Marcelo Oliveira deveria se inspirar na Copa do Mundo para organizar seu Fluminense

Depois de um longo tempo evitando até saber o que acontecia nas Laranjeiras e no CTPA por motivos de Copa do Mundo (volta, sua linda), o Fluminense me faz voltar a acompanhá-lo diariamente porque, afinal de contas, nesta quinta-feira o Tricolor das Laranjeiras volta ao Campeonato Brasileiro. E logo contra o Vasco, em um clássico que tem tudo para ser um jogo cheio de pixotadas, já que são dois elencos tenebrosos.


Mas vamos ao que interessa e falar dos meus pequenos sonhos para o Fluminense nesse retorno ao futebol nacional. Espero que Marcelo Oliveira tenha acompanhado bem de perto a Copa do Mundo, tentando se inspirar em algumas das seleções que foram à Rússia. Porque não faltam bons exemplos - especialmente das consideradas mais fracas - para tentar adaptar ao esquema do seu time.


Estou ansioso para ver como será armada a equipe do novo treinador, em especial por já ter prometido que abandonará o esquema com três zagueiros que Abel Braga vinha utilizando. Acima de tudo, porém, espero ver um time com mais consistência defensiva. Não ligo se vai jogar bonito, se vai jogar feio, se não tiver posse de bola. Tô nem aí pra posse de bola e número de passes. A maior necessidade do Flu é ter, para ontem, um sistema defensivo que consiga se defender.


Lucas Merçon/Fluminense FC
Lucas Merçon/Fluminense FC

Conversa direitinho com esses caras aí, Marcelo Oliveira


A qualidade dos defensores é abaixo da média? Ah, mas com certeza. Ainda assim, se vimos equipes como Irã e Islândia fazendo grandes partidas contra Espanha e Portugal, no caso iraniano, e Argentina, na seleção nórdica. Atenção: este que vos escreve não é adepto do resultadismo. Priorizo o desempenho antes dos resultados, pelo menos em uma primeira perspectiva.


O Fluminense não tem, nem de longe, qualidade suficiente para ser uma equipe propositiva. Apresentou um futebol reativo com Abel Braga (como destaquei em outro texto) e não deve mudar essa característica com Marcelo Oliveira. Para tanto, o novo comandante pode muito bem se espelhar em equipes como o Uruguai, que tinha um estilo de jogo extremamente direto, aliado a uma defesa sólida, esbanjando aplicação tática e disposição física.


Ou então, até mesmo na França, que muitos chegaram a criticar pela estratégia de entregar a posse de bola ao adversário, tendo menos de 40% de posse nas semifinais, contra a Bélgica, e na decisão contra a Croácia. Com poucos passes, Les Bleus conseguiam chegar rapidamente ao gol adversário, aproveitar o momento de transição ofensiva, com um pivô (Giroud) e jogadores velozes como Mbappé e Griezmann, que também servia como cérebro da equipe. Sem comparar a qualidade das peças, o Fluminense tem como recriar um estilo de jogo parecido.


Getty Images
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Tudo que faltava para o Fluminense a essa altura do campeonato era um Mbappé. Ou um outro atacante, brasileiro, que também parecia uma tartaruga ninja. Mas foi emprestado.


Pedro tem boa qualidade de passe e visão de jogo, sabe fazer o pivô e se movimenta bem. Pelos lados, vai ser a vez de explorar a velocidade de Luciano, Marcos Jr, Matheus Alessandro e cia. Sornoza seria o principal responsável pelos passes à frente e uma chegada com chutes de fora da área. Infelizmente, Douglas fará falta para recriar o papel de um Kanté ou Matuidi, que percorriam o campo inteiro de forma incansável, como nosso camisa 8 também tinha potencial para fazer.


Por fim, tudo que eu peço é ter a oportunidade de assistir a um Fluminense com compactação entre suas linhas de marcação e muita aplicação tática. Marcelo Oliveira já teve certo tempo de treinamento e devemos ver uma equipe com sua cara após a pausa da Copa. Vamos torcer para ser uma cara bonitinha.


E que vença o Fluminense.


PS1: Ainda não vou falar da venda de Douglas porque espero ver valores e contrapartidas. Mas não gosto da ideia.


PS2: Esqueçam esse negócio de posse de bola. Posse de bola por si só não condiciona sucesso. A Espanha foi o maior exemplo disso nesta Copa, mantendo uma posse ineficaz e que pouco agredia os adversários. Para ser assim, prefiro ter 35% de posse e chegar mais à frente com poucos toques.


PS3: Tomara que Digão volte ao Fluminense como sua versão 2009, onde acreditei que seria um bom zagueiro. Seria um bom reforço.


PS4: Como eu sei que o brasileiro - infelizmente - tem problemas na interpretação de texto, volto a dizer: em nenhum momento comparo a qualidade dos jogadores do Flu com os franceses. Apenas a função que desempenham em campo. 


PS5: Mas o Pedro é melhor que o Giroud.