É melhor se iludir com promessa de ex do que com goleada no Campeonato Carioca

Todo flamenguista gosta de ver uma goleada do Flamengo. Seja pela Libertadores, seja pela Copa São Paulo de Juniores, seja no handebol, seja vendo 4 crianças flamenguistas tirando notas mais altas que quatro crianças tricolores nas olimpíadas de matemática do colégio. Poucas coisas alegram mais o torcedor rubro-negro do que ver o Flamengo numa posição de inapelável superioridade, de indiscutível vantagem, aquela situação em que a galera que fala que “sofrido é mais gostoso” até sai do estádio mais cedo porque não teve sofrimento nenhum, foi gostoso o tempo todo, leva seus 50 tons de cinza pra lá, meu amigo.


Então é claro que a goleada de 4x0 desse domingo sobre a Cabofriense foi um desses jogos que deram gosto de ver. Teve um Flamengo inegavelmente superior durante os 90 minutos, teve desde um golaço de bicicleta de Diego até o primeiro gol de Arrascaeta com a camisa rubro-negra, passando por Bruno Henrique deixando mais uma vez sua marca e William Arão, sim, ele mesmo, o volante de cabelo exuberante e futebol nem tanto, conseguindo não apenas deixar o seu como ainda dando uma bonita assistência para o já citado golaço do nosso camisa 10.


Site Oficial Flamengo
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"William Arão, nunca critiquei" foi a mentira mais repetida no Brasil na tarde desse domingo


Mas por mais que seja bonito, por mais que seja empolgante, por mais que seja gostoso ver aquele “4” ao lado do “FLA” no placar sem se tratar do comecinho de um jogo de basquete, é importante lembrar que sim, foi bonito, sim, foi intenso, sim, foi a redenção de William Arão, mas foi, antes de qualquer coisa, uma partida do Campeonato Carioca. Foi contra a Cabofriense, foi contra o time do professor Luciano Quadros, foi contra a última colocada do nosso grupo, uma equipe que tem Kaká Mendes e Dudu Pedrotti mas não como dupla sertaneja e sim como atletas titulares, o que parece um claro desperdício de nomes - esses dois também poderiam ser publicitários paulistas, por exemplo.


E não que isso apague totalmente os méritos da vitória, claro. O Flamengo hoje não apenas tem um ataque claramente mais forte que o do ano passado como tem um dos melhores setores ofensivos do Brasil e até do continente. Diego, Arrascaeta, Éverton Ribeiro, Gabigol e Bruno Henrique são um quinteto ofensivo capaz de intimidar qualquer adversário, ainda mais quando você lembra que além deles também existem opções como Uribe, Dourado, Vitinho e o jovem Lincoln, que nem jogou esse ano ainda. Do meio pra frente temos, apesar de ainda uma certa confusão tática, potencial humano imenso e uma grande vontade de vencer, como fica atestado até mesmo no esforço que os nossos jogadores vem fazendo para roubar gols uns dos outros nessas últimas partidas.


Mas não podemos perder de vista que, por mais que um placar exuberante como o da última partida seja um ótimo sinal, ele não significa que os vários problemas da temporada passada tenham sido resolvidos ou que a equipe tenha evoluído em setores que em breve terão que enfrentar a pressão de grandes rivais e essa semana foram testados apenas pelo atacante “Marcus Índio”.


Ou seja, goleadas como essa contra a Cabofriense são bacanas, gols como a bicicleta de Diego são lindos, precisamos que Wiliam Arão atue mais vezes como atuou ontem. Mas diante da grandeza do Flamengo e do tamanho dos títulos que precisamos ganhar, a hora de se empolgar mesmo vai ser quando as goleadas forem na Libertadores, os gols de Diego decidirem o Brasileirão e as boas atuações de William Arão acontecerem nas finais da Copa do Brasil.