Desde que 'garantiu' a volta à Série A, o Colorado deixou de brigar pelo título

Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

O apoio da torcida no treino de nada adiantou: o Inter foi ridículo diante do CRB


O Inter não será campeão da Série B.
E tudo por causa daquela derrota pro Paraná.


Mas antes de falar mais disso, me deixa voltar um pouco no tempo, lá pro início do campeonato. O Inter não fazia uma campanha tão terrível, mas o acúmulo de desempenhos sofríveis, no Gauchão e nas primeiras partidas do Brasileirão, fez a diretoria enfim perceber que havia cometido um erro na contratação do Zago. Pagou a multa rescisória ao Bahia e trouxe de volta Guto Ferreira, de passagem marcante nas categorias de base do clube.


Pois bem. A estreia não foi das melhores, um empate contra o Juventude, mas seguiram-se outros 11 jogos em que ficou evidente a preocupação com o sistema defensivo do Inter. Foram tantas vitórias quanto empates, mas em quatro partidas não sofremos gols. Mesmo com esse desempenho medíocre, bem representado no aproveitamento de cerca de 55%, a nova comissão técnica nos mantinha no G-4, e isso era bom.


Até a derrota para o Vila Nova.


Com apenas um mês de trabalho, Guto tinha sua cabeça pedida por torcedores e imprensa pela primeira vez. Confesso que, indignado, eu mesmo pedi a sua demissão; mas não apenas da comissão técnica, e sim da diretoria de futebol também. Mas, assim como fizera com Abel em 2014, após a goleada para a Chape, Marcelo Medeiros bancou todo mundo: depois de uma reunião no vestiário que durou quase uma hora, Roberto Melo foi aos microfones para garantir a permanência do treinador.


Os resultados seguintes justificaram a decisão. Em 11 jogos, o Inter conquistou nada menos que 10 vitórias. E se o triunfo sobre o Oeste foi fundamental para a permanência de Guto (ainda hoje há quem afirme que, em caso de derrota, ele teria sido demitido), as chegadas de Camilo e, principalmente, Leandro Damião foram decisivas para a melhora radical de desempenho do time a partir da vitória sobre o Goiás.


Houve uma sequência de seis vitórias seguidas, interrompida por uma derrota inesperada para o Juventude, em Caxias. A recuperação, no entanto, foi imediata: mais quatro vitórias, três delas em casa. O momento era o melhor possível. O Inter não era brilhante, mas fazia sua valer sua superioridade técnica. O time havia encaixado com a entrada de Damião e contava com alternativas de qualidade, como Camilo, Nico e Gutiérrez para manter o nível lá em cima. Era final de setembro e tudo se encaminhava para uma reta final tranquila, de conquista do acesso com antecedência e confirmação do título da Série B como consequência.


Isso, até o jogo contra o Paraná.


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

A derrota para o Paraná foi o auge da arrogância colorada nesta Série B


Enquanto o time da casa encarou o confronto como uma final de Copa do Mundo, transferindo o jogo para o estádio do rival Atlético em busca de um recorde de bilheteria, o visitante foi a Curitiba com um pensamento absolutamente tacanho: para o Colorado, era um jogo que "dava pra perder". E o que se viu em campo foi reflexo disso: de um lado, um time relaxado, sem ambição, conformado com a derrota; de outro, um time concentrado, dedicado, comprometido em conquistar um resultado positivo diante da torcida. O resultado? A tão "esperada" derrota que sinalizava, para quem quisesse ver, que o pior inimigo do Inter estava de volta: a arrogância.


Os primeiros sinais já haviam sido mostrados após a vitória contra o Santa Cruz, que "garantiu" a volta à Série A. A partir desse resultado, os cálculos em relação à rodada que confirmaria o acesso tomaram conta das manchetes. O foco do clube saiu de dentro de campo e passou para fora dele, com discussões sobre o elenco de jogadores e a comissão técnica. A disputa política também se fortaleceu, nas redes sociais e na participação em programas de rádio (mas disso falarei num próximo texto). Já contra o Santa Cruz, percebia-se a perda de concentração que ficou escancarada na partida contra o Paraná.


A partir de então, o desempenho do time, que mesmo no nosso melhor momento nunca chegou a espetacular, caiu vertiginosamente. O aproveitamento, que era quase perfeito, caiu pela metade: considerando a fatídica derrota na Arena da Baixada, foram seis partidas, com duas derrotas (uma delas, em pleno Beira-Rio), dois empates e duas vitórias, suadíssimas, contra Brasil e Criciúma. E o Inter, que havia enfim se consolidado como favorito ao título da Série B, voltou a ser aquela incógnita lá do início, quando era impossível saber o que o time apresentaria em campo.


Justamente na reta final do campeonato, o Colorado volta a tropeçar. Desperdiçou pontos fundamentais em casa e agora terá que garantir matematicamente o acesso em partidas contra adversários diretos pelo G-4 (Oeste e Vila Nova) ou que lutam desesperadamente para não cair (Luverdense e Guarani). Isso, nas últimas cinco partidas, em que a volta à Série A já deveria estar sacramentada e o título da Série B, encaminhado.


Tudo porque, no auge da sua arrogância, achou que "dava pra perder" pro Paraná.


#VamoInter
#NadaVaiNosSeparar
#ClubeDoPovo