Nainggolan: um insano ninja para a Inter

Divulgação/Internazionale
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Depois de quase cinco anos de namoro, enfim Inter e Radja Nainggolan se uniram. Um longo relacionamento regado a desejo e inveja agora formalmente oficializado pelo custo total de 38 milhões de euros, com as saídas em contrapartida de Davide Santon (avaliado em € 9,5 milhões) e Nicolò Zaniolo (avaliado em € 4,5 milhões). Acima de tudo, uma transação que convém com as necessidades financeiras do clube e futebolísticas do time. Tem seus riscos, como qualquer outra, mas exemplifica a ambição da direção.


Convém financeiramente, porque permitiu uma venda quase ilógica, que foi a de Santon. O defensor criado em Interello sofreu com diversos problemas físicos desde que retornou para o clube em 2015 e nunca conseguiu recuperar a forma física e técnica. Pelo contrário, acumulou diversas falhas defensivas, como contra a própria Roma nesse ano. Apesar de ser um grande sujeito, estava claro que não havia mais clima para continuar na Pinetina. Rejeitado em quatro exames médicos em dois anos, tinha apenas mais um ano de contrato.


Contratado por € 3,7 milhões há três anos, seu valor estava praticamente amortizado, o que significa um ganho de capital bastante relevante por duas situações: a meta que o clube precisa atingir até o final desse mês para fechar o balanço em equilíbrio e também por abrir uma janela de quase € 10 milhões para registrar novos jogadores na lista da Uefa. Por outro lado, importante ressaltar que ele era o único formado no clube inscrito na Serie A e na Uefa, o que pode significar a volta de outro com esse perfil (como Federico Dimarco).


Zaniolo é praticamente um bônus na transferência, como um presente de agradecimento à Roma. Se trata de uma das maiores promessas do futebol italiano, sendo um jogador com experiência profissional (jogou na Serie B com a Virtus Entella em 2017) e que dominou completamente a categoria Primavera (sub-19) na última temporada, conquistando o campeonato e a supercopa da categoria como o melhor jogador do time de Stefano Vecchi.


Sua saída futuramente pode causar arrependimento, mesmo com os 15% de venda futura, mas que, em contrapartida, representa o sucesso do setor juvenil. A estratégia não é revelar jogadores para o time principal, e sim sustentá-lo financeiramente. Você pode questionar o método, que muitas vezes realmente é desapontante pela quantidade de talento acumulada com o ótimo sistema construído, mas o objetivo final mais uma vez foi cumprido.




Nainggolan, no caso, é a parte mais arriscada e excitante do negócio. Mais de quatro anos se passaram da tentativa de contratação em janeiro de 2014, quando a diretoria interista rompeu com o Cagliari e mudou de direção, escolhendo Hernanes - o que no final acabou custando o trabalho de Marco Branca. A realidade é que se trata de um jogador de 30 anos com contrato de quatro temporadas, que ainda está no auge físico, mas sofrerá uma queda física nos próximos anos, ainda mais pelo estilo de vida que leva fora dos gramados.


O mesmo comportamento que levou à sua saída da Roma. O belga de origem indonésia tinha renovado o contrato no ano passado após a temporada espetacular em 2017, mas, desde então, acumulou problemas com direção e comissão técnica criando uma situação desconfortável no clube, que sabia do interesse da Inter e o ofereceu mesmo contrariando sua vontade e a da torcida. Não à toa, Radja acabou negociado por pouco mais da metade do seu valor de mercado (€ 45 milhões).


O que realmente não entra em discussão aqui é o que Nainggolan é capaz de produzir no campo. Em quatro temporadas em meia na Roma, teve média de 45 partidas por ano, sempre superando 30 na Serie A e que nunca ficou fora por mais de duas semanas por problemas físicos. Um meio-campista completo, é reconhecido pela contribuição defensiva, muito útil pressionando, mas também recompondo com a defesa baixa, e, ofensivamente, tem como pontos fortes a finalização, controle de bola e passes ofensivos.


Antigo algoz da Inter, contra quem marcou cinco vezes (recorde na carreira), Nainggolan viveu seu melhor período com Luciano Spalletti, treinador que entende muito bem suas qualidades e o afirmou como um meia-atacante de elite. A expectativa é que o belga tome conta do último terço ao lado de Mauro Icardi e Ivan Perisic em qualquer que seja o esquema tático escolhido (3-4-1-2 ou 4-2-3-1), aumentando a produção ofensiva da equipe, mas também melhorando a organização defensiva e a ocupação central.


Se trata de um movimento ousado da Inter, que aposta nos últimos anos do auge de Radja na sua volta à Liga dos Campeões, competição que o belga participou decisivamente na última temporada. Como Stefan de Vrij e Kwadwo Asamoah - que serão comentados aqui assim que forem anunciados, o que acontecerá na próxima semana -, também é mais um jogador importante tirado de um rival da Serie A.