Inter, um clube sem direção

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Sabatini e Ausilio, os carecas que acabam com os cabelos dos interistas


Quem acompanhou o blog nos últimos quatro anos já leu diversas coisas sobre a incompetência de quem comanda a Inter, e a cada dia os dirigentes provam que realmente não há limites para desrespeitar o clube. No último mês, acompanhamos outro exemplo que explica esta que tem sido a pior década da história da Beneamata. Um período marcado pela falência do futebol após a glória máxima como reflexo da péssima gestão dos nerazzurri.


Não importa, com Massimo Moratti, Ernesto Paolillo e Marco Branca, passando por Erick Thohir, Marco Fassone, Michael Bolingbroke e Piero Ausilio, ou Suning, Alessandro Antonello, Giovanni Gardini e Walter Sabatini, a história é a mesma. Que pese as limitações impostas pelo Fair Play Financeiro - idealizado pelo próprio Paolillo, inclusive, na época um dos chefões da Associação dos Clubes Europeus -, o clube sempre teve condições financeiras de competir, mas há oito temporadas não monta uma equipe capaz de cumprir as expectativas e objetivos.


O legado do Triplete foi muito pesado na gestão matar ou morrer de Moratti. O filho de Angelo apostou todas as fichas para conquistar os títulos que ambicionava e não conseguiu manter o ritmo depois de 2010, afetando profundamente as finanças do clube, principalmente com os longos e caros contratos com jogadores na casa dos 30 anos, que rapidamente caíram de rendimento.


Ainda assim, nas temporadas seguintes ao último título, a Coppa Italia de 2011, gastou mais uma centena de milhões de euros sem retorno no campo, incluindo a pior campanha da história da Inter na Serie A de 20 clubes e 3 pontos, nona colocada com 54 pontos em 2012/13. Andrea Ranocchia e Yuto Nagatomo são os maiores símbolos do período - e até hoje têm contrato com o clube -, enquanto Samir Handanovic e Mauro Icardi são os únicos remanescentes que corresponderam.


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Zhang Jindong, o homem do dinheiro ou a cara da vergonha?


Em 2013, Thohir chegou como salvador da pátria, ou pelo menos para os cofres de Moratti, que vendeu grande parte de suas ações enquanto a outra grande empresa da família, a petroleira Saras, já não se sustentava e também tinha vendido uma parte para a russa Rosneft. Com o clube afundado em dívidas e problemas com a Uefa, o empresário indonésio focou em restaurar as finanças, mas não abriu mão dos investimentos na equipe.


E como o antecessor, sua gestão também se mostrou bastante confusa no futebol e manteve o histórico de contratações não correspondidas, incluindo as caras multas para os treinadores afastados. Pior do que isso, o clube seguiu fora da Liga dos Campeões. Ou seja, mesmo com pouquíssimas fontes de renda, a dupla gastou mais do que o disponível em apostas que não deram o resultado não apenas esperado, mas necessário.


Três anos depois, foi a vez da chinesa Suning se aventurar no futebol europeu e socorrer mais um empresário frustrado, comprando as ações restantes de Moratti e mais de 70% das do grupo indonésio. Thohir teve como última ação a escolha de Frank de Boer, demitido menos de três meses após ter sido contratado no final da pré-temporada, e depois definitivamente se afastou do clube, apesar de permanecer oficialmente como presidente.


Entre a pressão por grandes investimentos e resultados, o grupo chinês gastou mais de 100 milhões de euros já na primeira janela de transferências, e pela enésima vez as contratações não tiveram a resposta desejada, custando a cabeça de mais dois treinadores e outra temporada fora de competições europeias. Apenas sétimo colocado na Serie A em 2017 e as receitas no vermelho, o clube teve que correr para respeitar as regras do FPF ainda em junho, resultando em um mercado mais econômico nos meses seguintes.


A grande contratação acabou sendo Luciano Spalletti, valorizado pelas campanhas acima da média na Roma, enquanto o elenco mais uma vez foi construído de forma desequilibrada. Nos primeiros meses, o trabalho do novo treinador saiu melhor do que o esperado e a equipe liderava o campeonato na 16ª rodada, mas eventualmente os problemas começaram a surgir em dezembro e agora não vence há quase dois meses. A missão da direção era reparar o grupo na janela de inverno, e, claro, falharam miseravelmente.


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Não fosse sua negativa, Pinamonti teria sido vendido ao Sassuolo por um valor irrisório diante do seu potencial


João Mário, o bode expiatório da vez, acabou emprestado ao West Ham sem garantias de recuperar o investimento do verão de 2016, dependendo unicamente do seu desempenho e a boa vontade do clube inglês, enquanto Gabriel Barbosa retornou para o Santos depois de também fracassar no Benfica. Até Nagatomo saiu, mas com retorno garantido para o próximo verão. No final, conseguiram juntar míseros 3,4 milhões de euros pelos empréstimos.


Por outro lado, a única necessidade cumprida para melhorar o elenco foi a contratação de um zagueiro, já que haviam apenas três. Chegou por empréstimo o argentino Lisandro López, do Benfica, como um desconto para a rescisão do contrato de Gabriel. No meio-campo, as prioridades eram pelo menos um volante e um meia-atacante, e apenas Rafinha foi contratado, apostando na sua versatilidade para cumprir diversas funções no setor e aumentar a criatividade do grupo. Emprestado pelo Barcelona, o brasileiro terá que ser comprado em definitivo caso a Inter volte para a Liga dos Campeões.


Além de passar vergonha nas conversas por Ramires, do Jiangsu, clube chinês de propriedade da própria Suning, e Javier Pastore, do Paris Saint-Germain, que também precisava de renda para respeitar os parâmetros do FPF, os diretores não buscaram alternativas para Antonio Candreva, Mauro Icardi e Ivan Perisic. Os principais jogadores de ataque da equipe caíram de rendimento e não têm reservas à altura.


Pior do que isso, tentou vender para o Sassuolo - clube que mantém laços estreitos com a rival Juventus - a maior joia de Interello desde Mario Balotelli: o centroavante Andrea Pinamonti, de 18 anos. Inclusive, considerando a falta de opções para Icardi, deveria ter jogado muito mais do que os míseros 45 minutos que acumulou na temporada. Mas como sempre, o setor juvenil do clube não serve para formar jogadores para o time principal, e sim salvar as finanças do clube.


Em meio a essa confusão, deixo aqui a seguinte mensagem‏:



Um dia a Suning terá que explicar qual é seu real projeto para a Inter nos próximos cinco anos. Deverá fazê-lo com seriedade, transparência e sem anúncios inúteis. Os torcedores interistas que, apesar dos resultados, continuem enchendo o San Siro merecem.