamento de 30 metros se quem vai estar lá é o Pará, que vai cruzar a bola direto pela linha de fundo e depois vai ficar fazendo aquele gestinho inconformado com as mãos como se isso fosse novidade e ele não errasse sempre. Depois porque, e eu admito que já falei isso aqui várias vezes, um time é tão forte quanto seu elo mais fraco e você pode ter 10 craques em campo mas é preciso apenas a presença de um paspalho furando uma bola ou errando um passe simples para colocar tudo a perder.


Então, se o Flamengo realmente se tornou o bicho-papão do mercado brasileiro, se dinheiro não é problema, que ele leve isso até o fim e supra todas as carências reais da equipe. Precisamos de um atacante de lado? Que venha Bruno Henrique reeditar a parceria com Gabigol. Precisamos de zagueiro? Que venha alguém que possa assumir não apenas a titularidade como com a segurança necessária e ajudar na formação de Thuler e Léo Duarte. Precisamos de lateral? Que venha alguém que faça com que Rodinei seja usado apenas como alívio cômico em vídeos institucionais do clube e Pará possa finalmente se dedicar à sua verdadeira vocação e entreter as crianças da base com um show de fantoches. Gabigol e Arrascaeta são grandes contratações? Claro. Mas o Flamengo precisa de no mínimo mais duas se quiser realmente ter um time equilibrado e capaz de ganhar tudo que almeja esse ano.