A incompetência (quase) cobra seu preço

Na estreia do Brasileirão de 2016, quando houve, na marca do pênalti, a chance do Inter abrir o marcador e vencer a Chapecoense, Paulão, que fazia aniversário na semana (ou qualquer outra justificativa esdrúxula), botou a bola de baixo do braço e desperdiçou a penalidade, o que custou para a gente 2 pontos preciosos e que, mais tarde, mostrariam-se fundamentais na disputa contra o rebaixamento. Outros exemplos afloram, mas este é fundamental para mostrar que quando há um pênalti, em quaisquer circunstâncias de jogo, deve-se bater o melhor batedor em campo, pré-estabelecido pela comissão, e não alguém escolhido na hora à bangu. Quando Rossi pegou a pelota e isolou a cobrança de pênalti, não só perdeu a chance de matar o jogo e deu vida ao Vitória, mas acabou com o seu próprio psicológico e individualmente o nível da sua atuação, então boa, despencou vertiginosamente. Mas até chegar lá, muita coisa boa aconteceu no Barradão, bem como muita coisa horrível aconteceu após o lance capital.


Sendo um dos maiores desafios do ano, o Inter foi à Salvador encarar um de seus maiores fantasmas: além de tratar-se de uma pedra histórica no sapato dos colorados, a pior e mais patética atuação no ano tinha sido na eliminação da Copa do Brasil contra o próprio Vitória, onde o time foi apático e abdicou de jogar os 90 minutos, culminando na desclassificação nos pênaltis. A postura tinha de ser diferente - e foi. Com a natural pressão de jogar em casa, o Vitória começou tentando atacar, mas logo teve o seu ímpeto controlado pela boa atuação do Inter, que ocupava bem os espaços, marcava bem e, com a bola, conseguia trocar passes e amorcegar o jogo. Quando Zeca, melhor em campo do lado do Inter, encontrou Patrick num cruzamento perfeito, o placar foi aberto após bonita conclusão de pé esquerdo e, a partir daí, as ações foram completamente controladas e dominadas pelo time colorado, que ampliou o placar em gol contra de Aderlan após cruzamento de Lucca.


O clube baiano, completamente desorganizado e destruído em campo, ainda viu Rossi escapar pela esquerda e sofrer o já citado pênalti, já no finalzinho de um primeiro tempo então perfeito do time colorado. Após desperdício de Rossi, o Barradão entrou em chamas e o Vitória viu uma possibilidade para crescer no jogo, especialmente após aos 46 do primeiro tempo, no último segundo de partida, Wallyson bater falta com força e descontar para os rubro-negros, que passaram de um quase desastre para um quase empate em questão de dois minutos.


Do intervalo, voltou apenas a equipe do Vitória: em poucos minutos, começaram a empilhar chances de gol e o empate era uma questão de tempo. Foi o que aconteceu: após escanteio de Wallyson, Aderlan empata o jogo em falha individual de Danilo Fernandes e o jogo ganha enredo de tragédia (como disse no parágrafo inicial, tragédia anunciada!). Odair Hellmann, que vem muito bem nos últimos jogos, mexeu corretamente na equipe e sacou Pottker, Uendel e Rossi, os três de atuações individuais muito ruins especialmente no segundo tempo, colocando Nico López, Brenner e Juan Alano. Aos poucos, o Inter passou a retomar a posse de bola no campo de ataque e criar chances para o gol da vitória. Porém, por se lançar à frente em busca do gol, acabava deixando muitos espaços atrás, fazendo com que o sistema defensivo tivesse problemas que não aconteciam nos últimos jogos.


O jogo passou a ficar muito aberto e qualquer resultado poderia acontecer, embora tudo indicasse que o empate teimoso permaneceria no placar. Até que Victor Cuesta, o argentino mais espetacular da face da terra após Andrés D'Alessandro, antecipou um lançamento dos baianos, limpou bem o lance e, com sua perna esquerda abençoada, lançou Nico López que, no apagar das luzes, aos quarenta e nove minutos do segundo tempo, finalizou com a perna direita decretando a terceira vitória consecutiva do Inter - coisa que não acontece há uns 350 anos mais ou menos.


O resultado obviamente foi excelente, mas o que empolga os colorados e inclusive este que vos escreve foi a forma como foi construído: o nosso primeiro tempo foi de luxo, incontestável e deve servir de referência para jogos fora de casa, até então os jogos com maiores problemas no ano. Também serve de lição para que não cometamos mais erros bobos como o do pênalti, onde quase desperdiçamos dois pontos primordiais e uma quebra de sequência, que também significaria uma ruptura na recuperação anímica após momentos de instabilidades.


O bom momento colorado, coroado por nove pontos ganhos em nove disputados, deve ser aproveitado para o jogo em casa contra o Sport no sábado, que deve ter grande público no estádio Beira-Rio. Uma eventual quarta vitória, sobretudo se mostrada com um bom futebol mais uma vez, seria fundamental para que as coisas no Inter continuem a seguir numa aura positiva, ainda mais se considerarmos todo o cenário negativo que nós mesmos produzimoms nos últimos anos.


Para este jogo, o Inter deve manter o padrão de atuações dentro de casa, onde em quatro jogos fez quatro boas partidas (embora com alguns problemas, que devem ser permanentemente corrigidos), e tenho certeza que a vitória nos acréscimos contra o algoz Vitória da Bahia vai contribuir animicamente para o time seguir jogando bem e alcançando seus objetivos, confirmando o que venho dizendo há muito tempo: nosso time não é dos melhores do país, mas tem nomes e peças suficientes para jogar bem e pleitear vôos maiores na competição.


Que os ventos positivos causados pela vitória sobre o Leão da Barra nos ajudem a vencer outro Leão, dessa vez da Ilha.