Flamengo mereceu muito vencer (mas precisa parar com esse vício em pênalti babaca)

É inegável que nessa noite de quarta-feira o Flamengo mereceu vencer. Mereceu porque Éverton Ribeiro, quando quer - e com a ajuda de Diego - é um dos jogadores mais inteligentes do futebol sul-americano. Mereceu porque apesar da insistência de Abel em dar oportunidades para o eterno lesionado Rhodolfo, Rodrigo Caio e Léo Duarte vem se mostrando não apenas a melhor dupla de zaga com nomes compostos do Brasil na atualidade, mas também uma das mais sólidas do passado rubro-negro recente.


Mereceu ganhar porque dominou as ações durante toda a partida com mais posse de bola e mais chutes a gol. Mereceu ganhar porque Jesus às vezes se disfarça de Cuéllar e volta ao mundo terreno para proteger a defesa de alguns clubes. Mereceu ganhar porque finalmente o meio de campo criou as chances que se espera dele. Mereceu ganhar porque Gabigol, apesar de no primeiro tempo quase ter tido que mudar seu nome para Gabisforço, já que corria muito mas falhava demais nas finalizações, deixou o seu na hora que precisou.


E, claro, mereceu ganhar porque a LDU é uma equipe tão frágil quanto a autoestima de um cara que recebeu no meio da madrugada uma mensagem de Whatsapp da ex dizendo que agora ela está com um homem mais bonito, melhor de cama e que transpira menos que ele, ainda que esta talvez seja uma referência um pouco pessoal demais para a maioria de vocês entender.


Site Oficial Flamengo
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Uma sensação gostosa que a gente nem lembrava mais como é: vencer dois jogos seguidos na Libertadores


Em suma, o Flamengo mereceu vencer, e mereceu muito. Mas isso não quer dizer que, como parece sempre acontecer em jogos teoricamente fáceis, ele não tenha vacilado muito mais do que deveria.


Primeiro o óbvio: não tem como ser campeão de nada com essa média de pênaltis por partida. Por mais que seja a especialidade de Diego Alves, por mais que a penalidade contra o Vasco tenha sido duvidosa, a propensão da equipe rubro-negra para derrubar pessoas dentro da área demonstra uma mistura de nervosismo e desatenção que precisa ser controlada o quanto antes, seja na base da conversa ou do tapa na orelha.


Depois, é preciso ser mais eficiente no ataque. Fizemos 3 gols? Fizemos. Criamos boas chances? Criamos. Mas tivemos oportunidade para fazer 4, 5, talvez 6 gols, e se Diego Alves não tivesse defendido a cobrança quando estávamos vencendo por 1x0, as chances perdidas por Gabigol no primeiro tempo poderiam sim ter feito muita falta.


E, por fim, é preciso desvendar esse mistério chamado Willian Arão. Atleta capaz de na mesma partida dar um lindo passe de calcanhar, uma assistência açucarada e minutos depois disparar uma bicuda aleatória contra o próprio gol, Arão é talvez o jogador mais irregular do Flamengo atual - lembremos que nossa lateral direita costuma ser ruim de maneira bem constante. E ainda que tenha no geral feito uma boa partida e existam várias razões para defender a permanência do mais belo cabelo rubro-negro entre os titulares, pode ser a hora de Abel ao menos testar outras opções para a posição, nem que seja só durante o Campeonato Carioca, por exemplo.


Mas no geral a sensação de quem viu o triunfo rubro-negra nessa noite é de alegria. Seis pontos em dois jogos, um time que demonstrou evolução, um Maracanã com mais de 60 mil pessoas comemorando uma vitória merecida e a convicção de que, se esse time for um pouquinho menos vacilão, esse ano nós podemos realmente sonhar com grandes coisas.