O pior jogo do Inter no Brasileirão veio quando não poderia

Não há dúvidas de que a arbitragem teve papel importante no resultado final da partida: a expulsão absolutamente bizarra do D'Alessandro (a priori, não fez nada, apenas a súmula pode nos desmentir) e o possível pênalti, que na minha opinião não foi, no último minuto do jogo, são lances que definitivamente poderiam ter causado uma mudança nos rumos do jogo. Mas a derrota para o América-MG tem explicações muito mais no plano de jogo do que no plano de arbitragem. O PÉSSIMO futebol apresentado pelo Inter durante toda a partida foi determinante para que os mineiros fizessem seus dois gols e vencessem o jogo de maneira absolutamente justa.


Em uma noite deprimente de Odair Hellmann, que errou na escalação, no posicionamento e nas mudanças, o grande vencedor foi Adilson Batista, que soube ler o jogo e suplantar o Inter durante toda a partida - em determinados momentos, a equipe de Minas Gerais poderia ter ampliado a vantagem parcial e construído até uma goleada, tamanha superioridade no jogo. A interrupção da série invicta de dez jogos do Inter veio no pior momento possível: contra um adversário mais fraco, adversários que devem ser batidos por clubes que aspiram o título do Campeonato Brasileiro.

Não vamos ser injustos com Odair: se ele tivesse escalado Charles ou Gabriel Dias pra substituir Rodrigo Dourado, certamente haveria um murmurinho virtual dos torcedores reclamando sobre a escalação destes que são reservas naturais na posição. Porém, a escalação com dois jogadores mais ofensivos e de menos contenção no meio de campo fez com que o América, que estava com o meio povoado, tomasse conta do jogo.


O primeiro tempo do Inter foi uma das piores coisas que eu vi nos últimos tempos. Numa desatenção da zaga, Juninho acertou um chute espetacular no ângulo e abriu o placar, apenas fazendo justiça à já ampla superioridade do América na partida. Os vermelhos tinham a bola, mas não conseguiam avançar ao ataque com ela e sempre acabavam lateralizando, tanto na esquerda quanto na direita. A falta de movimentação dos meias do Inter também ajudou na dificuldade de transição, mas o posicionamento adequado do clube mineiro também deve ser ressaltado.


Fechando absolutamente todos os espaços, mesmo com as limitações técnicas, o América chamou aquela faixa central do campo de SUA e tomou conta dela. Quando Ruy lançou Giovanni e o lateral ampliou o placar, a impressão que dava era de que os mandantes aplicariam uma goleada tamanha superioridade dentro de campo. Além dos problemas posicionais, todos os jogadores do Inter estavam mal, à exceção de Victor Cuesta, o que dificultava bastante as coisas. 


Divulgação/Internacional
Divulgação/Internacional

Jonatan Alvez marcou em sua estreia pelo Inter


Como de costume, Odair não mexeu no time no intervalo e os problemas continuaram: o terceiro gol do América só não saiu por detalhe e uma finalização errada de frente pro gol, após erro na saída de bola do Inter. Com 15 minutos sendo uma espécie de BÔNUS TRACK do primeiro tempo, Odair finalmente mexe: Jonatan Alvez e D'Alessandro entraram nos lugares de Damião e Lucca e, com 30 segundos em campo, o maior argentino da história desse estado mostrou por que ele ainda é um jogador espetacular mesmo com a avançada idade: deu um lançamento magistral pra Pottker, que conseguiu finalizar por cima mesmo sem marcação e a 3 metros de distância do gol.


Quando finalmente o Inter passava a ter algum trabalho de bola, o juiz inventa uma expulsão absolutamente bizarra do D'Alessandro 10 minutos depois de ele entrar em campo. Wesley, que também foi expulso, pegou o argentino pelo pescoço e ele, ao tentar se desvencilhar, acabou acertando involuntariamente a boca do juiz e foi expulso por isso, um absurdo quase inacreditável. O erro bisonho do juiz apenas reflete a péssima arbitragem do nosso futebol, que erra e acerta para os dois lados, mas acaba influenciando no jogo.


Após isso, Camilo entrou no lugar de Nico López mas o Inter não conseguiu continuar com o razoável momento em que D'Ale esteve em campo. Mesmo o gol do estreante Jonatan Alvez não mudou o espírito do jogo, ainda que aos 48 do segundo tempo, em cruzamento de Cuesta, a bola tenha batido na mão do defensor mineiro e aberto margem à discussão de pênalti. O resultado foi absolutamente justo e é um balde de água fria a todas as pretensões mais ousadas de objetivos colorados no ano. 

Para ganhar o Campeonato Brasileiro, é fundamental que haja uma imposição contra os times pequenos ou mais fracos na competição. Os últimos campeões mostraram que não se pode, de maneira alguma, perder pontos para postulantes ao Z-4 e que mesmo sem grande desempenho contra os times da parte de cima da tabela, é possível ser campeão.


Derrotas como as de hoje dão um choque de realidade a todos os colorados: o Inter, embora seja forte candidato a uma vaga na Libertadores da América, não irá disputar o título do campeonato. Esses três pontos perdidos (e eu nem falo de eventual empate: se empatasse, seriam dois perdidos, não um ganho!) quase que sem dúvida irão fazer falta na conta lá na frente.


Mesmo com todo o respeito que eu tenho por todos os times do campeonato, perder pro América foi inadmissível em termos de disputa pela primeira colocação, sobretudo em uma rodada em que os dois líderes tropeçaram e a oportunidade de colar neles era grande. Se não disputaremos o título, já é uma campanha extremamente digna se conseguirmos a vaga pra Libertadores. Porém, não deixa de ser extremamente frustrante sabendo que tínhamos potencial para mais. 

Seguimos, ainda que tropeçando.