Grêmio na Libertadores é um paciente em fase terminal

Juan Mabromata/Getty
Juan Mabromata/Getty

De volta ao time, Zé Roberto divide bola com Mauro Matos.


Tic... Tic... Tic... Tic... Esse é o som que se escuta ao ver o Grêmio em campo. A cada toque na bola, a cada lance em campo, o monitor cardíaco vai diminuindo seus agudos badalos. Alguém chame um médico, pois o paciente está em fase terminal.


O Grêmio que iniciou 2014 fez o torcedor sonhar com algo mais. Com atuações consistentes e jogadores promissores que deram outra cara para a equipe, o Grêmio chegou a encantar em algumas partidas, mostrando que talvez fosse um dos melhores times do Brasil. O Grêmio atual é uma cópia mal feita e moribunda do que vimos começar a temporada. Jogadas manjadas, bola queimando no pé e muita burocracia é a face atual deste time que parece que a qualquer momento vai decepcionar a todos e sucumbir na Libertadores.


A partida com o San Lorenzo deixou isso muito claro. Há quem diga que o Grêmio jogou bem, eu discordo. O Grêmio se defendeu, apenas isso, nada mais que isso. O time simplesmente não jogou, foi envolvido pelos argentinos e poderia, se não fosse pela piedade dos deuses do futebol, sair com um resultado irreversível de Buenos Aires.

Desfalcado de Wendell na lateral esquerda, Enderson Moreira optou pelo volante Léo Gago, que, teoricamente, é mais experiente que o reserva da posição, Breno. Léo Gago fez uma partida desastrosa, na base do balão e sem avançar ao ataque com qualidade. Além disso, foi designado como o batedor oficial de bolas paradas da equipe e, em diversas oportunidades, não conseguiu sequer bater um escanteio que fizesse a bola chegar dentro da área.


Pedro Geromel substituiu o lesionado Rodholfo – titular absoluto da posição. Geromel foi bem. Apenas isso, bem. Ganhou todas as bolas pelo alto e fez alguns desarmes, mas em alguns lances específicos falhou bizonhamente, podendo comprometer o resultado mais ainda. Werley, seu companheiro, honrou suas atuações anteriores e falhou mais uma vez. Na hora do gol, passou batido por Ángel Correa, que finalizou. Mas a culpa não é só dele, Geromel estava fora de posição e a cobertura teve de ser feita por Pará.


A volta de Zé Roberto ao time pouco foi notada, o jogador teve atuação apagada. Quando Enderson o substituiu, tirou um jogador que parecia nem ter entrado em campo. Sua presença no time titular deixou Luan, recuperado de lesão, no banco. Luan entrou em meio ao segundo tempo e mudou a cara do time em campo. A troca foi feita especificamente depois do gol dos argentinos. Troca típica de quem entrou em campo pra não ganhar, só muda quando o barco começa a afundar. Luan é peça essencial no time do Grêmio, desmontando a defesa do adversário e articulando jogadas mais imprevisíveis. Com uma, duas ou sem nenhuma mão, Luan é indispensável. Uma opção válida para manter Zé Roberto, Luan e Dudu no time é acabar com o esquema de três volantes. Esse esquema está tão manjado e burocrático que o atual time parece o Grêmio dos anos anteriores. Ramiro, por exemplo, já não justifica em campo sua escalação.


Verdade seja dita, o Grêmio até flertou com o gol, mas de forma muito esporádica. Como, por exemplo, em um lance livre direto dentro da área – jogada raríssima no futebol -, que acabou por ser desperdiçada por Barcos. Verdade também, o San Lorenzo chegou mais perto do segundo gol do que o Grêmio do empate. Mas estamos vivos, perder de 1 a 0 fora de casa é normal, poderia ser pior.


O resultado é totalmente reversível, mas para que isso ocorra, o Grêmio deve voltar às boas atuações do início do ano, recuperando suas peças titulares – principalmente Luan. Não só a vida do clube está em jogo, como o pescoço de Enderson Moreira no comando técnico. Vencer virou obrigação. Já são quatro derrotas nos últimos cinco jogos – botando na conta a trágica goleada no clássico Gre-Nal. O Grêmio precisa urgente levar uma injeção de adrenalina, antes que seja tarde demais. Tic.. Tic.. Tic.. Tiiiiiiiiiiiiiii...