Com um mês de antecedência, a Inter já está finalizando seu mercado

Divulgação/Internazionale
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Enquanto a rival tenta Cristiano Ronaldo, a Inter segue sua vida. Agora de forma mais tranquila, passada a apreensão para atingir as metas determinadas pela Uefa, missão alcançada com sucesso. Depois de Radja Nainggolan, apresentado na semana passada, o início de julho significou o começo dos contratos de Stefan de Vrij e Kwadwo Asamoah, enquanto Lautaro Martínez e Matteo Politano também foram anunciados. O quarteto é o assunto da vez.


Começando na defesa, De Vrij provavelmente se trata da contratação mais inteligente do mercado. Em meio a falta de acordo do holandês com a Lazio, a Inter antecipou todos e, silenciosamente, fechou um acordo, registrando o novo contrato ainda em 29 de março. Um dos melhores zagueiros da Serie A desde 2014, chega no clube aos 26 anos amadurecido após quatro temporadas no futebol italiano e com vigor físico, superando a grave lesão no joelho sofrida em 2015.


Sua chegada poderia significar o indício de uma definitiva formação com três zagueiros, recurso bastante utilizado por Luciano Spalletti, mas não como o ponto de referência do seu sistema. Na Inter, por exemplo, D’Ambrosio ficava mais preso quando o time tinha a bola, centralizando o seu posicionamento enquanto Cancelo subia pela direita e um entre Candreva e Perisic abria na ala esquerda. Com Skriniar e Miranda consolidados na defesa, o que poderia acontecer seria o holandês entrar no meio da dupla.


Foi exatamente nessa função que De Vrij se consolidou, atuando como zagueiro central no 3-5-2 de Simone Inzaghi. O holandês não tem por característica marcar apertado e é lento antecipando, mas se sobressai com ótima noção de espaço e leitura tática. Bastante técnico, tem boa saída de jogo e facilidade para controlar e carregar a bola. Na última temporada, teve seu melhor ano em termos de gols, marcando sete ao todo, o que certamente será aproveitado pela equipe que mais marcou gols de bola parada em 2017/18 - 19 dos 66 gols da Inter nasceram assim; quase 30%.


Mas como holandês que é, formado no Feyenoord, cresceu jogando como zagueiro pela direita no 4-3-3 e, antes de Louis van Gaal e Ronald Koeman aparecerem com o 3-5-2 em 2014, nunca tinha sido experimentado no esquema tático com regularidade. E considerando os objetivos restantes para Piero Ausilio no mercado - um lateral-direito, um volante e finalizar a contratação do ponta-direito Malcom -, o 4-2-3-1 segue como a base da Inter de Spalletti, e, assim, o holandês disputará um lugar com Miranda.


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O que também ajuda a reforçar esse discurso é a chegada do experiente Asamoah. O ganês, que completará 30 anos em dezembro, se trata do jogador com mais partidas internacionais entre Liga dos Campeões, Liga Europa, Copa do Mundo, Copa Africana de Nações e Eliminatórias africanas, acumulando mais de 100 presenças. Bastante versátil como já mostrou em dez temporadas na Serie A por Udinese e Juventus, nasceu como volante e se consolidou como um faz-tudo pela esquerda.


Recuperado dos problemas físicos que lhe afastaram dos gramados por alguns períodos entre 2014 e 2016, Asamoah ganhou um espaço de prestígio na formação de Massimiliano Allegri, participando das partidas mais importantes da Juventus em 2018. Atuando majoritariamente como lateral-esquerdo, viu o então titular Alex Sandro ser deslocado para o meio-campo. Sempre bem posicionado, alia muita resistência e força e toma poucas decisões erradas, com bom controle de bola.


Importante frisar que realizou apenas 50 partidas nas últimas duas temporadas. Sendo a esperança de trazer solidez e consistência na esquerda que falta há anos para a Inter, como lateral ou ala-esquerdo, o ganês terá o tempo de jogo que justamente lhe fez decidir sair da Juventus. Mas também terá que se superar fisicamente para voltar a jogar três competições como titular com regularidade, e não apenas como um complemento, como vinha sendo em Turim desde as chegadas de Evra e Alex Sandro.


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Na última coletiva da temporada passada, Spalletti deixou claro seu desejo em contar com mais um ponta, que tivesse especialmente como características partir para cima do adversário e soubesse jogar nos dois lados. Pedido atendido com a contratação de Politano ainda na semana passada, em uma conversa que avançou surpreendentemente rápido depois da diretoria ter percebido que precisaria de mais tempo para contar com Malcom - negociação com o Bordeaux que ainda se arrastará por algum tempo.


Contratado por empréstimo com direito de compra avaliado ao todo em 25 milhões de euros, considerando a venda de Jens Odgaard para o Sassuolo por € 5 milhões, Politano chega como alternativa, sem pretensões de ser titular absoluto como De Vrij e Asamoah. Com experiência de três anos na Serie A, todas pelos neroverdi emilianos, o atacante revelado pela Roma, onde foi treinado por Andrea Stramaccioni, mostrou maturidade na última temporada, em que foi decisivo para evitar o rebaixamento da sua equipe.


