Vitória que espanta crise, mas não esconde problemas

Pela primeira vez nesse blog, o texto terá um viés um pouco mais positivo: o Internacional venceu. Não apenas: goleou a Chapecoense por três a zero no Beira-Rio e afastou-se definitivamente da zona da degola, essa ex-companheira recente, tóxica e CRETINA cujo relacionamento jamais devemos reatar. Com gols de Lucca, Rodrigo Moledo e Patrick, o colorado deixou de ser o pior ataque da competição e construiu uma vitória consistente, apesar de velhos problemas terem reaparecido na atuação de hoje. A dificuldade na transição, a falta de troca de passes e a má atuação individual de algumas peças importantes foram o mantra do jogo durante os 90 minutos, mesmo que em nenhum momento a vitória tenha estado ameaçada. 

A imposição no time na fria noite de segunda-feira, onde um jogo de futebol é uma invenção para lá de DESELEGANTE para não dizer outra coisa, é um ponto positivo a se salientar: com a diferença clara entre os elencos e os clubes, o Inter assumiu seu protagonismo como time grande contra o pequeno e partiu pra cima da Chapecoense, sufocando os catarinenses e empurrando-os para o seu próprio campo. Embora meio desengonçado e desequilibrado pela falta de um meia armador para substituir D'Alessandro, sacado do jogo por lesão, a pressão e a valentia se traduziram em chances de gols e TENTOS propriamente ditos - o primeiro em um PETARDO de Lucca, grande nome do sistema ofensivo na noite de hoje, após uma pré-assistência de bicicleta de Leandro Damião (este que parece ter mais facilidade em puxetas aleatórias do que, sei lá, dar um passe). Lucca, nome do jogo, cobrou a falta com perfeição para Rodrigo Moledo, em posição de impedimento, ampliar. Quase no fim do jogo, Patrick, após cruzamento de Rossi, fechar o placar e a grande vitória dos vermelhos.


Divulgação/Internacional
Divulgação/Internacional

Lucca (à esquerda) comemorando seu gol e a grande atuação

Porém, como já salientado, nem tudo foram flores: muito dos três pontos conquistados hoje foram mais fruto de individualidades coloradas do que mecânica e construção de gols, além da imensa fragilidade da equipe alviverde. Odair Hellmann substituiu D'Alessandro por Lucca e, apesar do atacante ter sido o melhor jogador do Inter, essa alteração acabou aumentando a cratera que já existia no meio-campo e fez com que abusássemos de ligações diretas e passes forçados, uma vez que a transição ficava afetada. Patrick, deslocado por essa alteração, esteve perdido durante boa parte do jogo e foi mal apesar do seu gol. Damião também não foi bem e ainda não conseguiu quebrar seu jejum sem gols, ainda que sempre dê sua contribuição anímica e voluntariosa. Rodrigo Dourado, que vinha mal, hoje foi bem e até tentou timidamente se projetar à frente para ocupar o latifúndio que existe na faixa central do campo quando os vermelhos jogam.


Apesar dos problemas, o saldo maior do jogo de hoje são os 3 pontos e o alívio em relação à zona do rebaixamento. A tabela do Inter nesse começo de campeonato foi muito cruel e deu a sensação de que seria o mesmo inferno de 2016. Mas como sempre defendi aqui, temos um time minimamente decente pra fazermos um campeonato digno, quem sabe até sonhar com uma vaga na Libertadores. O problema maior é a postura e o excesso de ligações diretas, coisas que ainda podem ser corrigidas, sobretudo com o ganho de confiança após uma vitória expressiva. A sequência aponta um algoz histórico dos rubros: o Corinthians, eterna pedra no sapato e sempre um jogo extremamente chato, tanto pelo histórico dos clubes quanto pelo estilo de jogo consagrado do alvinegro paulista, que resultou em três títulos desde que Carille assumiu.


Uma vitória no domingo no Beira-Rio seria fundamental não só em termos de tabela, mas de confiança e início de uma virada anímica dentro do clube - e, por que não, daqui desse blog onde o autor é corneteiro demais. Espero que, no texto de domingo, o teor do texto seja empolgado e feliz após mais três pontos em Porto Alegre.