A realidade nem sempre é dura: o que esperar da volta do Inter no Brasileirão

O sentimento que permeia o planeta do futebol nos momentos imediatamente posteriores ao final da Copa do Mundo é aquele sempre incômodo vazio existencial que nasce em situações assim. Um pouco menos acentuado que em 2014, porém, para nós brasileiros, o término do Mundial da Rússia representa o retorno das competições domésticas em 2018. Para muitos, tenho certeza que será um martírio a volta à realidade: após 30 dias de luxúria e distanciamento do mundo cruel do nosso futebol, assistir aos jogos de nossos times pode ser uma atividade um tanto quanto melancólica. Mesmo que sejamos apaixonados por nossos clubes, que são a VIDA REAL do futebol, é muito difícil fazer o contraste do espetáculo glamourizado do mundial da FIFA com a várzea cotidiana protagonizada pela CBF e seus pares.


Ainda que os últimos tempos tenham castigado sistematicamente os torcedores que vestem vermelho no extremo sul do Brasil, o retorno à realidade do Internacional fatalmente é um dos mais esperados por sua torcida. Quando o Brasileirão parou, poucos times no campeonato estavam jogando melhor que nós. Estávamos encaixados e vínhamos de oito partidas sem derrota, incluindo adversários importantes como o Grêmio, Santos e o São Paulo fora de casa, além de um nítido aumento de desempenho em relação aos primeiros jogos do certame nacional. Peças agregaram valor ao time titular e ao elenco e a mecânica de jogo passou a ser estruturada e positiva, o que alçou o colorado às primeiras posições do campeonato mesmo tendo enfrentado praticamente todos os que se encontram no pelotão de cima (a exceção do Atlético-MG), surpreendendo até mesmo o mais otimista torcedor do clube.


Em comparação com rivais diretos, Inter sai na frente na manutenção do grupo e reforços pontuais


Ainda que a ilusão e o otimismo sejam dois sentimentos NEFASTOS a serem combatidos por todo torcedor de boa índole, é inevitável admitir: neste momento, e apenas neste momento, o Internacional é um dos postulantes a brigar pelo título do Campeonato Brasileiro de 2018, que me proteja a Nossa Senhora da Anti-Zica. E, nessa disputa, saímos na frente em um aspecto de extrema importância: não perdemos nenhuma peça fundamental do time para a sequência do campeonato - mais do que isso, não perdemos peça alguma até então, enquanto os rivais amargam com vendas importantes ou lesões graves de alguns dos seus principais nomes.


O líder Flamengo teve que se despedir de Vinicius Júnior, seu projeto de craque que deixa o clube carioca rumando apenas para o maior clube do planeta (Real Madrid), além de Felipe Vizeu. No São Paulo, as saídas de Petros e Valdívia, embora não sejam de tanta expressão, enfraquecem o elenco dos tricolores do Morumbi. Já o Atlético-MG teve seu inferno astral durante a parada: além de perder Róger Guedes, o craque do campeonato até então, e Bremer, ainda amargou as lesões de Adilson e Gustavo Blanco, dois pilares da sólida campanha dos mineiros. A já programada saída de Arthur do Grêmio também não deixa de ser um ponto negativo dos nossos vizinhos, enquanto o Palmeiras perdeu Keno e já havia perdido Tchê Tchê próximo ao início do Mundial. Se forçarmos a amizade, o atual campeão e cambaleante Corinthians perdeu Maycon, Balbuena e Sidcley e também perde força para a continuidade do torneio. 


Divulgação/Internacional




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Além de manter o elenco, Inter contratou pontualmente. Na foto, Jonatan Alvez.


Além de não perder ninguém e, portanto, não precisar repor e até mesmo encaixar o time novamente, o Inter ainda contratou pontualmente: Jonatan Alvez chegou para disputar posição na frente com um Damião em má fase, além de Rithely, que substitui melhor Rodrigo Dourado do que os outros volantes que temos no elenco. Ainda chegou finalmente o Martin Sarrafiore, que, embora não saibamos como se sairá no profissional, a amostragem até agora que temos do menino argentino é de um futuro promissor. Mesmo tímida, a janela de transferências colorada mostrou-se positiva, pois indica que a comissão técnica do clube soube ler bem as carências do elenco e fez um esforço para que nenhum jogador fosse negociado, o que é de suma importância na disputa de um campeonato longo e difícil como é o Brasileirão. 


Por todos esses fatores, é inegável dizer: estamos ansiosos pelo retorno do Inter. O ano de 2018, de reconstrução, ganhou ares de esperança aos alvirrubros e nos permite até mesmo ter saudade de ver os jogadores vestindo vermelho e branco. Sinceramente? A Copa do Mundo é legal, mas assistir ao Internacional é muito mais.