5 de maio: o fantasma que assombra a Inter

La Presse
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Lazio, estádio Olímpico de Roma, última rodada do campeonato, mês de maio e ano de Copa do Mundo. Essas palavras colocadas nessa ordem resgatam imediatamente velhos pesadelos para os interistas. 16 anos atrás, o clube teve a chance de acabar um tabu de 13 anos sem conquistar o scudetto - série que durou mais quatro temporadas -, mas deixou o título escapar na última partida da Serie A 2001/02 para a rival Juventus.


Naquele 5 de maio de 2002, a Inter começou o dia liderando do campeonato com 69 pontos, seguida por Juventus, 68, e Roma, 67. Cinco rodadas antes, com a vitória sobre a Fiorentina por 1 a 0, a vantagem era de três pontos para a Roma e seis para a Juventus. Diferença reduzida, respectivamente, para dois e três com a derrota para a Atalanta em San Siro por 2 a 1. Ânimos tranquilizados com a vitória por 2 a 1 sobre o Brescia na enésima volta de Ronaldo, disputando sua primeira partida no ano como titular com uma doppietta.


Na 32ª rodada, contudo, a vantagem voltou a ser reduzida drasticamente: um ponto para a Juventus e dois para a Roma. Isso graças ao empate em 2 a 2 com o Chievo, que marcou o gol da igualdade nos acréscimos para um resultado que se provaria fatal duas semanas depois. A vitória por 3 a 1 sobre o Piacenza não alterou a diferença, destacada acima - apenas dois pontos separavam três equipes. Na última rodada, Inter, Juventus e Roma tiveram que jogar longe de casa, respectivamente contra Lazio, Udinese e Torino.


Os três entraram em campo no mesmo horário, às 15h, e a classificação mudou logo com dois minutos, porque David Trezeguet abriu o placar para a Juventus no Friuli. Não demorou para Alessandro Del Piero ampliar e assegurar a vitória bianconera já com 11 minutos de jogo. Menos de 60 segundos depois, porém, Christian Vieri abriu o placar para a Inter no Olímpico, resultado que voltou a colocar os nerazzurri na primeira posição. Mas a Lazio não tinha nada a ver com a briga e precisava vencer para conseguir uma vaga na Copa da Uefa.


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Então, sete minutos depois, o principal destaque daquela tarde começou a brilhar: Karel Poborsky apareceu livre na segunda trave e empatou aos 19 minutos. Os visitantes voltaram a estar na frente do placar aos 24, quando Luigi Di Biagio aproveitou mais um escanteio fechado de Álvaro Recoba e antecipou a marcação na primeira trave, mas o ponta-direito tcheco voltou a frustrar os interistas. No último lance do primeiro tempo, Poborsky desfrutou a falha de Vratislav Gresko e empatou a partida novamente.


Após a volta do intervalo, o que estava ruim ficou ainda mais trágico: Diego Simeone, ídolo nerazzurro, marcou o gol da virada laziale aos 55. Enquanto isso, em Turim, em meio a festa dos juventinos na cidade, a Roma abriu o placar aos 68 minutos com um golaço de Antonio Cassano - outro coração interista - e conquistou a vitória contra o Torino por 1 a 0. Cinco minutos mais tarde, Simone Inzaghi, hoje treinador da Lazio, marcou o quarto gol e decretou o fracasso.


Pouco depois, um ineficiente Ronaldo acabou substituído por Mohamed Kallon e foi aos prantos no banco de reservas. O Fenômeno tinha superado o drama de duas graves lesões no joelho, uma delas sofrida justamente no Olímpico contra a Lazio dois anos antes, mas viu novamente o scudetto escapar da sua equipe. Essa acabou sendo também sua última partida oficial pela Inter, já que não voltou a jogar pelo clube depois da Copa do Mundo.



- Udinese 0-2 Juventus (0-1 Trezeguet 2’, 0-2 Del Piero 11’) | 1ª, Juventus, 71 pontos
- Torino 0-1 Roma (0-1 Cassano 68’) | 2ª, Roma, 70 pontos
- Lazio 4-2 Inter (0-1 Vieri 12’, 1-1 Poborsky 19’, 1-2 Di Biagio 24’, 2-2 Poborsky 45’, 3-2 Simeone 55’, 4-2 Inzaghi 73’) | 3ª, Inter, 69 pontos


- Lazio (4-5-1): Peruzzi; Stam, Nesta, F. Couto, Favalli; Poborsky, Giannichedda, Simeone (D. Baggio), Stankovic (César), Fiore; S. Inzaghi. Treinador: Alberto Zaccheroni
- Inter (4-4-2): Toldo; J. Zanetti, Córdoba, Materazzi, Gresko; S. Conceição (Dalmat), Di Biagio, C. Zanetti (Emre), Recoba; Vieri, Ronaldo (Kallon). Treinador: Héctor Cúper




Enquanto isso, a Inter segue se boicotando


Além de ser assombrada pelo fantasma do 5 de maio, a Inter de Luciano Spalletti também está sujeita aos velhos vícios de um clube que há seis anos não disputa a Liga dos Campeões. Depois de recuperar a boa fase em março, a equipe perdeu pontos preciosos contra Milan, Torino e Atalanta em abril, mas seguiu firme na briga, assim como a derrota para o Sassuolo não acabou com as chances de classificação.


16 anos depois, a Inter irá para a capital enfrentar a Lazio na última rodada da Serie A e o único resultado possível é a vitória para evitar mais um fracasso. Basta uma vitória como a da temporada passada, mas esse se trata de um dos raros confrontos que historicamente os nerazzurri levam a pior: como visitante, foram 27 derrotas e 28 empates contra 20 vitórias no campeonato.


Divulgação/Internazionale
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