Aos poucos, Abel Braga vai acertando seu esquema com três zagueiros no Fluminense

Muito badalado pelo seu começo de ano, Fernando Diniz vem sofrendo com a instabilidade em seu cargo no Atlético-PR. Hoje, o Fluminense contribui pra que sua posição fique ainda mais ameaçada. O jogo do Tricolor das Laranjeiras foi praticamente perfeito, ao encontrar um rival com características que facilitavam ainda mais o trabalho.


O contra-ataque do Flu nessa noite fria de domingo foi a oitava maravilha do mundo moderno. A cada momento em que o time recuperava a bola, parecia que Sornoza se transformava em Mané, Pedro incorporava Firmino e Marcos Jr era uma espécie de Salah, só que sem cabelo e destro. O Jadson, por sua vez, era.....ele mesmo. Dinâmico e participativo como sempre.


É claro que é exagero comparar o Fluminense ao Liverpool de Jürgen Klopp, do qual sou fã, mas a partida que a equipe fez hoje deu gosto de ver jogar. Contra os paranaenses, que prezam pela posse de bola, mas são muitas vezes ineficazes ao tentar chegar ao gol adversário, Abel tirou de letra a missão de bater Fernando Diniz. Apostou na velocidade dos meio-campistas e na boa movimentação de Pedro e Marcos Jr para vencer a péssima transição defensiva do CAP.


Lucas Merçon/Fluminense FC
Lucas Merçon/Fluminense FC

É o Marcos Jr na foto, mas bem que podia ser o Abel dando um 'hadouken' no Atlético-PR de Fernando Diniz


Funcionou perfeitamente. A cada roubada de bola na intermediária, o Atlético-PR parecia completamente perdido e fora de posição. Não à toa, os dois gols do Flu saíram assim. E melhor: tivemos apenas 30% de posse de bola, mas nem precisava de mais do que isso mesmo. O estilo de jogo que Abel se propôs a praticar não precisava da bola por grandes períodos de tempo. Cumprimos o objetivo.


Além de tudo, o que me faz ter fé de que o esquema com três zagueiros possa dar certo é justamente essa postura reativa do Fluminense. Explico: é muito bonito ter um time que proponha o jogo e seja ofensivo o tempo todo, certo? Certíssimo. Só que falta material humano para que isso seja possível nas Laranjeiras. Quantas vezes a torcida tricolor passou raiva vendo algum dos seus três zagueiros - em especial Renato Chaves, que joga quase que livre de posicionamento - sendo o responsável por conduzir a bola além do meio-campo e lançando - geralmente errado - em profundidade? Algumas várias.


Hoje, foi bem diferente. Quanto menos a armação de jogadas precisar ser construída por esses três defensores, mais o Fluminense vai ter sucesso.


PS1: Isso não quer dizer que esse tipo de postura vá funcionar contra qualquer time. Quando enfrentarmos uma equipe que jogue recuada e "fechadinha", teremos problemas justamente por faltar criatividade. O Flu precisa do jogo de transição pra sair em velocidade e aproveitar a movimentação de seus jogadores.


PS2: A nossa bola aérea segue sendo uma temeridade.


PS3: Conseguimos enfrentar Ribamar e Thiago Carleto sem tomar um gol sequer. Só por isso a vitória já ficou ainda mais importante.


PS4: Uma pena - mas correto - que o primeiro gol não tenha sido creditado a Jadson. Merecia bastante. Acabou dando também a assistência para o segundo e eu posso falar, sem pensar duas vezes, que é ele o melhor jogador do Fluminense no ano.

NOTAS


Júlio César - Nota 6: Tá, eu sei que ele fez uma defesaça no fim do jogo, mas o nosso camisa 22 tem uma coisa que me deixa nervoso: parece que ele sempre leva uns três anos pra reagir a chutes de longe, estando aproximadamente o mesmo período de tempo atrasado nas jogadas também.


Renato Chaves - Nota 5: Sigo tentando entender como Renato Chaves é o camisa 10 da nossa defesa, jogando sempre entrelinhas e não respeitando o posicionamento da linha defensiva. Dá nervoso.


Gum - Nota 6,5: Segue seguro. Não teve lá tanto trabalho hoje, mas foi bem quando necessário.


Luan Peres - Nota 7: Boa alternativa a Ibañez. Melhor da defesa hoje.


Gilberto - Nota 7,5: Foi uma boa opção pela direita e, surpreendentemente, defendeu bem. Pouco sofreu com os avanços do camisa 12 do CAP.


Marlon - Nota 6: Fora os lançamentos pro Sornoza puxar contra-ataque, abaixo do que precisa. Volta logo, Ayrton Lucas.


Richard - Nota 6,5: Excelente na saída de bola, que passa longe de sua melhor qualidade, foi importante pra ajudar a desafogar o jogo quando o Atlético fazia pressão alta.


Jadson - Nota 8: Eu nem sei mais o que falar dele por aqui. Mais um bom jogo.


Sornoza - Nota 7,5: Se algum dos chutes que ele tentou de fora tivesse entrado, sua nota seria 9. Se a trivela pro Jadson chega um pouco mais atrás, era 10.


Lucas Merçon/Fluminense FC
Lucas Merçon/Fluminense FC

Sornoza claramente tava reclamando com a bola por conta da teimosia em finalmente entrar num golaço de fora da área. Calma, Papá, daqui a pouco você consegue


Marcos Jr - Nota 7,5: Por que que você não teve toda a calma do gol de hoje na hora daquele lance contra o Botafogo? É meu único questionamento. Golaço.


Pedro - Nota 7: Não fez gol, mas ainda assim foi fundamental. É impressionante como melhorou nos fundamentos e vem fazendo tabelas com a maior facilidade do mundo.


Abel Braga - Nota 8,5: Quando eu não tiver um microinfarto a cada levantamento na nossa área, eu considero a possibilidade de vir um 10 aqui.


Matheus Alessandro - Sem nota: Qual era a necessidade de você tomar aquele cartão? Sério.


João Carlos - Sem nota.


Douglas - Sem nota, mas com uma ressalva: eu fiquei com medo de ele se machucar mesmo tendo jogado menos de cinco minutos. O cara entrou em campo só pra tomar uma porrada de um infeliz de vermelho e preto.