Flamengo 1 x 1 Resende: se tortura é crime como o Campeonato Carioca não é ilegal?

Por mais apaixonado que você seja, tanto pelo futebol enquanto esporte quanto pelo Flamengo enquanto clube, acompanhar um torneio como o atual Campeonato Carioca representa sempre um dilema.


Afinal, se você valorizar a competição, se preocupar com os resultados e acompanhar o estadual de maneira passional, resultados como uma vitória de virada contra o Bangu e um empate medíocre contra o Resende irão com certeza irritar você. A zaga que é incapaz de cortar um cruzamento, os laterais que agem como um universitário relapso e comparecem apenas pra assinar a chamada, o ataque que é incapaz de furar duplas de zaga de nível mundial como Rhayne e Lucão. Em suma, se você levar o Campeonato Carioca a sério, acompanhar o Flamengo rapidamente se torna uma tortura e você, pelo bem da sua própria saúde mental, vai acabar decidindo não assistir.


Por outro lado, se você tratar a competição como uma pré-temporada, lembrar que o Flamengo tem prioridades muito mais importantes e encarar o torneio de maneira totalmente racional, não existem lá grandes motivos para se importar. Não se pode reclamar de falta de entrosamento numa equipe que nunca atuou junta, não se pode criticar a condição técnica de atletas que mal voltaram de férias, não faz sentido cobrar muito em termos táticos de um treinador que acabou de chegar ao clube. Ou seja, se você não levar o Campeonato Carioca a sério, acompanhar o Flamengo se torna um exercício de futilidade, já que se tratam apenas de vários amistosos preparatórios contra equipes de baixo nível técnico e você, por ter coisas mais importantes pra fazer nessa vida, vai acabar decidindo não assistir.


Em suma, independente da abordagem filosófica que você quiser aplicar, a verdade é que é muito, mas muito complicado ter que acompanhar o Flamengo nesse estadual de 2019.


Site Oficial Flamengo
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Agora é pegar o gif do gol de bicicleta e mandar pro Clubes dos 13 chinês


E isso ficou claro pela segunda vez no empate de 1x1 da noite de ontem em Volta Redonda, contra o Resende. Uma partida complicada de assistir, em que um Flamengo absolutamente desentrosado tomou mais uma vez um gol bisonho na bola alta e, também mais uma vez, apresentou um futebol que, apesar do maior volume de jogo, não conseguiu oferecer muito de novo em absolutamente nenhum aspecto.


Tivemos as estreias de Arrascaeta e Gabigol, os dois mais badalados reforços dessa temporada? Claro. Tivemos um lindo gol de bicicleta de Henrique Dourado, mostrando que conhece outras jogadas além da cobrança de pênalti? Com certeza. Mas após os bem mais de 90 minutos de jogo - somados os quase 20 de acréscimo por conta da interrupção na iluminação - o que podemos tirar além da impressão de que talvez o Flamengo devesse ter vendido o Ceifador para um clube chinês já no intervalo da partida, enquanto ele estava valorizado? Praticamente nada.


O que sobra então é seguir acompanhando, seguir torcendo, mesmo ciente de que não vale muito, mesmo ciente de que precisamos manter os acertos dentro da proporção da qualidade dos adversários e os erros dentro do prisma de que não se pode exigir muito de uma equipe ainda em começo de temporada. Ou isso ou, é claro, ir fazer uma atividade física, ir colocar em dia a leitura, ir assistir aquele reality da moça japonesa que te ensina a colocar um monte de coisas pra fora da sua casa. Ninguém vai te condenar por isso e se tudo der certo o futebol que o Flamengo vai apresentar nas competições importantes é tão distante do que foi apresentado hoje quanto um programa da Marie Kondo é distante de uma transmissão do Campeonato Carioca.