Renato Portaluppi é muito mais do que um ídolo do Grêmio

Grêmio Oficial
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O único brasileiro a ganhar a Libertadores como jogador e técnico


Quando pequeno, lembro de perguntar ao meu pai, na inocência da infância, quem era o melhor jogador do mundo. Ele respondeu Pelé, mesmo o Rei do Futebol já tendo se aposentado. Perguntei então por que Pelé não seguia jogando. Ele teve de me explicar que toda carreira tem um fim.

Então eu perguntei qual era o melhor time do mundo. Ele pensou pra formular uma resposta, mas disse Santos, porque, até então, tinha dois títulos mundiais. Eram perguntas difíceis, com respostas difíceis. Foi aí que, na tristeza de enaltecer outro time, ele resolveu falar que Renato Gaúcho era o maior de todos, que nunca existiu um igual a ele. Ele era o nosso Pelé.

Eu cresci com aquela descrição, com aquela mitologia que envolvia Renato. Ele era uma lenda pra mim, um espectro que existiu e se desmaterializou ao mundo do além. Renato, nas palavras do meu pai, era o homem que havia feito os dois gols do título mundial do Grêmio, num 11 de dezembro há muito passado. Eu idolatrava uma ideia.


Gazetapress
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Em 2006, Renato recebe faixa de Campeão Gaúcho ao retornar ao Olímpico treinando o Vasco


Em 2006, Renato treinava o Vasco e eu, já grandinho, me reencontrei com o passado. A ideia metafórica de um ídolo se materializou e ele estava ali, físico, vivo, real. Renato Portaluppi existia e eu o enxergava pela primeira vez na vida. O Vasco venceu o Grêmio por 2 a 1 e ninguém se importou com isso. Renato Portaluppi pisava na relva do Olímpico Monumental.

Ao fim da partida, falou sobre treinar Grêmio e Inter. Como tinha o sonho de treinar um e jamais treinaria o outro. Naquele mesmo ano, o Vasco venceu o Internacional no Beira-Rio e Renato não titubeou: “Na minha carreira, contra o Internacional, mais venci do que perdi” e provocou “No fim do ano, torcerei pro Barcelona”. A torcida não deu certo, é bem verdade, mas o que vale é a intenção.

O ano de 2010 chegou e o Grêmio se encontrava na vala dos postulantes ao rebaixamento. Pela primeira vez na história, Renato foi convocado para treinar o clube. As negociações não foram poucas nem rápidas. Era um risco muito grande colocar toda aquela idolatria em jogo. Renato temia em falhar e a torcida jamais lhe perdoar. Mas a torcida queria e Renato queria. Ele não apenas salvou o Grêmio do rebaixamento naquele ano como levou o clube à Libertadores. Era surreal o que aquele homem representava para nós, torcedores. Ele voltaria ao Grêmio em 2013, para uma temporada simples, mas de sucesso.


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Gazeta Esportiva de 12 de dezembro de 1983 enaltece Renato e o título de Campeão do Mundo


Na descrença do seu retorno para a terceira passagem no clube ao sucesso estrondoso na formação de uma dos melhores times do Grêmio da história, Renato, hoje, é um ser metafísico. Neste 11 de dezembro, à véspera da estreia no Mundial de Clubes, 34 anos depois da grande conquista, no dia de São Portaluppi, o que Renato fez ao Grêmio colocou o clube no patamar mais alto da história e não há o que mudará esta realidade; a realidade de o Grêmio pra sempre ser Campeão do Mundo.

Ao entrar em campo no Mundial, o resultado seria secundário, pois 1983 nos bastaria. Mas nós não estamos indo em direção de reconquistar o mundo com um time normal. Nós temos o único ser que pode nos levar à maior das glórias. Nossas chances passam diretamente por Renato, porque Renato Portaluppi não é ídolo do Grêmio. Renato é muito acima disto. Renato é DEUS. Com todas as letras maiúsculas, não apenas a inicial. Renato Portaluppi é uma entidade acima de qualquer mortal.