Em mais um aniversário tricolor, cabe a lembrança: "o Fluminense nasceu com a vocação da eternidade"

No dia 21 de julho de 1902, Oscar Cox, dono da melhor ideia que um ser humano já teve, se reuniu junto com outros 19 homens com a proposta de fundar o Fluminense Football Club. E assim foi. Desde então, o clube com sede no bairro das Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro, passou por diversas mudanças e viveu simplesmente de tudo, dentre altos e baixos.


Fomos a história quando nos tornamos o primeiro clube de futebol do Rio de Janeiro, já que nossos maiores rivais, ao contrário do pioneirismo tricolor, nasceram como clubes de regatas. E ainda teriam continuado remando se não fosse pela iniciativa de Cox, talvez.


Reprodução/Site Oficial do Fluminense
Reprodução/Site Oficial do Fluminense

Se pudesse, ainda hoje te agradeceria pela ideia, Oscar


Também marcamos o nome do Fluminense na história quando o campo das Laranjeiras, hoje conhecido como Estádio Manoel Schwartz, sediou o primeiro jogo da história da Seleção Brasileira. O estádio, aliás, foi o primeiro do país, construído para o Sul-Americano - precursor da Copa América - de 1919, onde o Brasil conquistou seu primeiro título de maior renome. 


Quando o Campeonato Carioca nasceu, em 1906, o Fluminense era o maior nome do futebol do então distrito federal. A superioridade foi comprovada com cinco conquistas nas seis primeiras edições do torneio. Fomos por muito tempo os maiores vencedores estaduais e as 31 taças ainda são motivo de orgulho pra todos nós.


Assim como são motivos de orgulho os cinco campeonatos nacionais que temos em nossa galeria de troféus. Em 1970, levantamos o Roberto Gomes Pedrosa, famoso Robertão. Em 1984, com gol de Romerito - ainda vou chegar nos ídolos - vencemos o Vasco e conquistamos o bi. Passamos por uma sequência complicada desde então, mas em 2007 nos sagramos campeões da Copa do Brasil. Em 2010, o tri do Brasileirão, com um gol de Emerson Sheik no nosso salão de festas, o Engenhão. Em 2012, o título de que mais me orgulho, simplesmente absoluto, com todas as estatísticas a favor, e que ainda dói nos atleticanos: o tetracampeonato brasileiro.


BRUNO TURANO/Agif/Gazeta Press
BRUNO TURANO/Agif/Gazeta Press

Saudades....


Também é motivo de orgulho a Taça Olímpica de 1949, considerada o "prêmio Nobel do esporte". Até hoje, o Fluminense é o único clube de futebol do mundo a ter recebido tal honraria. E o único clube da América Latina a tê-la. Assim como a conquista da Copa Rio de 1952, considerada o Mundial da época.


Amargamos rebaixamentos, é verdade. Amargamos a Série C. Mas voltamos de lá. Histórias de superação sempre são valorizadas no futebol, especialmente quando se tratam de jogadores. Por que não valorizar a superação do Fluminense, que jogava a terceira divisão nacional em 1999 e, menos dez anos depois, disputou a final do maior torneio da América do Sul? Disseram que era o fim da nossa vida. E erraram. Muito feio.


Hoje, passamos por nova crise. Tentam apequenar o Fluminense. A perspectiva de melhora é quase nula, mas relembremos sempre uma das grandes frases do célebre Nelson Rodrigues: "o Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar. Só o Tricolor não passará, jamais". Esse clube não vai morrer nunca. E, se morrer, eu morro para vê-lo jogar no céu.


Obrigado a todos que fizeram parte dessa história. Obrigado a Oscar Cox, Marcos Carneiro de Mendonça, Preguinho, Welfare, Castilho, Píndaro, Pinheiro Batatais, Didi, Escurinho, Hércules, Orlando Pingo de Ouro, Telê Santana, Tim, Waldo, Assis e Washington, Carlos Alberto Torres, Delei, Edinho, Félix, Paulo Victor, Gérson, Lula, Manfrini, Marco Antônio, Pintinho, Rivellino, Abel Braga, Romerito, Samarone, Ézio, Renato Gaúcho, Marcão, Thiago Silva, Fred, e tantos outros por fazerem parte dessa história e serem responsáveis por fazer inúmeras gerações de tricolores serem apaixonados por este clube.


Nelson Perez/Fluminense
Nelson Perez/Fluminense

Na mesma foto, Abel Braga, Pinheiro e Telê Santana. Até que o Fluminense não tá ruim de ídolo não, viu?


Agradeço também a meu pai, responsável por me transmitir esse amor desde o berço e ter "me iniciado" logo cedo nessa vida de assistir futebol e me levar ao estádio desde meus quatro anos de idade. Se não fosse por você, eu provavelmente nunca teria ido a Volta Redonda, Mesquita ou Barueri atrás desse time. E ainda foi pouco.


Obrigado a minha mãe por, apesar de ser vascaína quando nasci, ter me acompanhado desde o início da minha trajetória e, acima de tudo, por ter se convertido a esse amor por minha causa. Você é um dos poucos casos no mundo em que a troca de time foi por um motivo justo.


Acervo Pessoal
Acervo Pessoal

Quase 21 anos atrás: um mini-Gabriel, seu pai, Roberto, e sua mãe, Margareth, já traindo o Vasco


Fluminense, eu odeio te amar. Mas eu te amo. Já são 21 anos ao seu lado e "eu sei. Até a morte, contigo estarei". Obrigado por todas as lembranças.


E, pelo amor de Castilho, vamos voltar aos tempos de glórias. Já chega de sofrer.


PS: Os rivais bem que podiam dar uma olhadinha nos ídolos do clube que citei pra ver se acabam com a piadinha da "falta de ídolos" do Fluminense, né?


PS2: Vamos ganhar a Libertadores logo. Eu sei que "quem espera sempre alcança", mas a gente tá esperando demais. Vambora, Fluminense.