Chegou a hora de Abel decidir que Flamengo ele quer na Libertadores

Não adianta fingir. Não adianta dizer que o Campeonato Carioca é charmoso, que o Brasileirão é mais importante, que a Copa do Brasil tem premiação mais alta. Se o seu time está disputando a Libertadores é claro que a prioridade dele vai ser, de uma forma ou de outra, a Libertadores. Por ser o maior torneio do continente, por ser o que envolve os maiores adversários, por ser aquele que, quando vencido, te dá a oportunidade de ser Campeão Mundial - um título que, independente de qualquer papinho do tipo “ah, mas os europeus não levam o mundial á sério”, é o mais importante que um clube de futebol pode conquistar.

E para o Flamengo, um clube que tem tanta dificuldade em torneios sulamericanos que tirar o passaporte já é considerado vitória fora de casa e que se pedir delivery de comida mexicana pro Maracanã o delivery vence por 3x0, a Libertadores 2019 é mais uma oportunidade de quebrar tabus, reforçar seu papel como clube internacional e trazer novamente para a Gávea um troféu que só foi conquistado uma vez, durante a era Zico, esse período quase lendário da nossa história em que o Flamengo não tremia para qualquer equipe equatoriana em que um dos titulares é atleta amador e marceneiro profissional.

Mas ainda a Libertadores seja a competição mais importante do ano e estejamos a apenas dois jogos da nossa estreia contra o San José, na Bolívia, Abel Braga não apenas ainda não montou um time que anime o torcedor rubro-negro como nem mesmo parece ter uma ideia muito clara de que Flamengo ele quer para a disputa do torneio internacional.


Site Oficial do Clube
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Está na hora de Abel mostrar que pode oferecer mais do que veias saltadas e gritos de "vaaaaamoooo porrraaaaaa" na beira do campo


Primeiro pela demora na busca por um padrão tático. Ainda que estejamos muito no começo do ano, havia a expectativa de que a manutenção da base do elenco permitisse um ganho de entrosamento e organização da equipe no campo. Abelão pegaria um time já mais ou menos organizado por Barbieri e Dorival Junior e faria alterações pontuais para oferecer aquele “algo a mais” que faltou ano passado.

Mas infelizmente o que vemos em campo não é isso. Se na defesa temos uma nova dupla de zaga que ainda bate cabeça, no meio ainda não desenvolvemos uma dinâmica de jogo e o ataque vive totalmente à base de lampejos individuais – a vitória contra o Botafogo, por exemplo, ficou 90% na conta da boa chegada de Bruno Henrique. E somando ao fato que os novos jogadores ainda não se entrosaram a constatação de que os piores defeitos da equipe 2018 foram mantidos – seguimos com dois laterais limitados, William Arão segue sua emocionante jornada de não armar nem defender – você tem um cenário ao mesmo tempo confuso e não muito animador.

E também existe a dificuldade natural para, até agora, entender o que Abel planeja para o Flamengo. Contratamos atacantes e meias milionários para jogar no contra-ataque contra o Fluminense? Se antes o Flamengo era um time de muita posse de bola e pouca eficiência, agora a intenção é manter a baixa eficiência mas sem posse de bola? Se você quer fechar o meio de campo, por que não usar Piris no lugar de Arão? Se você quer melhorar a qualidade da saída de bola, por que não usar Diego no lugar de Arão? Com toda uma pré-temporada e um primeiro turno de carioca, o Flamengo não deveria ter treinado mais variações táticas, mais formações específicas para as diversas situações de jogo?

A verdade é que cada vez mais se aproxima a estreia na Libertadores e não só não temos um time titular organizado como a versão rascunho que vimos dele até agora não transmite toda aquela confiança. E diante disso o que sobra é a torcida para que Abel aproveite essa semana sem jogos e as duas próximas partidas do Carioca exatamente para isso. Para definir seus titulares, organizar um Flamengo com padrão de jogo e garantir que vamos estrear na Libertadores já plenamente preparados para os desafios que nos esperam.