De Djalma Santos a Júnior Baiano: os antecessores de Geromel com a 4 da Seleção

CBF/Reprodução
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A numeração foi divulgada pela CBF na sexta-feira


Existem números que se tornam icônicos. A camisa 10 da Seleção Brasileira sempre será “a 10 de Pelé”, e vesti-la carrega um peso que transcende as gerações e eras do futebol brasileiro. Embora nenhum outro número tenha uma associação tão clara como o do Rei, que fardou com os dois dígitos nas costas em todas as quatro Copas que disputou – vencendo três no processo –, há outras numerações que também parecem ter sido conquistadas por quem as ostentou durante algum título mundial. Será difícil tirar a 7 de Garrincha após 1962, ou a 11 de Romário depois da Copa de 1994 – e, mais recentemente, Ronaldo criou uma associação que também pode se tornar eterna com a 9.


Outros números, porém, não têm uma lenda própria. De fato, a maioria deles é assim: nem todos os jogadores podem ser considerados decisivos em um título e – geralmente – para quem está na defesa a tarefa é ainda mais ingrata. Se você fez diferença, muitas vezes foi para o mal. Na sexta-feira a CBF anunciou a numeração oficial da Copa do Mundo e, como zagueiro que é, nosso Pedro Geromel assumiu a camisa 4 – um número que, historicamente, tem passado de mão em mão sem adquirir uma identificação clara com ninguém. Já vestiu alguns dos maiores nomes da história e esteve nas costas de três capitães campeões do mundo (embora nem sempre na Copa que venceram), mas também apareceu nas costas de zagueiros de participações muito mais questionáveis, como Júnior Baiano em 1998 ou David Luiz em 2014.


Certamente, a maior Copa de alguém vestindo a 4 foi do “capita” Carlos Alberto, em 1970. Mas não foi o único grande nome a trajar esse número: Djalma Santos havia sido o responsável por essa camiseta em 1958, Zito a teve quatro anos mais tarde, e na Copa seguinte o número coube a Bellini – capitão do primeiro título mundial do Brasil mas, na época, vestindo a 2. Além de Carlos Alberto e Bellini, outro capitão de título a usar o número foi Dunga (!), na Copa de 1990, mas ele já havia trocado para o 8 quando ergueu a taça nos Estados Unidos. Se o critério para determinar um “dono” da camiseta é quem mais a vestiu, aí a 4 seria de Juan, o único jogador a usar esse número em duas Copas diferentes, na Alemanha e na África do Sul.


Lendários ou nem tanto, eis os jogadores que vestiram a camisa 4 do Brasil em Mundiais – desde 1954, quando a Fifa estabeleceu a numeração oficial em Copas:


1954 – Brandãozinho (volante, Portuguesa)
1958 – Djalma Santos (lateral, Portuguesa)
1962 – Zito (volante, Santos)
1966 – Bellini (zagueiro, São Paulo)
1970 – Carlos Alberto Torres (lateral, Santos)
1974 – Zé Maria (lateral, Corinthians)
1978 – Amaral (zagueiro, Guarani)
1982 – Luizinho (zagueiro, Atlético Mineiro)
1986 – Edinho (zagueiro, Udinese-ITA)
1990 – Dunga (volante, Fiorentina-ITA)
1994 – Ronaldão (zagueiro, Shimizu-JAP)
1998 – Júnior Baiano (zagueiro, Flamengo)
2002 – Roque Júnior (zagueiro, Milan-ITA)
2006 – Juan (zagueiro, Bayer Leverkusen-ALE)
2010 – Juan (zagueiro, Roma-ITA)
2014 – David Luiz (zagueiro, Chelsea-ING)
2018 – Pedro Geromel (zagueiro, Grêmio)