Contra o Madureira, o Flamengo cumpriu sua obrigação de vencer, mas perdeu a oportunidade de golear

Como já falamos várias vezes aqui, a situação do Flamengo no Campeonato Carioca é ao mesmo tempo extremamente confortável e extremamente ingrata. Extremamente confortável porque num ano de Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, o Carioca é o torneio de mais baixo nível técnico, aquele onde dá pra escalar reserva, oferecer chance pra garoto da base, testar variação tática, sortear uma vaga na lateral entre os sócios-torcedores que estão em dia com a mensalidade.


Mas exatamente por ser o torneio mais fraco ele acaba se tornando o mais ingrato. Afinal, num torneio onde os rivais tradicionais tem investimento muito menor que o seu e alguns times pequenos tem a folha salarial abaixo do valor que o seu camisa 9 gasta mensalmente para descolorir o cabelo, qualquer derrota é uma crise, qualquer empate é uma vergonha, mesmo as vitórias não são mais do que a obrigação.


E nessa noite de terça-feira foi isso que o Flamengo fez: cumpriu a sua obrigação. Contra o Madureira se espera que o Flamengo proponha o jogo e domine as ações? Foi isso que ele fez. Contra o Madureira é responsabilidade do Flamengo vencer de maneira segura e sem deixar o adversário criar chances? Foi isso que vimos em campo. Durante os 90 minutos, o Flamengo teve total controle da partida, total tranquilidade dentro de campo e, apesar da juventude e coragem da equipe suburbana, nem por um momento houve perspectiva de outro resultado que não a vitória rubro-negra.


Site Oficial Flamengo
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Lei de Gabigol: sempre que você está prestes a xingar o atacante por um gol perdido ridículo ele vai e faz um gol maluco


A zaga esteve segura, ainda que não tenha sido exatamente desafiada. O meio esteve criativo, com muita movimentação, oportunidades criadas e talvez um sinal de que Ronaldo possa colaborar mais com a equipe durante a temporada. Os laterais erraram um pouco menos do que se espera dos titulares rubro-negros atualmente, mas isso tende a ter mais a ver com a fragilidade dos adversários do que com qualquer evolução pokemon sofrida por Renê e Pará.


Então se algum setor da equipe merece alguma observação - e vale lembrar que quando se trata de Campeonato Carioca tanto os elogios quanto as críticas precisam ser imensamente relativizados - é o nosso ataque, que apesar da disposição sempre contagiante demonstrou também uma capacidade de perder gols que, se fosse contagiante também, exigiria a invenção urgente de algum tipo de vacina.


Pode soar um pouco de preciosismo questionar o ataque numa vitória por 2x0 ou o faro de gol de um atacante que marcou duas vezes na partida? Com certeza. Mas é importante lembrar que em partidas mais complicadas, contra adversários mais fortes, a tendência é que consigamos criar menos chances de gol, exigindo mais da eficiência dos nossos homens de frente. Isso quer dizer que se contra o Madureira Gabigol e Bruno Henrique podem se dar ao luxo de perder gols feitos porque vão acertar na próxima, contra um River Plate, um Grêmio, uma Universidad Católica, pode ser que não exista uma próxima e esse nível de eficiência seja a diferença entre uma vitória e uma derrota, uma classificação e uma eliminação.


Mas por hoje o que fica é que sim, o Flamengo cumpriu sua obrigação. Venceu o Madureira, se garantiu na semifinal do Carioca e agora espera no fim de semana o Fluminense para um jogo onde, por ser clássico, vencer não é obrigação mas, sejamos sinceros, perder novamente seria passar vergonha sim.