O Fluminense tem o estilo de jogo perfeito para complicar vida do Grêmio em Porto Alegre

Nos últimos tempos, quando se fala de tática e de análise no campo do futebol, é comum vermos dois grandes estilos de se praticar o esporte, que entram em conflito e são extremamente opostos. Muito se fala de times "propositivos" e de equipes que são mais "reativas". O jogo entre Grêmio e Fluminense, nesta quarta-feira, deve ser um grande exemplo do confronto dessas ideias.


Sob a batuta de Renato Gaúcho e, dentro de campo, de Luan, o Grêmio encanta justamente por buscar o jogo a todo o tempo, com muita posse de bola, sem recorrer ao chuveirinho e aos chutões, aproveitando-se sempre da movimentação de seus atletas para criar espaços. Para muitos, é o futebol mais bonito de se ver.


ROBERTO VINICIUS/AGAFOTO/Gazeta Press
ROBERTO VINICIUS/AGAFOTO/Gazeta Press

Luan deve ser, de longe, a maior preocupação do sistema defensivo tricolor


Não à toa, o time gaúcho tem a maior média de posse de bola no Brasileirão deste ano (absurdos 60,3%), trocando por volta de 580 passes por jogo, sendo 93,7% deles corretos (atrás apenas do Atlético-PR no quesito). Para se ter noção, o 3º time na estatística, oAtlético-MG, tem média de apenas 466 passes por partida.


O Fluminense versão 2018 faz justamente o contrário. Com um elenco tecnicamente abaixo da média, apesar de alguns bons nomes, Abel Braga aproveita o que tem de melhor: velocidade. Com um estilo de jogo direto, aposta nos contra-ataques e na rápida transição ofensiva para aterrorizar os adversários. Vem dando certo até o momento e pode ser a solução para arrancar pontos importantíssimos em Porto Alegre.


Lucas Merçon/Fluminense FC
Lucas Merçon/Fluminense FC

Fundamentais nas transições velozes do Fluminense, Sornoza e Pedro precisarão estar inspirados para atrair bom resultado contra o Grêmio


Pior equipe do torneio no quesito passes corretos (86,8%), o Tricolor das Laranjeiras troca apenas 341 passes por jogo (17º no Brasileiro), muito abaixo do número gremista. Além disso, o time comandando por Abelão também não costuma manter a posse de bola, com média de 46,3% nos jogos que disputou até agora (3º time com menos posse).


Júlio César, em entrevista coletiva, indicou que o Fluminense "tem todas as condições de somar pontos". E ele está certo. Apesar de, no papel, sermos inferiores, temos boas alternativas táticas para esse jogo. Abel vem utilizando as mesmas de maneira correta e tudo indica que não deve alterar seu plano de jogo, que serve como uma ótima maneira de contra-atacar o estilo de Renato Gaúcho, para esta quarta-feira.



Resta ao Fluminense maximizar seus pontos positivos, como a eficiência ao finalizar (7,7 finalizações para cada gol; 5º melhor time no BR). Luan, que volta de lesão, é o jogador que mais finaliza e mais dá assistências para finalizações no time do Grêmio, indicando que requer algum tipo de marcação especial.


Se perder na Arena, não existe motivo algum para que se crie pânico. É um resultado normal. Mas conquistar pelo menos um pontinho seria fundamental para começar bem uma sequência longe do Maracanã. Nas próximas quatro rodadas (Grêmio, Paraná, Flamengo - em Brasília - e Atlético-MG), o Tricolor enfrenta adversários complicados e sem ter sua torcida como principal nas arquibancadas. Sendo assim, começar com a moral de vencer - ou até mesmo empatar com - o campeão da Libertadores, fora de casa, seria especial.


Que vença o Fluminense.


(Todas as estatísticas citadas no texto foram retiradas do Footstats)