Ponta-direito de origem, sendo canhoto tinha a característica jogada de partir da ponta em direção ao gol puxando para o pé esquerdo. No Sassuolo, se habituou a jogar pela esquerda por causa de Domenico Berardi, absoluto do outro lado, mas não perdeu seu estilo de jogo e aprimorou a tomada de decisão, contribuindo mais com assistências e volume de jogo do que com gols e dribles. Voltou a se adaptar em 2018, quando passou a jogar como atacante no 3-5-2 e marcou sete gols nas últimas dez rodadas do campeonato.


Na espera pela definição dos futuros de Candreva, Karamoh e Malcom, Politano disputa posição na direita e também serve como alternativa para Perisic, podendo virar uma opção de descanso para o croata. Há três anos, Ivan é praticamente insubstituível na esquerda e jogou 107 de 114 partidas na Serie A. Com a bagagem da última temporada, ainda é candidato para acompanhar Icardi em um eventual 3-5-2, e por característica - mas sem experiência - também pode jogar como meia-atacante no 4-2-3-1.



Por fim, Lautaro Martínez é a promessa do mercado. Contratado por pouco mais de € 20 milhões, se trata de uma promessa porque tem experiência apenas na Superliga Argentina e na Libertadores, além de pouco mais de 30 minutos em um amistoso da seleção argentina contra a Espanha em março. Apesar disso, prestes a completar 21 anos, mostrou muita maturidade nos últimos meses durante a negociação com a Inter, em que contemporaneamente se tornou um líder no Racing, terminando sua participação pelo clube como artilheiro e capitão.


Em 2018, marcou cinco gols em seis partidas na Libertadores, sendo três contra o Cruzeiro e dois contra o Vasco, além de nove gols e três assistências em 15 partidas na Superliga Argentina. Tratado como um pupilo de Diego Milito, também ídolo do Racing e que participou decisivamente a favor da Inter na transferência, estreou profissionalmente justamente substituindo ‘El Príncipe’ em 2015. Atacante completo, com todos os recursos que um centroavante é exigido hoje, terá tempo para observar Icardi, mas também espaço para brigar por seu espaço - "tranquilo 'El Toro', te deixaremos jogar". No mais, deixo com vocês a análise do pessoal do Footure FC.



Com De Vrij, Asamoah, Nainggolan, Politano e Martínez, a Inter 2018/19 já tem um desenho bem claro. A preparação começará na próxima segunda-feira, dia 9, e será realizada toda na Pinetina, sem turnês loucas, embora lucrativas, para Estados Unidos, China ou Indonésia. No momento, seis amistosos foram confirmados pelo clube e todos acontecerão na Europa, incluindo viagens curtas para Suíça, Inglaterra, França, Lecce e Espanha.


Um mês atrás falávamos das dificuldades que o clube teria no mercado depois de ter garantido as contratações de De Vrij, Asamoah e Martínez, e a mudança no discurso se deve justamente pelo trabalho extraordinário realizado no último mês para atingir a meta estabelecida pela Uefa, inclusive superada com uma margem folgada. Mas também pelas negociações rápidas para garantir Nainggolan e Politano, que cobriram lacunas importantes no elenco, desde o primeiro dia da pré-temporada.


Ainda na espera da convocação de Spalletti, por enquanto os únicos ausentes na primeira parte da preparação serão os “russos” Miranda, Vecino, Brozovic e Perisic, que avançaram, respectivamente, com Brasil, Uruguai e Croácia para as quartas de final da Copa do Mundo, e deverão retornar apenas em agosto depois de algumas semanas de férias.



Apesar disso, o trabalho não está terminado e a diretoria precisa resolver algumas coisas. Primeiro, segue a busca por um lateral-direito e um volante. Alessandro Florenzi é o preferido para a direita, e tudo depende da sua renovação com a Roma, enquanto Sime Vrsaljko, Matteo Darmian, Davide Zappacosta e Aleix Vidal são as alternativas. Os valores sondados com Atlético de Madrid, Manchester United e Chelsea estão fora da realidade e a ideia é tentar um empréstimo com opção pensando na inscrição para a Liga dos Campeões.


No meio, Mousa Dembélé segue como principal objetivo, e teremos novidades somente depois do Mundial, na esperança também que o Tottenham abaixe suas pretensões por um jogador de 31 anos que tem apenas mais um ano de contrato. A alternativa seria William Carvalho, mas o português parece distante por causa dos problemas legais com o Sporting e, nesta semana, o Real Bétis avançou a negociação com seus procuradores. Milan Badelj, sem contrato depois de ter saído da Fiorentina, não foi mais comentado.


Segundo, a questão Malcom. A diretoria considera que o setor está completo e a chegada do brasileiro estaria ligada com a saída de um ou mais jogadores, como Candreva e Éder, que poderiam abrir espaço para registrar outros na lista da Uefa. As últimas notícias dão conta que os dois não fazem questão de sair e rejeitaram algumas sondagens. Além do mais, as negociações com o Bordeaux seguem arrastadas, já que os franceses procuram um substituto e ainda não acordaram totalmente com a fórmula (empréstimo com opção).


Por fim, e Rafinha? Hoje as partes estão distantes, como seu representante e o próprio deixaram claro, e sua contratação seria um luxo que o clube ainda não está confiante se pode garantir financeiramente. Novamente, sem esquecer da lista de inscrição para a Liga dos Campeões, afinal, de que adianta trazer alguém do calibre do brasileiro e não podê-lo registrar na principal competição que disputará? Talvez uma venda de Vecino, que interessa o Chelsea, mudasse isso. A saída em definitivo de João Mário também ajudaria.