Apesar de um trabalho questionável, precisamos agradecer a Abel Braga

Em plena Copa do Mundo, a crise do Fluminense se aprofunda ainda mais. Abel Braga pediu demissão e, mesmo que eu não fosse fã de seu trabalho - pelo contrário, o critico há tempos - acredito que isso demonstre o quanto a diretoria do Fluminense está completamente perdida na maneira como conduz o clube.


É difícil, no futebol brasileiro, ver um treinador deixar um clube por vontade própria. Geralmente, todos acabam demitidos. Abel teve, em julho do ano passado, talvez, o motivo mais justo para que deixasse seu trabalho e preferisse se afastar dos gramados: a morte de um de seus filhos. Ainda assim, em uma atitude impressionante, preferiu seguir à frente do Fluminense, sendo acolhido pela torcida de forma avassaladora.


No entanto, quase um ano depois, parece que problemas internos, como atraso de salários e falta de reforços para o elenco, fizeram com que Abelão não tivesse mais condições de exercer suas funções. E sinceramente? Ninguém pode levantar um dedo para acusá-lo de nada. Aos 65 anos, é um dos técnicos mais bem-sucedidos do Brasil. Venceu tudo que já poderia ter vencido. E sofria com um elenco limitadíssimo. Já tem idade para se aposentar, se quiser. Nem tem mais muito o que almejar no futebol. Como disse em nota oficial, quer descansar e dar um tempo. Impossível dizer que ele está errado.


Seu trabalho no Fluminense certamente passou longe de ser dos melhores. O elenco não ajuda, ok. Mas, ainda assim, alguns problemas nunca foram solucionados e outras decisões do comandante são bastante questionáveis. Uma das maiores delas, a contratação de Romarinho, a seu pedido. Outro ponto: a predileção por Renato Chaves na defesa, juntamente com a facilidade para que o Tricolor sofresse com bolas aéreas cruzadas em sua área, falha nunca solucionada por Abel. Me incomoda também a defesa constante de uma das piores diretorias do futebol brasileiro. Mesmo na sua nota de despedida, segue elogiando efusivamente o presidente Pedro Abad. Complicado.


Depois de algum tempo de um time sem padrão tático, Abel criou seu sistema com três zagueiros. Também demorou para ajustá-lo, mas em alguns momentos até deu certo. Acabou minado pela limitação dos jogadores que entram em campo em diversos jogos. Pelo menos, indicava gerir bem o vestiário, fundamental no momento péssimo que vive o clube, e foi profissional enquanto esteve nas Laranjeiras. Não deixa de ser um ídolo do Fluminense e merece um obrigado pela sua passagem e pelo profissionalismo.


Excluindo partidas de Campeonato Carioca (mais fácil e que engana MUITO), Abel Braga teve aproveitamento de 51,4% em sua passagem (72 jogos, 31 vitórias, 18 empates e 27 derrotas). É pouco. Ainda teve 105 gols marcados e 95 gols sofridos.


Foi até as quartas da Sul-Americana de 2017, caindo para o Flamengo - com boa parcela de culpa de Romarinho, seu protegido - e também pode ser apontado como responsável direto pela eliminação para o Avaí na Copa do Brasil deste ano - lembram da substituição de Sornoza por Marlon Freitas? - na segunda fase. 


Boa sorte pra nós. E que vença o Fluminense.


PS: A diretoria deveria trabalhar somente com um nome como plano A: Zé Ricardo. É, de longe, o melhor treinador disponível no mercado na atualidade.


PS2: Se preferir depositar sua confiança em um medalhão do nível de Luxemburgo, seremos rebaixados como aconteceu em 2013.