Diego confirmado até 2020: ótima notícia ou estamos pagando caro apenas por um rostinho bonito?

Não se pode negar que Diego Ribas é no mínimo um bom jogador. Afinal, por mais que Pará esteja no Flamengo desde 2015 e Doni tenha sido titular da Roma, dificilmente alguém atua por Juventus, Porto e Atlético de Madrid sendo um perna de pau. Também é bem raro que um jogador sem várias qualidades receba várias chances na seleção brasileira, por mais que talvez Muralha vá usar isso como argumento pra tentar ser inscrito pelo Flamengo no segundo turno do carioca.

Também é complicado negar que a sua chegada ao Flamengo, em 2016, representou um salto de qualidade técnica no nosso meio de campo. Motivo do primeiro “aerofla”, o meia veio do futebol turco com status de craque e teve uma adaptação incrivelmente rápida ao clube, com gols nas primeiras partidas e um papel decisivo na campanha do Flamengo naquele Brasileirão. Fomos campeões? Não fomos. Mas Diego rapidamente se mostrou o jogador decisivo, incisivo e dedicado que a torcida esperava que fosse.

E da mesma maneira que é impossível negar as qualidades do meia também não se pode negar a óbvia queda de rendimento que ele sofreu após sua lesão no joelho, quando ficou fora da equipe durante dois meses em 2017. Não que depois disso não tenha feito grandes partidas, não que não tenha tido grandes atuações, mas se Diego antes da lesão era um jogador agudo e decisivo, depois da sua recuperação ele se mostrava cada vez mais adepto do passe lateral, da jogada de segurança, daquela passada de pé extra por cima da bola, como se ele não fosse um meia mas sim um namorado que fica no telefone com o seu mozão dizendo “desliga você, não, eu não vou desligar, desliga você, vai, olha, você desliga que eu não desligo não, hein”.


Gazeta Press
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"Não sei, amiga, o jeito como ele prende a bola é diferente, sabe?"


Mas se no campo, em termos de resultado, Diego várias vezes pode ter deixado a desejar, em uma coisa ele nunca decepcionou: nas manifestações abertas de paixão pelo clube. Sejam elas totalmente sinceras – o jogador parece realmente ter um carinho especial pelo clube e pela torcida – ou uma estratégia de comunicação muito bem bolada – note como a postura extremamente rubro-negra de Diego nas redes sociais torna a torcida bem mais tolerante com seus erros dentro de campo – a verdade é que Diego sempre soube como cativar o rubro-negro, seja com declarações de amor ao clube ou com fotos onde a família toda veste vermelho e preto.

Isso foi um fator importante na renovação? Dificilmente, já que nem mesmo se Muralha curtisse pessoalmente todas as minhas fotos do Instagram eu iria querer que ele permanecesse no Flamengo, mas claramente o profissionalismo e a identificação de Diego com o clube pesaram e, somando isso à necessidade de um elenco mais completo, a dificuldade de encontrar meias de qualidade no mercado e a decisão do jogador de abrir mão de aumento ou luvas para assinar fizeram com que sua permanência fosse um bom negócio para as duas partes.

Então, ainda que Diego seja sim um jogador que contribuiria com o plantel de qualquer clube da série A no Brasil, cabe esperar que em 2019, com contrato renovado e certeza da permanência no clube, ele possa voltar a ser um pouco mais parecido com aquele Diego que conquistou a torcida rubro-negra em 2016. Porque, claro, as fotos no Instagram são lindas, as declarações de amor são emocionantes, eu que sou sócio-torcedor achei lindo receber por email uma carta do próprio Diego falando sobre a renovação, mas o que realmente ganha de vez o coração do torcedor é um título importante. E isso, infelizmente, Diego por enquanto ainda está devendo.