Vitória gigante de um Inter sólido e convincente na Vila

Amigos, leitores, simpatizantes ou transeúntes que encontraram esse post por um acaso, encho o peito para dizer com a maior alegria e efusividade: o Internacional venceu o Santos na Vila Belmiro com autoridade. A vitória, gigante como é o Inter, foi a terceira na história na casa santista e deixou o clube na quinta colocação, com 19 pontos e um ponto a menos que o vice Atlético-MG. Mas para além do resultado, que por si só já espetacular, o mais importante no jogo de hoje foi a atuação praticamente impecável do colorado em terras litorâneas paulistas.


É verdade que a arbitragem teve uma atuação pavorosa e marcou dois pênaltis inexistentes (especialmente o favoravel ao Santos, um absurdo) além de algumas marcações confusas e equivocadas, mas a vitória colorada passou longe disso. Hoje, o futebol do Inter foi condizente com sua colocação na tabela e cria nos colorados uma esperança de consistência que não se vê no Beira-Rio desde maio de 2015, mês onde o Inter de Aguirre™ teve seu auge. 

A grande atuação do Inter hoje me surpreendeu. Quando as notícias antes do jogo davam conta de que Zeca, nossa melhor notícia em termos de jogador nos últimos tempos, estava fora do jogo na Vila, a expectativa pro jogo tinha tomado um golpe duro. Notoriamente fã do lateral-direito, achava que o setor estaria completamente comprometido e, portanto, um empate já seria considerado um bom resultado, mesmo que significasse uma queda na tabela e que a sensação geral seria de insatisfação muito por conta do empate com sabor amargo contra o São Paulo no Morumbi, em jogo em que poderíamos e deveríamos ter vencido pelo que jogamos no segundo tempo.


Mas o que aconteceu no gramado do estádio santista foi uma partida enorme do Inter, praticamente de cabo a rabo, onde conseguimos anular os jogadores santistas, ter superioridade no meio de campo, trocar passes e empurrar o adversário para seu próprio campo, seja por supremacia nas dividas, seja por confusão devido à grande movimentação. Em determinado momento, o Inter tinha finalizado nove vezes e o Santos apenas três.


Ainda no primeiro tempo, Iago, de grande atuação e que será salientada mais tarde, tropeçou com o zagueiro santista e o juiz, equivocadamente, marcou pênalti para o Inter, que foi convertido por Leandro Damião, no seu centésimo tento com a camisa vermelha, abrindo o placar de maneira merecida, mesmo com o erro de arbitragem a favor. Depois disso, Danilo Fernandes se chocou com Rodrigo Moledo na área e o jogo foi paralisado por cerca de cinco minutos. Esse tempo todo não fez bem ao Inter, que sofreu uma pequena pressão no final do primeiro tempo e não conseguiu adminsitrar muito bem a vantagem. 

Na segunda metade, com Daniel entrando no gol do Inter após reavaliação médica de Danilo Fernandes, o Santos naturalmente se lançou ao ataque buscando empatar o jogo. Rodrygo, que é excelente jogador, e Gabigol estavam buscando bastante o jogo, apesar da marcação colorada estar praticamente impecável na partida. Em um lançamento aleatório para a área, Gabigol mergulha em campo após ser tocado de leve por Moledo e o árbitro comete seu segundo erro na partida, este ainda pior que o primeiro, anotando pênalti para o Santos.


A sensação de que foi compensação é grande, mas como não há como sabermos, digo apenas que foi outro erro do árbitro da partida. Com a conversão de Gabigol, o Santos buscaria se alçar mais ainda ao ataque para buscar a virada. Porém, um minuto depois, em cruzamento de Lucca em falta no lado esquerdo de ataque, Victor Cuesta, o maior homem vivo, marcou o segundo gol colorado, que confirmou a vitória.


Após o gol, o zagueiro do Santos Lucas Veríssimo reclamou de maneira efusiva e, após ofender o juiz, foi expulso de campo, facilitando teoricamente as coisas para que o Inter voltasse de Santos com a vitória.


