O tricolor não consegue ter meia hora de paz: Marcelo Oliveira é o novo técnico do Fluminense

A diretoria do Fluminense não é tão ingênua como parece. Ao menos para esconder e diminuir o barulho de suas próprias ações. Em meio à celebração pela vitória da Seleção Brasileira sobre a Costa Rica, o Tricolor das Laranjeiras, quase que na surdina, anunciou Marcelo Oliveira como seu novo treinador.


Eu me recuso a acreditar que foi coincidência, já que a torcida não parece ter ficado muito contente com a contratação. Mas isso é o de menos. Vamos ao que interessa: eu também não gosto do nome de Marcelo Oliveira. Desde o bicampeonato do Brasileirão com o Cruzeiro, vejo esse técnico tendo o trabalho bastante criticado, por onde quer que passe.


Fernando Dantas/ Gazeta Press
Fernando Dantas/ Gazeta Press

No Palmeiras, Marcelo Oliveira até foi campeão da Copa do Brasil, mas não deixou nenhuma saudade


Por isso, fui atrás de amigos e conhecidos que gostam dessa parte de análise de futebol e que acompanharam os últimos trabalhos do treinador para tentar traçar um prognóstico do que ele pode fazer no Fluminense. Spoiler: o cenário não é nada animador.


Charley Moreira, ex-coordenador de futebol mineiro da VAVEL Brasil: "Ele é um treinador obsoleto. Quando chegou ao Galo, a torcida ficou esperançosa porque ele tinha identificação com o clube. Mas trouxe os mesmos problemas do Palmeiras: marcação individual, time espaçado, muitos cruzamentos. Dependia do individual de jogadores como Robinho, Fred e Cazares para conquistar as vitórias."


Convenhamos que, se for depender do individual neste elenco do Fluminense, já podemos contar com uma série de derrotas. Isso é o que mais falta. E o trunfo de Abel Braga era justamente tentar apostar no coletivo. O que, às vezes, funcionava.


Thor Megiolaro, dono do canal Linup no Youtube e torcedor do Palmeiras: "O M.O. passou pelo Palmeiras em 2015, chegou no meio do trabalho do Oswaldo (que era criticado pelo bom futebol mas sem objetividade). Mas ele conseguiu ser muito pior! O time era só chutão, sem ideias de jogo. Para você ter uma ideia, depois do título [da Copa do Brasil] de 2015, a torcida pedia a saída dele. De tão ruim que era o time."


Victor Alexander, jornalista e torcedor do Cruzeiro: "Aquele time bicampeão do Cruzeiro jogava em um 4-2-3-1 com muita participação dos extremos abertos na criação do jogo por dentro. Entretanto, o time sofria muito quando tinha de proteger a área. O Marcelo Oliveira teve méritos ao construir, junto do Alexandre Mattos, um elenco forte, mas, dentro de campo, o time era mais intuitivo do que coordenado coletivamente. E teve méritos em potencializar individualidades."


Pedro Henrique Quiste, ex-redator da editoria de Palmeiras na VAVEL Brasil: "O Palmeiras do Marcelo Oliveira era uma bagunça, taticamente falando. Sem ideias na criação, fraco defensivamente, desorganizado. Se mostrou inconsistente, desequilibrado e sem variação do 4-2-3-1. E, pra mim, o pior ponto foi a quantidade de ligações diretas para o ataque. Às vezes, chegavam a dar mais de 40 chutões."


Maílson Santana/Fluminense FC
Maílson Santana/Fluminense FC

Com a predileção de Marcelo Oliveira pela ligação direta, tudo indica que Pedro vai sofrer entre os zagueiros pelo alto. Boa sorte ao nosso camisa 9


Bom, analisando de forma até superficial tudo que foi apresentado acima, eu só tenho a dizer uma coisa: o Fluminense vai precisar de muita sorte para fazer uma campanha minimamente decente no Brasileirão e na Sul-Americana deste ano. Sei que não dá pra esperar que o Tricolor seja o time que propõe jogo e construa jogadas de forma bela, com toque de bola. Falta qualidade técnica mesmo.


Ainda assim, me preocupa bastante o ponto em que Marcelo Oliveira apresentava pouca variação tática e apostava nas ligações diretas para o ataque em seus trabalhos passados. Até mesmo no Cruzeiro, quando foi melhor técnico do Brasil em 2013 e 2014, a crítica é de que faltava proteção à área, uma boa transição defensiva, e que o time era "intuitivo".


Oras, o que o Fluminense precisa neste momento é justamente de solidez defensiva e de um time muito bem ajustado coletivamente. Se deixar para resolver no individual, ninguém vai render o suficiente pra conquistar pontos.


A justificativa da diretoria é de que "a escolha, além do currículo vitorioso, se deu pelo bom histórico em trabalhos com jogadores jovens, uma das características do atual grupo tricolor". Marcelo Oliveira venceu dois brasileiros - pelo Cruzeiro - e uma Copa do Brasil, pelo Palmeiras. Ainda assim, seu trabalho foi duramente criticado quando esteve em São Paulo e, depois do desmanche da equipe bicampeã nacional em Minas, pouco conseguiu fazer para manter a competitividade.


Haja sorte para o Fluminense.


PS: Pelo visto, fomos recusados por Zé Ricardo e Dorival Júnior. Realmente fica complicado atrair bons nomes quando o elenco é fraco e a perspectiva de crescimento é quase que zero.