Inter 0x0 Sport: longe de ser o fim do mundo

Se analisarmos o empate sob o ponto de vista anímico, é um balde de água gelada nas pretensões dos torcedores colorados sem qualquer sombra de dúvidas. Vindo de três vitórias consecutivas e uma melhora nítida no futebol, o Internacional levou ao Beira-Rio um grande público - mais de 30 mil pessoas novamente - que esperavam ansiosos pelo quarto trunfo consecutivo, que acabou não acontecendo. Além disso, o futebol apresentado pelo Inter voltou a ter problemas que davam amplos sinais de evolução nos últimos jogos, fazendo com que a insatisfação e demais sentimentos negativos aflorassem no imaginário dos torcedores alvirrubros.


Sentimentos estes que começam a criar um ambiente propício à terra arrasada: não faltam exemplos de torcedores, seja no estádio ou nas redes sociais, que começam a pregar o caos e o armagedom após a igualdade no placar contra o Sport Recife, talvez lembrando da última passagem do Inter na Série A onde, na oitava rodada, éramos líderes e no final acabamos sendo relegados ao inferno. Mas muita calma: o justo empate de ontem em Porto Alegre diz muito sobre o time, mas pouco sobre o campeonato. 

Para ficar bem claro: o Internacional não jogou bem contra o Sport em casa. Alguns problemas do time eram velhos vícios: excesso de lateralização, dificuldade de transição, desorganização e ampla dificuldade em superar sistemas defensivos bem montados. Soma-se isso à atuações individuais péssimas e temos um jogo chato e irritante: erros de fundamento básicos e burocracia se alternavam quando o Inter tinha a bola; quando perdia, o Sport descia em bloco de maneira organizada embora cautelosa e, ainda que não chegasse a assustar, mostrava que a qualquer momento poderia encaixar um ataque e abrir o placar no Beira-Rio.


William Pottker talvez tenha feito sua pior partida com a camisa do Inter, tendo perdido um gol de frente com o Magrão e um domínio fácil que poderia ter resultado em gol, além de excessivos recuos de bola e escolhas erradas. Definitivamente, o atacante merece sentar no banco de reservas, pois sabemos que ele não é essa desgraça, mas está em má fase.


Leandro Damião, infelizmente, é isso aí: brigador, raçudo mas um desastre tecnicamente. Não dá para culpá-lo: culpemos quem o escala, insistindo em um jogador tão limitado. Outros jogadores poderiam ser citados com atuações fracas, como Lucca e Patrick, mas o que mais irritou os colorados foi a mecânica que não funcionou. A impressão que ficou foi que, mesmo se jogássemos pelo resto da semana, não faríamos um mísero gol.


Divulgação/Internacional
Divulgação/Internacional

Pottker, de atuação muito ruim, perdendo uma chance clara de gol



Nem tudo foi desgraça, e é aí que entra o meu ponto no título para que não haja terra arrasada: no segundo tempo, quando Odair finalmente mexeu na equipe, o futebol do Inter cresceu: Nico López entrou muito bem, mais uma vez, e, cada vez mais, se credencia a ser titular, com um excelente chute na trave de fora da área; Rossi entrou brigando e se movimentando mas não agregou muito; Juan Alano, que teve apenas 10 minutos para jogar, praticamente esfregou na cara do treinador colorado de que, embora tenhamos vencido com um monte de atacantes no time, é preciso ter um meia centralizado para que haja a distribuição de jogo e facilite a organização de ataque, mesmo que o time não jogue exatamente com infiltrações pelo meio.


O guri entrou bem, passou a ser uma alternativa para combinação de jogadas e desafogo e nos deixa com uma esperança para a partida contra o São Paulo, onde outro jogador com a característica dele estará de volta: Andrés D'Alessandro. Vale lembrar que o argentino ainda jogou com Zeca e Lucca, jogadores que tem um potencial de combinação muito alto e que devem crescer e fazer o D'Ale crescer também. Vale sempre ressaltar, também, que o Sport é um time chato e não venceu Palmeiras e Atlético-MG por acaso. Esteve organizado durante os 90 minutos, soube se portar de maneira perfeita e levou para Recife o seu ponto de maneira merecida. A organização defensiva é tão notória que Durval, o veterano zagueiro rubro-negro, teve atuação impecável, potencializada pelo sistema defensivo que o protege. Claudinei Oliveira, técnico do Leão, foi o grande vencedor da tarde de sábado em Porto Alegre.

Ao Inter, o empate serve de muitas coisas: escancara problemas estruturais de equipe mais uma vez, puxa o freio da sempre perigosa euforia que já havia pairado na mente dos colorados e aumenta a responsabilidade para o próximo jogo, contra o São Paulo, no Morumbi, outra equipe que faz bom Campeonato Brasileiro e está no pelotão de cima.


O que não pode acontecer é o desespero, que tanto nos atrapalhou no último biênio: nosso time não tem a qualidade necessária para disputar o título brasileiro, embora eu mesmo tenha defendido aqui que é um time que tem plenas condições de disputar uma vaga na próxima Libertadores - e está atingindo esse objetivo no momento, apesar de ter marcado passo em casa mais uma vez. Cabe ao Odair Hellmann seguir trabalhando nos problemas do Inter. Contra o São Paulo, o importante é ter a mesma postura da partida contra o Vitória, sem medo do tricolor paulista e jogando para buscar a vitória e os pontos que deixamos aqui em Porto Alegre.