O preço caro de um Inter covarde no Maracanã

Não havia outro resultado possível senão a derrota do Internacional hoje no Rio de Janeiro para o Flamengo. Uma vez que o time, a comissão e o clube chamaram por isso durante todo o período preparatório para o jogo, não existe mágica: quando se vai para uma partida grande como essa, com todas as nuances de um grande clássico do futebol brasileiro, vendo no empate um motivo para soltar foguetes de artifício, a derrota é uma certeza - quase tão cruel quanto a certeza do sofrimento que ainda reserva o ano de 2018 para os colorados.

Apesar da diferença técnica existir e ser notória, o Inter não quis vencer em nenhum momento. E isso não foi se construindo em campo: durante as entrevistas na semana, de maneira sutil, a comissão técnica e os jogadores deixaram no ar que, em caso de pontuar no Maracanã, celebraria-se como se fosse um Reveillon em Copacabana. Enfrentando o líder, motivado e com estádio lotado, o resultado foi uma apatia e uma covardia dos que vestiam branco e um volumoso rubro-negro que tanto martelou até que furou a sólida defesa colorada por duas vezes.

Dentro de uma situação de jogo, expor-se em demasia pode ser um risco e defender-se para garantir a pontuação é altamente compreensível e aceitável. O que não pode acontecer de jeito nenhum é uma postura covarde e extremamente passiva dentro de campo, sobretudo quando é de maneira premeditada e orientada pelo comandante à beira do campo. Quando a mentalidade é focada no medo de perder, o adversário percebe, vem pra cima e acaba com tudo mais cedo ou mais tarde. 


Divulgação/Internacional
Divulgação/Internacional

Torcida do Internacional acompanhando a derrota para o Flamengo no Maracanã


E o que irrita mais os colorados é que, olhando jogador a jogador, é claro e evidente que o Internacional poderia jogar mais do que está jogando. A nominata não é ruim, longe disso. Mas o desempenho dentro de campo e, como já citado mil vezes aqui, a forma como o time se comporta em campo - covardemente - faz com que haja um clima geral de descontentamento e desconfiança: peças importantes passam a ser questionadas, os ruins parecem ainda mais ruins e o time, que já não é dos melhores mas ainda assim está na média dentro do futebol brasileiro, acaba piorando suas performances como um todo. 


Enquanto a mentalidade medíocre não mudar, nada além de um Campeonato Brasileiro sem quaisquer aspirações pode ser esperado pelos colorados. Não que as expectativas antes do início fossem das maiores, mas o que queríamos ver em campo era apenas um time que não tenha medo de fazer o que se deve: jogar futebol. Um ano afastado da elite não pode fazer com que tenhamos esquecido de que ainda somos um dos maiores clubes desse país e que temos condições de nos impor jogando aonde for e contra quem for. Afinal de contas, ainda é a camiseta e o escudo do Sport Club Internacional, e isso por si só já é motivo suficiente para que a covardia seja deixada de lado.


Resistamos firmes, combalidos e, principalmente, sem medo.