Inter de Odair Hellmann segue em busca da regularidade

Passadas as primeiras quatro partidas do Gauchão, o Inter ainda não conseguiu fazer 90 minutos no mesmo nível de atuação. Ou começa ou termina bem a partida. Não é o ideal, mas é compreensível, diante do curto período destinado à pré-temporada, exigindo que Odair Hellmann varie a formação da equipe entre titulares e reservas, colocando todo grupo para jogar e preservando seus jogadores de lesões logo no início do ano. Essa irregularidade acabou por causar a primeira derrota do treinador no comando do clube, diante do Caxias; mas, também, permitiu observar de perto a grande atuação de Juan Alano diante do Avenida. Considerando os altos e baixos, pode-se dizer que o resultado, até aqui, é positivo.


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Melhor em campo contra o Caxias, Pottker é o grande nome do Inter neste início de temporada


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Após vencer o Novo Hamburgo com os reservas no domingo, na quarta-feira foi a vez de os titulares voltarem a campo para enfrentar o Caxias. Prevendo dificuldades, Odair acertadamente escalou o time com força máxima. E, durante os 45 minutos iniciais, o Inter fez uma partida muito boa. Em três oportunidades consecutivas, Pottker serviu Damião, que não conseguiu marcar o gol. Como "quem não faz, leva", o Colorado viu o adversário abrir o placar em uma falha coletiva da defesa. Menos mal que, logo em seguida, D’Alessandro nos presenteou com um lance genial como só ele pode fazer nesta equipe. E na primeira vez em que as situações se inverteram e Damião serviu Pottker, saiu o gol de empate.


A boa atuação do primeiro tempo, porém, não se repetiu no segundo. O time caiu fisicamente e as substituições não conseguiram manter o ritmo. E a saída do Pottker (cuja entrada havia sido fundamental para a vitória contra o Novo Hamburgo) foi determinante para a queda de produção do ataque colorado, que terminou a partida com Roger e Nico López – que não conseguiu confirmar a boa impressão deixada na vitória sobre o Anilado. O Caxias aproveitou-se dessa instabilidade e conquistou a vitória com méritos. O 2-1 foi justo, como teria sido justo um 3-1 ao nosso favor após a primeira etapa. Até por isso, mesmo com a derrota achei que o time foi melhor que na estreia do Gauchão, quando venceu o VEC.


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Contra o Avenida, Roger fez os seus primeiros gol com a camisa colorada


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Contra o Avenida, novamente os reservas tiveram oportunidade de mostrar serviço. E não decepcionaram, repetindo o placar de 3-0 da vitória contra o NH. Danilo Silva mais uma vez guardou o seu, de cabeça. Mas Nico López, destaque naquela partida, teve atuação apagada e foi desaparecendo no decorrer dessa, enquanto Roger e, principalmente, Juan brilhavam. Pra ser sincero, ninguém conseguiu se destacar no primeiro tempo fraco que viu-se no Beira-Rio. Mas, no segundo, o meia "colocou o jogo no bolso": deixou os colegas na cara do gol algumas vezes, acertou o travessão do goleiro adversário, deu duas assistências e foi eleito, merecidamente, o craque da partida.


Mesmo com o placar folgado, não foi dessa vez que o Inter mostrou a regularidade desejada. Durante o primeiro tempo, com Nico centralizado e Juan pelo lado, complicou-se para sair jogando e abusou das bolas longas. Nesse quesito, Thales e Danilo Silva mostraram que estão treinando bem o fundamento e fizeram bons lançamentos para Marcinho… mas esse é o típico lance que precisa ser pontual, pois, quando o time fica dependente da bola esticada, isso é um problema – como cansamos de ver nesses últimos anos. Menos mal que, na volta do intervalo, o Colorado voltou a jogar com a bola no chão. E foi assim que conquistou a vitória.


Com Juan ocupando a mesma área de D’Alessandro, o time ganhou enfim um armador. Nico, pela direita, e Marcinho, pela esquerda, davam profundidade, mas foi com Juan que surgiram as melhores oportunidades do Inter na partida. O passe para o terceiro gol, então, foi primoroso: um toque que encobriu a defesa e deixou Roger livre para cabecear e, no rebote do goleiro, mandar pro fundo das redes. Um lance de rara qualidade que mostrou porque o torcedor quer tanto vê-lo em campo em mais oportunidades.


Ricardo Duarte
Ricardo Duarte

Jogando na posição do D'Alessandro, Juan foi o grande destaque do Inter contra o Avenida


Obviamente, avaliações definitivas nesta altura do campeonato são sempre prematuras. Assim como valorizar demais as atuações pelo Gauchão não é o caminho correto. A falta de boas notícias faz com que a gente exagere tanto na expectativa quanto na cobrança, então é preciso serenidade para analisar tudo que acontece em campo. E parece que Odair Hellmann está sabendo fazer isso. Ao dar oportunidade para todos, o técnico mantém o grupo inteiro em atividade sem exigir demais de ninguém. Também coloca todos em igualdade no que se refere às oportunidades. Odair deve ter o seu time titular na cabeça (convenhamos: todos temos); mas as atuações destacadas de Nico e Juan e os gol de Roger certamente colocaram algumas pulgas atrás da orelha do treinador.


Como comentei no meu texto anterior, o grupo colorado parece mais equilibrado neste ano, e isso é ótimo. Se antes precisávamos torcer para nenhum titular se lesionar, com receio de quem tomaria o seu lugar, agora vemos alguns reservas tendo atuações até mesmo superiores aos titulares. Se isso vai resultar num time forte e competitivo em 2018, ainda é cedo para saber. Mas ver o time do Inter jogando bola após tanto tempo certamente é uma boa notícia, que precisa ser celebrada.


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