Higuaín é o risco calculado para a Juve ser gigante

​Quem diria que a Juventus estaria na boca do povo, em 2016, com a chance de mexer no topo e nas posições logo abaixo das transferências recordes do futebol, hem? Os 120 milhões de euros por Paul Pogba seria a maior nova marca do esporte. Os 90 milhões de euros de Gonzalo Higuaín colocam, atualmente, essa contratação na quarta posição da lista.



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Pipita não vale o mesmo que Cristiano Ronaldo quando o português foi adquirido pelo Real Madrid. Mesmo que o valor da transferência tenha sido o mesmo, a inflação joga a negociação de 2009 para a casa dos 102 milhões de euros. A venda de Zinedine Zidane ao mesmo Real, em 2001, se assemelha à outra compra merengue: a de Gareth Bale, em 2013 - cerca de 92 milhões de euros, com valores corrigidos.



A comissão bianconera acredita que Higuaín é uma peça fundamental para a conquista da Liga dos Campeões. Ele é o atacante prolífico para fazer parceria com o conterrâneo Paulo Dybala. É o cara que quebrou o recorde de gols em uma temporada de Gunnar Nordahl na Serie A, que marcou 35 vezes há quase sete décadas.


Luis Suarez está com 29 anos, um a mais que Higuaín. O uruguaio custou 8 milhões de euros a menos quando chegou ao Barcelona, há um ano, no meio da turbulência de todas as peripécias que envolviam o nome dele - nominalmente as agressões descabidas e o racismo extra-campo.


Aqui, neste ponto, não existe uma comparação entre os jogadores. Há uma referência às transações - e somente a elas. O risco foi grande para o Barcelona, bem como existe um receio (em quantidade mais diluíveis) em Turim. A compra foi feita porque a cláusula de Higuaín expiraria no dia 31 de julho e a Juventus queria o atleta para a pré-temporada. Contam que o argentino, caso não saísse do Napoli essa temporada, cumpriria os dois anos restantes de vínculo e sairia como agente livre.


Getty Images
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Reescreva tua própria história, Gonzalo


A Juve programou a contratação do argentino, visto que ele está na lista do clube desde 2013-14, mas a metodologia implementada pela diretoria há seis anos permitiu que esse luxo fosse realizado sem maiores cerimônias. Dá para pagar? Então OK. A artimanha se dá simplesmente porque o clube volta a apostar alto na conquista da Liga dos Campeões nesta temporada, já com 20 anos de seca.


"Mas com essa grana dava para ir atrás de Robert Lewandowski!". "Credo, poderiam comprar Julian Draxler e mais alguém com isso". "Higuaín, aquele merda? Bastava convencer Antoine Griezmann". Ninguém deseja se mexer se está feliz com quem paga seu salário em dia. Ainda que Pipita foi o protagonista de uma temporada incrível do Partenopei, ele queria sair. Lewa, Draxler e Griez não desejam sair. Fim.


Adoro como Mario Mandzukic trabalha para o coletivo, mesmo que, para isso, tenha números menos expressivos de gols. Há muito a Juventus é cobrada para ter um centroavante goleador. Desde que David Trezeguet retornou para o futebol argentino, Alessandro Matri, Fabio Quagliarella, Luca Toni, Vincenzo Iaquinta, Fernando Llorente, Nicklas Bendtner, Nicolas Anelka e Alvaro Morata não foram essa entidade mística desejada por tantos.


É verdade que as maiores chances de quebrar o jejum da seleção argentina pararam nos chutes errados de Pipita por três anos consecutivos: Copa do Mundo, América e Centenário, desde 2014. Por outro lado, a regularidade de Higuaín é impressionante. Além disso, ele tem um físico ótimo, que permite a fuga das lesões. Arjen Robben foi taxado de pipoqueiro quando o Real Madrid falhou na Liga dos Campeões. Anos depois, ele conseguiu a tríplice coroa jogando o fino pelo Bayern de Munique. A questão é que a Juventus está proporcionando a Higuaín o status de astro-mor.



O salário de 7,5 milhões de euros é o maior da Serie A. Para terceiros, o bianconero está disposto a gastar o que for preciso para bancar o sonho continental; para quem está na Juventus, não tem como não transparecer a ideia de que a jogada, em campo, tem de ser o famoso "toca nele"; para Higuaín, é a tacada precisa para reescrever a própria reputação.


Repito sobre a Liga dos Campeões porque a Serie A é uma mera formalidade. A Juventus segue muito à frente dos outros rivais, até mesmo sem Higuaín. Ou sem Miralem Pjanic, Daniel Alves, Marko Pjaca e Paul Pogba. Sozinho, Pipita não oferece o título europeu ao clube. A contratação dele não coloca o time entre os franco-favoritos à Orelhuda. O patamar sobe um pouco.


O risco calculado no melhor mercado desde 2001, porém, está concatenado com a presença internacional de um time que deseja reconquistar a popularidade e a força de outrora. A Juve não está para brincadeiras.


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