Em meio ao caos no Fluminense, Thiago Silva continua sendo motivo de orgulho para os tricolores

"Guerreiro da zaga tricolor. Raça, habilidade e vigor. Thiago Silva é rei! Jamais esquecerei do mito que a torcida consagrou". Quem esteve no Maracanã no dia 7 de dezembro do ano de 2008 certamente nunca mais se esqueceu dessa música, cantada a plenos pulmões por 51 mil tricolores que foram ao estádio apenas para se despedir de um ídolo. Quase dez anos depois, o "monstro" - apelido ganho nos tempos de Laranjeiras - segue sendo motivo de orgulho para a torcida do Fluminense.


Em meio ao caos e as péssimas campanhas do Tricolor nos últimos tempos, a Copa do Mundo aparece como um respiro para os torcedores. E, no último jogo da fase de grupos, dá uma alegria ainda maior do que só a vitória do Brasil. A Seleção venceu, convenceu e, para quem tem o orgulho de exibir as três cores que traduzem tradição no peito, ainda triunfou com o gol de um ídolo, lembrando alguns que ele marcou por aqui.


Martin Zabala/Agif/Gazeta Press
Martin Zabala/Agif/Gazeta Press

Particularmente, quando sai gol do Thiago Silva, eu só consigo lembrar dessa comemoração. Prazer, Boca, Fluminense.


Próximo de completar 34 anos, Thiago Silva segue sendo um dos melhores zagueiros do mundo. Isso até causa certa tristeza, porque dificulta seu retorno ao Flu. Ainda assim, é impossível não olhar para o atual camisa 2 da Seleção e sentir orgulho por já ter visto um jogador como aquele vestindo a camisa do seu time. E mais do que isso: por ele ter sido um jogador que se identificou com a torcida, que - mesmo com pouco tempo de clube - se consagrou como ídolo e ainda demonstra um grande carinho por quem o projetou para o futebol mundial, depois de tempos de sofrimento na Europa, por Porto e Dínamo Moscou.


Representando ao máximo a alcunha de "guerreiro" que hoje identifica o Fluminense, Thiago Silva finca o pé como um dos melhores jogadores da Seleção na Copa - ao menos até o fim da fase de grupos - justamente na cidade de Moscou, onde passou a maior dificuldade de sua vida: seis meses internado por conta de uma grave tuberculose, aos 20 anos de idade.


Foi depois disso que acabou recuperado pelo Fluminense, clube por onde fez sua carreira nas divisões de base, e se tornou tudo que vemos por aí. Entre 2006 e 2008, foram 146 jogos, 14 gols e uma história de amor que perdura até os dias de hoje. Sempre que vê o zagueiro em campo, tenho certeza que qualquer tricolor canta, ainda que inconscientemente, como foi no Maracanã contra o Ipatinga: "Ah, o Thiago vai voltar..."


André Mourão/Agif/Gazeta Press
André Mourão/Agif/Gazeta Press

Que tenha sido apenas um 'até logo'. Dez anos depois, ainda guardo com carinho a munhequeira com seu autógrafo que comprei antes da despedida. Espero usá-la de novo em breve.


Enquanto isso, siga nos orgulhando pelo mundo, Thiago. Cale os críticos que lhe crucificaram - injustamente - pelo choro contra o Chile, na última Copa, e volte da Rússia com o hexa.


PS: Volta logo. E traga o Marcelo com você, se possível.


PS2: Fato curioso - ou nem tanto: Thiago Silva foi meu segundo grande ídolo no Fluminense. Nascido em 1996, cresci com o clube vivendo péssimo momento e, como sempre gostei de jogar na defesa, minha primeira referência atendia pelo nome de Marcão. Hoje em dia, é amigo e parece ser dos maiores fãs do Thiago. Saudades de ambos no Flu.


PS3: É sério, Thiago. Volta logo. As coisas por aqui andam complicadas.