Ou você quer ganhar o jogo ou você quer ter Rodinei de capitão. As duas coisas fica complicado

De todos os jogos que não valem nada nesse turno que vale muito pouco desse campeonato que praticamente não importa, o de hoje era possivelmente o mais tranquilo. Afinal, um Flamengo que com certeza estará de uma forma ou outra na semifinal do carioca, vindo de uma boa vitória pela Libertadores, escalava os reservas para enfrentar dentro do Maracanã a não exatamente intimidadora equipe do Volta Redonda. A cobrança era baixa, a boa vontade da torcida era alta, o adversário tinha um volante chamado Bileu. Em suma, o cenário perfeito para que o torcedor rubro-negro pudesse apreciar uma noite de sábado sem grandes preocupações no Maracanã.


E foi quase isso que aconteceu. Mesmo desentrosado o Flamengo dominou as ações, teve mais posse de bola, criou algumas chances e só não venceu a partida por conta de dois erros da arbitragem, um num pênalti não marcado após o zagueiro do Voltaço tocar com a mão na bola e outro num gol mal anulado, após Hugo Moura aproveitar rebote do goleiro e balançar as redes.


Site Oficial Flamengo
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Com Rodinei capitão é surpresa que a moeda do par ou ímpar não tenha caído num bueiro


No aspecto individual não tivemos exatamente grandes destaques. Arrascaeta segue deixando claro que possui técnica de sobra, mas ainda não encontrou o entrosamento e intensidade certas dentro de campo, assim como os garotos da base, desde Thuler e Hugo Moura até Ronaldo, Lucas Silva e Vitor Gabriel parecem também ter qualidade, mas ainda demonstram muita timidez atuando pela equipe principal. Piris da Motta segue sendo uma espécie de Cuellar Jr, permitindo que as convocações do colombiano para a seleção ainda não causem o desespero total, e Trauco segue sabendo chutar, sabendo cruzar, mas sendo incapaz de impedir que uma tartaruga morta virada de cabeça pra baixo o ultrapasse pelo lado do campo.


Mas o destaque dessa noite sem gols talvez tenha ficado para a peculiar decisão de Abel Braga de, após os eventos traumáticos da última partida contra o Vasco, entregar a braçadeira de capitão exatamente para Rodinei, gesto esse que deve representar para os amantes da meritocracia mais ou menos o que usar aquele condimento 3 em 1 com mostarda, maionese e ketchup numa fatia de pizza representa para um paulistano.


Afinal, ainda que seja possível entender a intenção do treinador de proteger e respaldar o atleta que vive um momento complicado - afinal, Rodinei tem contrato até 2022 e num certo grau é um “patrimônio” do clube, por mais que seu momento complicado pareça vir desde a infância - é importante que diretoria e comissão técnica não repitam os erros de temporadas passadas, quando a paciência com certos jogadores rapidamente se transformou numa conivência exagerada com erros que acabaram custando muito caro.


Dar crédito para Rodinei na esperança de que ele melhore? Decisão ousada, mas compreensível. Blindar Rodinei e ignorar o imenso problema que é a nossa lateral direita? Aí com certeza já seria sacanagem.