Rodinei é horrível, mas mandar ele embora e ficar só com o Pará seria pior ainda

Dizer que a lateral direita do Flamengo hoje tem “um problema" é mais ou menos a mesma coisa que dizer que a 2ª Guerra Mundial foi uma briga de bar ou que Atlântida este ano teve um verão meio úmido. Desde a saída de Léo Moura nenhum jogador, seja da base, seja contratado, foi capaz de se firmar na posição, o setor se tornou um morredouro de jogadas e um corredor para adversários e são incontáveis às vezes em que partidas foram decididas contra nós em falhas individuais dos laterais, sejam elas ofensivas ou defensivas.


Pará e Rodinei, os dois jogadores que nos últimos anos se revezam como titulares da posição, são atletas bem dispostos e dedicados mas profundamente limitados e que atuam de maneira muito aquém do que o Flamengo exigiria, seja pelas ambições do clube - que diz perseguir títulos continentais e não a de dentro do rachão do aterro – seja pela história da camisa rubro-negra – ver esses dois jogadores atuando na mesma semana em que se comemorou o aniversário de Leandro é algo que deveria ser proibido pelo estatuto do clube.


E ainda que no cenário atual Pará esteja em clara vantagem, seja por ser a opção principal do treinador Abel Braga, seja porque Rodinei se encontra em baixa após o inacreditável gol perdido contra o Vasco, a verdade é que não existem realmente muitas diferenças entre os dois atletas. Se Rodinei tem mais vitalidade, Pará tem mais consistência defensiva. Se Rodinei chega mais no ataque, Pará, por não chegar tanto no ataque, faz menos besteiras lá na frente. Se Rodinei não sabe cruzar, Pará jamais aprendeu a alçar uma bola na área. Em suma, como já dito antes, são dois jogadores profundamente limitados e que transformaram a disputa da nossa lateral-direita numa espécie de “Alien x Predador”: independente de quem vencer nós todos perdemos.


Gazeta Press
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Enviar o Rodinei para a lua num foguetinho não resolve o problema se não trouxermos alguém melhor pro lugar dele



E ainda que exista esperança na possível chegada de Rafinha, lateral do Bayern que já teria um acordo verbal com o Flamengo, a verdade é que, por melhor que o atual atleta do clube bávaro seja, ele é um jogador de 33 anos que passou quase 15 anos no futebol europeu, então não só irá precisar de um certo período de adaptação como dificilmente conseguirá encarar integralmente a maratona de partidas do calendário brasileiro.

Em suma: mesmo se Rafinha vier – e nem temos ainda certeza de que ele vem – inda iríamos, em vários jogos, depender de um lateral-direito reserva para cobrir suas ausências. E aí continua o problema.

Primeiro é preciso dizer que, num mundo ideal, o hipotético reserva de Rafinha não seria nem Pará e nem Rodinei. Com um jogador de experiência no futebol europeu e passagens pela seleção brasileira, nada mais sensato do que ter na reserva um jovem promissor que pudesse ganhar experiência para assumir a titularidade quando Rafinha se aposentasse ou fosse realizar sua despedida no Coritiba. Mas diante da falta de confiança em Klebinho ou qualquer outra promessa da base, isso parece, ao menos por enquanto, improvável.

Sobraria então a disputa entre os dois atuais jogadores da posição: Pará e Rodinei. E ainda que o primeiro seja o titular e o segundo seja responsável por vários momentos de puro desespero para a nossa torcida, a verdade é que, racionalmente falando, Rodinei acaba sim sendo a opção mais sensata.

Primeiro pela idade. Se Pará tem 33 anos e já se encontra perdendo desempenho físico, Rodinei aos 27 está no seu auge, ainda que esse auge em dados momentos seja utilizado apenas para cometer mais erros em partes mais variadas do campo. Depois pelo contrato. Se o contrato de Pará vence já no fim desse ano e sua saída exige apenas a não renovação, Rodinei tem contrato até 2022 e sua saída dependeria de uma boa proposta para que não se tornasse mais um Rômulo ou Muralha, jogadores que nós pagamos para que atuem em outras equipes. E por fim, porque ainda que ambos sejam jogadores de baixa qualidade técnica e visão tática limitada, Rodinei ao menos ainda oferece o elemento surpresa do chutão aleatório, jogada essa que ele acerta com imensa raridade mas que já nos salvou em certos momentos de Libertadores passadas.

Resumindo: a situação na lateral-direita do Flamengo é calamitosa e precisamos, urgentemente, de dois novos laterais (isso sem faltar de um lateral esquerdo, um zagueiro e um segundo volante). Mas num cenário futuro em que fosse realizada a contratação de apenas um jogador e o reserva funcionasse como uma bomba atômica ou um banheiro de ônibus de viagem – aquele recurso que você tem mas espera nunca precisar usar – Rodinei ainda seria a melhor opção para o Flamengo.


E que Deus me perdoe por algum dia por ter escrito essa frase e esse clube me compense por ter me colocar em situação de dizer uma coisa desse tipo.