Resultado enorme, atuação pequena: um empate com a cara do Inter 2018

Não há muito o que diferenciar do texto escrito na semana passada após a partida contra o Flamengo para esse pós empate contra o Grêmio na Arena se não o resultado da partida: o empate sem gols, almejado durante toda a semana pela comissão do Inter, foi alcançado após uma estratégia extremamente defensiva onde o único objetivo era claro: não sofrer gols. E, diferentemente do que aconteceu no Maracanã, a defesa do Inter conseguiu suportar a pressão durante os 90 minutos e saímos com um ponto da casa gremista - resultado maravilhoso para uma atuação quase vergonhosa.

Mais uma vez repito: não há problema em segurar o resultado de um jogo após as circunstâncias apontarem pra isso, o problema todo está em pensar o jogo dessa maneira covarde. Criou-se a ideia dentro do Beira-Rio de que enfrentaríamos o Manchester City do Guardiola e que a possibilidade de vencer praticamente inexistia, quando na verdade tratava-se de um enfrentamento entre dois grandes clubes do futebol brasileiro que estão em momentos distintos. Essa diferença existe, mas dentro de campo, com uma postura adequada, poderia ser reduzida e o Inter poderia ter saído com a vitória se tivesse ao menos TENTADO. 


Divulgação/Internacional
Divulgação/Internacional

Bruno Cortez (G) e Rodrigo Moledo (I) em disputa de bola no Gre-Nal


As estatísticas do jogo advogam a meu favor: durante quase OITENTA por cento do tempo, os gremistas tiveram a bola. O Inter cada vez que possuía a pelota fazia questão de se livrar o mais rápido possível e com isso a impressão que se tem é de que só os tricolores entraram em campo hoje. A posse gremista, porém, foi improdutiva e aí está um dos únicos méritos desse Inter do Brasileirão: a solidez defensiva. Apesar de tratar a redonda com carinho e chamar de SUA, o time de Renato Portaluppi não traduziu toda essa supremacia em muitas chances de gol - André perdeu a mais clara embaixo das traves e Danilo Fernandes fez uma grande defesa após cabeçada de Madson. O Inter foi competente em anular o melhor time da América.

Porém, volto a dizer: é muito pouco pra um clube do tamanho do Inter e para o elenco vermelho. Com esses jogadores, era possível encarar o Grêmio e forçar Grohe a pelo menos sujar seus calções, coisa que não aconteceu. Se esse for o pensamento a cada partida contra grandes no campeonato fora de casa, não sairemos da mediocridade em 2018. Enquanto os chutões aleatórios pra frente forem estrategia de jogo em detrimento da retenção na frente, enquanto não entendermos que o futebol moderno fica impraticável quando há latifundios entre os setores e que futebol se joga COM A BOLA, o Inter continuará na sua interminável viagem para lugar nenhum. 

Cada vez menos esperançoso quando os problemas velhos voltam a aparecer a cada fim de semana, mas ainda assim acreditando em dias melhores - resistindo enfim.