Ledo engano: o que me faz achar a partida do Inter abaixo do impecável foram esses dois momentos enquanto estava vencendo. Não conseguimos segurar a bola no ataque de maneira nenhuma, mesmo quando estávamos com superioridade numérica. Não soubemos aproveitar a supremacia e demos espaços para o Santos crescer, seja com finalizações de longe ou com faltas bobas feitas no campo defensivo. Nesse momento do jogo, a transmissão foi dividida na metade para chegada da seleção brasileira - um absurdo sem tamanho.


Durante cerca de 20 minutos, fomos obrigados a assistir a manobra de uma escada para o avião, a descida dos jogadores e entrevistas DURANTE o jogo. Faltou sensibilidade do canal que detem os direitos de transmissão com exclusividade no Brasileirão. No final das contas, o Inter conseguiu segurar a vitória e os três pontos mais gigantes do clube nesse campeonato. 


Divulgação/Internacional
Divulgação/Internacional

Rodrigo Moledo (à esquerda) e Victor Cuesta comemorando o gol da vitória na Vila Belmiro.


Agora, um parágrafo especial dedicado à defesa do Inter. Não é novidade aqui neste espaço a exaltação ao setor defensivo colorado como um todo no campeonato até aqui. Fabiano, que hoje substituiu Zeca, não comprometeu, mas definitivamente o nível cai muito sem o ex-santista. Como lateral reserva até serve, mas sempre rezamos para que o titular jogue todas as partidas (e caso saia do clube, urgentemente precisamos contratar um substituto).


Iago, que havia decaído após o término do Gauchão, nos últimos jogos mostrou um crescimento absurdo e voltou a jogar muito bem, tanto defensiva quanto ofensivamente, com grande atuação no jogo de hoje.


A dupla de zaga é um espetáculo, sem precedentes na história recente do Inter. Leiam com efusividade: Victor Cuesta e Rodrigo Moledo juntos são pornográficos. Uma dupla sublime, de imensa qualidade e que não tínhamos há muito tempo. Especialmente na figura do argentino, que tecnicamente é um monstro, é o melhor zagueiro do Campeonato Brasileiro até agora, e terminou o jogo com um gol, cinco cortes e quarto interceptações, além de lançamentos precisos e tempo de bola impecável.


Segundo o Footstats, Cuesta lidera o número de desarmes, interceptações e lançamentos certos no campeonato até aqui, números que explicitam o excelente momento do setor defensivo colorado. Sempre importante ressaltar os méritos de Odair Hellmann nessa concepção defensiva de alta qualidade, pois mesmo com qualidade, não é ''do nada'' que uma defesa sólida é bem constituída. 


Mesmo com algumas dificuldades de retenção de bola no ataque enquanto estávamos ganhando, a atuação do Inter na Vila Belmiro foi excelente. Buscou durante os 90 minutos a vitória, teve uma postura correta (o que esse blog pedia desde a sua estreia, contra o Flamengo) e venceu com autoridade o Santos fora de casa.


Na próxima rodada, a obrigação de vencer o Vasco, com todo respeito aos cariocas, é notória. O time do Inter é superior e vem jogando mais que o cruz-maltino. Porém, o olho deve estar aberto sempre: no Beira-Rio, deixamos de vencer em duas oportunidades (Sport e Cruzeiro) e não podemos deixar escapar a terceira em hipótese alguma.


Na segunda parte do Brasileirão, após a Copa do Mundo, a tabela se apresentará mais favorável a nós. Aliás, se pensarmos bem, essa campanha de 19 pontos do Inter, se analisada pela ótica dos adversários que enfrentamos, é de uma enormidade inimaginável no começo do torneio, sobretudo pelas incertezas que assolavam o time tanto em sua montagem quanto em sua forma de jogar. Chegar até aqui 'nas cabeças' é um feito grande como o próprio Inter, mas não deixa de ser surpreendente mesmo assim.