Missão contra o Nacional de Potosí é fácil, mas a história prova: o Fluminense sofre na altitude

Eu sei o que vocês estão pensando depois de ler esse título: "Nossa, mas que forçada de barra". Talvez eu até concorde - uns 10% - com isso, mas vamos aos fatos: depois de uma gigantesca indefinição, o Fluminense vai voltar a jogar na altitude, dessa vez contra o Nacional de Potosí. E independentemente da situação, isso dá um frio na espinha de qualquer tricolor.


Falo isso com a tranquilidade de quem não consegue superar os traumas contra a Liga. Em 21 anos como torcedor tricolor, já vivi inúmeros momentos alegres, mas o mais marcante, de longe, é também o mais triste da história do clube: aquela final no Maracanã, que está perto de completar dez anos, aliás.


Os mais atentos, entretanto, vão se lembrar que as partidas em Quito não foram as únicas que o Fluminense disputou na altitude recentemente. Na própria campanha de 2008 pela Libertadores, visitou o Atlético Nacional em Medellín, a 1450m acima do nível do mar, e acabou vencendo por 2 a 1, com gols de Thiago Neves (volta) e Conca (esse pode ficar na China). Ainda assim, os resultados positivos "nas alturas" estão longe de ser rotineiros para o Tricolor das Laranjeiras.


Gazeta Press
Gazeta Press

Abre o olho, Abel. Capricha na preleção. Pensa bastante no que vai fazer em Potosí. Joga seguro, recuado. Fecha a casinha. Como Fluminense...


Ao todo, segundo minhas contas, são sete partidas contra equipes situadas em cidades acima do nível do mar: uma em Medellín (1450m), uma na Cidade do México (2235m) e as restantes em Quito (2850m). Nenhuma delas chega nem perto da altitude de Potosí, onde vamos enfrentar o Nacional local - que mais parece uma cópia do River Plate, pelo escudo - em situação muitíssimo confortável depois de um sonoro 3 a 0 no jogo de ida. A cidade boliviana, situada na Cordilheira dos Andes, fica a surreais 4070m de altura. Haja fôlego.


Desde 2008, foram duas vitórias, um empate e quatro derrotas em partidas contra times que jogam com a altitude a seu lado. Sete pontos em 21 possíveis, o que nos leva ao aproveitamento de 33,3%. Além disso, foram 14 gols sofridos contra apenas oito marcados. Podia ser pior? Podia, mas também não chega a ser medíocre, que dirá bom.


Mesmo com a larga vantagem, é impossível não questionar se esse time, que vence, mas não convence, vai conseguir fazer um bom jogo. Recheado de jogadores que têm pouca experiência em situações adversas, o Fluminense tem de lidar com seu próprio histórico em territórios com ar rarefeito e com os problemas de logística, que geraram uma incerteza enorme até mesmo se o jogo seria realizado, por conta dos protestos na cidade de Sucre.


Lucas Merçon/Fluminense FC
Lucas Merçon/Fluminense FC

Que Gum, remanescente do fiasco de 2009, possa comemorar novamente na altitude. E que não falte ar pra esse grito


Depois da eliminação patética na Copa do Brasil e a promessa de um Brasileiro sem muitas ambições, uma campanha decente na Sul-Americana - mal ou bem, um torneio internacional - se torna obrigação.


Sofrer uma goleada para a cópia mal-diagramada do River - como venho chamando carinhosamente o Nacional - parece impossível, mesmo se levarmos os 4000m de altitude de Potosí em conta. Ainda assim, todo tricolor sabe bem que o Fluminense é o time do impossível, seja para o bem ou para o mal.


Vamos aguardar e torcer pra que Gravatinha nos abençoe.


Histórico do Fluminense na altitude:
Libertadores:
2008
- LDU 0x0 Fluminense - Fase de Grupos
- Atlético Nacional 1x2 Fluminense - Oitavas de final - Gols de Thiago Neves e Conca
- LDU 4x2 Fluminense - Final - Gols de Conca e Thiago Neves (sim, de novo eles).
2011
- Fluminense 0x1 América-MEX - Fase de Grupos
Sul-Americana:
2009:
- LDU 5x1 Fluminense - Final - Gol de Marquinho (o gol mais ilusório em 116 anos de Fluminense Football Club)
2017:
- Universidad Católica-EQU 1x2 Fluminense - 2ª fase - Gols de Henrique Dourado e Marlon Freitas
- LDU 2x1 Fluminense - Oitavas de Final - Gol de Pedro