Bruno Henrique já pode dar um Ted Talk sobre como causar uma boa primeira impressão

Tudo caminhava para mais um dos tristes clichês do Flamengo atual. Dominávamos as ações, enfrentávamos um adversário de postura claramente defensiva, mas nosso time milionário não apenas não conseguia marcar contra rivais cujo teto salarial é inferior ao valor de revenda da Land Rover do Pará como ainda havia encontrado um jeito de tomar o famoso gol aleatório, aquele que a nossa defesa gosta tanto e conhece tão bem. E com isso íamos, como no Brasileirão do ano passado, por exemplo, perdendo para um time do Botafogo que está longe de honrar as tradições do clube mas que parecia capaz de fazer o bastante para ser mais eficiente que o Flamengo.


Mas aí, vindo do banco, chegou Bruno Henrique. E num mundo em que jogadores demoram meses para se adaptar ao novo clube, precisam de várias partidas para se entrosar com os colegas, sentem a pressão até pra estrear numa Florida Cup, quanto mais num clássico, é preciso admitir que ninguém esperava muito da nova contratação em sua primeira partida. O rapaz mal tinha chegado na Gávea, mal teve tempo de treinar com o grupo, teve um 2018 cheio de lesões, seria até irracional esperar que ele entrasse na fogueira de um Flamengo x Botafogo e ainda mudasse os rumos da partida.


Site Oficial Flamengo
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"Não vou me iludir, não vou me ilud---de onde veio essa tatuagem do Bruno Henrique nas minhas costas?"


Mas aparentemente ninguém avisou nada disso para Bruno Henrique. Sem saber que precisava de meses de adaptação ele avançou pelo lado esquerdo do gramado do Engenhão como se já tivesse acampado ali. Sem saber que existia a opção de sentir o peso da camisa ele jogou como se estivesse em seu 7º ano de clube, já conhecesse os filhos dos roupeiros da Gávea pelo nome. Alheio à informação de que a torcida precisa ter paciência com as novas contratações ele decidiu já fazer dois gols na estreia pra gente nem ter tempo de ficar calculando de cabeça quantas outras coisas o clube poderia ter feito com os milhões gastos na sua contratação. Basicamente, sem saber que o Flamengo desaprendeu a decidir Bruno Henrique foi lá e decidiu.


E ainda que uma boa partida seja pouco para formar uma opinião sobre o jogador, não se pode negar que com isso ele deixou o melhor cartão de visitas possível, que é jogar não apenas com a qualidade que se esperava mas também com a postura aguda e decisiva que se espera de qualquer jogador rubro-negro e muitas vezes vem faltando nos últimos anos. Afinal, se com certeza não podemos reclamar de falta de dedicação ou profissionalismo na equipe atual, também é claro que em dados momentos, nos últimos anos, fez falta um certo inconformismo com a derrota, uma certa coragem para chamar a responsabilidade, uma certa ousadia para tentar resolver com a bola no chão quando o mais fácil é apenas apelar para o chutão e depois dizer “tentamos até o final”.


O Campeonato Carioca atualmente vale menos que um Guaravita? Realmente. O clássico tinha possivelmente mais pessoas dentro de campo que na torcida? Possivelmente. Mas são atuações como a do nosso novo camisa 27 que nos fazem acreditar que esse time tem vontade e capacidade para realmente se organizar e buscar alguma coisa esse ano. Seja bem-vindo, Bruno Henrique, e esperamos que você continue assim, nem que seja apenas pra ver se acorda o Vitinho.