A altitude bem que tentou, mas não conseguiu eliminar o Fluminense

Quando o Fluminense entrou em campo, às 21h45 dessa quinta-feira, para supostamente enfrentar o Nacional Potosí, todo mundo percebeu que tinha caído numa espécie de fake news. Passada metade do primeiro tempo, tava muito na cara de que os 11 jogadores de branco e vermelho eram uma ameaça quase inofensiva. O maior problema era mesmo a tal da altitude. Essa daí, amigo, jogou muito, como sempre.


O River Plate fake era muito ruim. E tenham em mente que, quando eu digo muito ruim, estou falando de uma equipe que ia penar pra jogar o poderoso Campeonato Carioca. No Brasileirão, os bolivianos - sem altitude - talvez disputassem a Série D. E olhe lá. Eu tenho plena consciência de que passei o primeiro tempo inteiro pensando "ainda bem que esse time é horrível. Se fosse só ruim, já estariam ganhando. E fácil".


Sinceramente, não dava pra exigir absolutamente nada do time do Fluminense. Jogar na altitude em que o Tricolor das Laranjeiras foi jogar hoje é desumano e o que se vê dentro das quatro linhas passa longe de ser futebol. É uma briga pra não ter um piripaque nos 90 minutos. E faltou ar na casa de todo tricolor que acompanhou o jogo hoje também.


Getty Images
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Faltou oxigênio até pra torcida que tava no Rio, mas pro Jadson tava tudo tranquilo. A partir de hoje, será chamado de Motorzinho das Laranjeiras


Além da altitude, o terreno de jogo era extremamente ruim. O futebol universitário carioca encontra campos melhores pra galera desfilar sua qualidade. Juro pra vocês. No fim das contas, somem tudo isso e os maiores adversários do Flu nessa noite continuaram sendo os fatores externos.


No fim das contas, eles bem que tentaram, mas não deu pra derrotar o Fluminense hoje. O placar não importava nem um pouco. Muito menos o desempenho. O que importava era só sair da Bolívia com a classificação assegurada, e torcendo pra nunca mais sair do nível do mar. A cena de ver praticamente todos os jogadores caídos em campo logo após o apito final, sem nem comemorar a passagem de ida à segunda fase traduz bem o sentimento.


Ainda assim, podia ter sido mais fácil. As deficiências técnicas e táticas do Nacional eram tão evidentes que bastava o Fluminense conseguir trocar três ou quatro passes no meio de campo que os caras ficavam completamente envolvidos. A cópia boliviana do River Plate é um dos piores times que esse que vos fala teve o desprazer de assistir na vida. E eu falo com tranquilidade. Pablo Dyego e Robinho tiveram as melhores chances do time, já na segunda etapa, mas faltou perna e pontaria pra marcar um golzinho da tranquilidade. Acabou não fazendo falta hoje.


O Sobrenatural de Almeida até que tentou dar as caras por Potosí, mas acho que ficou cansado e não conseguiu surtir efeito. Se estivesse com um cilindro de oxigênio, talvez aquela finalização da entrada da área tivesse entrado no ângulo de Júlio César. Mas passou por cima. Pra nossa sorte.


Agora é pensar na próxima fase e, especialmente, no clássico contra o Botafogo, que tem time bastante interessante. Mas falemos disso depois. Hoje, vamos comemorar - com um cilindro de oxigênio do lado.


Notas:


Júlio César - Nota 7: O trabalho de um goleiro na altitude é sempre mais difícil. Hoje, nosso camisa 22 foi ótimo, apesar de uma ou outra falha e pulo atrasado. Bota na conta dos quatro mil metros.


Gilberto - Nota 6: Eu sinceramente achei que ele não ia terminar o jogo em campo. Aos 45, ainda tava dando pique pra proteger a bola até a linha de fundo. Tá ótimo.


Frazan - Nota 4: Se ele conseguir me explicar o que tava fazendo à frente da linha de defesa no primeiro gol do Nacional, eu posso até pensar em aumentar a nota dele. Por enquanto, fica isso aí.


Gum - Nota 6: Quase infartamos com aquela cabeçada no pé do atacante do Nacional, mas ainda bem que você se recuperou logo depois. Foi um lance que podia ser o estereótipo do que é o zagueiro Gum.


Renato Chaves - Nota 7,5: Eu nunca pensei que ia falar isso aqui, mas: O RENATO CHAVES JOGOU BEM! Foi o melhor disparado da linha de zaga. Preciso em coberturas a Gilberto e, posteriormente a Marlon, e bem pelo alto.


Ayrton Lucas - Nota 5: Tomou duas bolas na costas em menos de 20 minutos e depois disso eu nem lembro do que fez dentro de campo. Provavelmente não conseguia respirar, coitado.


Richard - Nota 6,5: A nota do Richard foi crescendo exponencialmente a cada minuto que ele ficava em campo mesmo estando claramente sem fôlego. Quase complicou tudo com aquele chute de fora da área desnecessário, mas tá tranquilo. Teve crédito.


Jadson - Nota OXIGÊNIO PURO: Bicho, os pulmões do Jadson são cilindros de oxigênio. Eu tenho plena convicção disso. Correu o campo inteiro durante os 90 minutos, sabe-se lá como, e foi excelente em tudo que tinha de fazer. Infelizmente, acabou fazendo o pênalti, mas tá perdoadíssimo.


Sornoza - Nota 7: Um dos poucos que parecia ter consciência de estar jogando quase no Everest e tentava cadenciar o jogo enquanto o resto passava em velocidade pelas pontas. Deu dois passes dizendo "faz e me abraça" pra Pablo Dyego e Robinho, mas pelo visto ninguém queria dar um carinho pro equatoriano. Aqui a gente te abraça, Junior.


Pablo Dyego - Nota 5: O Pablo Dyego perdia pontos comigo a cada pique desnecessário que dava no primeiro tempo. Aguentou até mais tempo do que eu esperava e perdeu duas chances claras.


Pedro - Nota 7: Considerando que a única função dele no jogo era ser um poste e tentar prender as bolas rifadas, o garoto foi muito bem. Brigou o tempo inteiro, até conseguiu fazer boas jogadas, mesmo com a tarefa ingrata, e foi importantíssimo.


Abel Braga - Nota 10: Só porque eu quero ouvir você dizendo mais vezes que jogar em Potosí é um crime.


Marlon - Nota 3,5: Eu gosto do Marlon. De verdade. Mas o que eu xinguei nosso lateral hoje por causa de jogadas e chutões precipitados hoje não tá no gibi. Me irritou de verdade.


Robinho - Nota 5: Se estivesse jogando no nível do mar, tinha feito um golaço à la Maradona contra a Inglaterra ou Messi contra Villarreal, de tão fácil que parecia ser driblar os jogadores do Nacional. Pena que não deu.


Mateus Norton - Sem Nota: Entrou basicamente pra ser o único que aguentou ficar de pé depois do jogo terminar.