As razões da saída de Conte: e agora, quem vem?

Antonio Conte não é mais técnico da Juventus. O treinador e o clube decidiram, por acordo mútuo, que seguirão caminhos distintos a partir de agora. 


A terça-feira começou com novos rumores sobre a saída de Conte. Foi o segundo dia da pré-temporada, e a imprensa italiana noticiava a todo momento que a Juve não fazia mais parte dos planos do técnico. 


Conte tinha vínculo com os bianconeri até 2015 e rejeitou uma renovação de três anos, com o valor de 5 milhões de euros anuais. "Você não pode jantar em um restaurante de alto padrão com dez euros", disse. O ex-treinador da Juventus não estava satisfeito com os planos de mercado. Conte recusou o Paris Saint-Germain e, em maio, mandou o Monaco pastar após oferta milionária.


O treinador ficou extremamente insatisfeito porque os dirigentes Giuseppe Marotta e Fabio Paratici não conseguiram convencer Barcelona e Fiorentina a negociar Alexis Sánchez e Juan Cuadrado. Mas o fator primordial, certamente, foi outro: a Juventus prometeu que Vidal e Pogba não seriam vendidos. Os meias encabeçam a lista de reforços de metade dos clubes europeus.


Divulgação/Arsenal FC
Divulgação/Arsenal FC

Alexis Sánchez foi uma das transferências não concretizadas para 2013-14


Não existe transferência sem o aval do jogador. Se ele não deseja sair, não tem santo o faça mudar de casa. Ponto. Por outro lado, a Juventus não teve o mínimo esforço para blindar nem Vidal, nem Pogba. A diretoria afirmou que só ouviria propostas acima de 75 milhões de euros pelo francês. O primeiro erro foi dizer que o caminho estava aberto para negociações. O segundo foi jogar o valor lá no alto - caso ocorra uma transferência, ela será em cifras menores. 


Pogba escolheu a Juventus em 2012 exatamente porque Conte acreditou em sua qualidade. O técnico foi fator promordial para o acordo vingar. Agora, sem o treinador, o que resta ao francês de 21 anos, que sempre se vê no noticiário durante as janelas de transferências? A mais recente é numa negociação que envolva o Real Madrid e Angel Di María. Vidal, de férias, disse que tanto faz em qual clube jogará. Sem mencionar o Manchester United e os 44 milhões de euros da proposta, falou que sabe que "é um dos clubes mais importantes do mundo", mas reforçou que tem contrato com a Juventus. "Se as coisas acontecerem, tudo bem. Caso contrário também ficarei feliz na Juventus." 


Seguir em frente


Palavras do presidente Andrea Agnelli no site do clube: "recomeçaremos do zero. Temos zero ponto e zero vitória na tabela como todo mundo. Mas o clube tem um time jovem e forte. Eles estão preparados para atingir qualquer objetivo". 


O capitão Gianluigi Buffon, em entrevista em Vinovo, falou: "é uma perda gigante, mas não estamos no ano zero. Não sei as razões da saída de Conte, mas o trabalho dele não irá desaparecer em dois meses. Nossa responsabilidade é muito maior agora. Temos de nos unir e provar nosso valor mesmo sem Conte". 


A Juventus, claro, precisa buscar um técnico. Os nomes de Massimiliano Allegri e Roberto Mancini já foram ventilados. Mas pode ser balela. O trabalho de Allegri no Milan não foi bom - longe disso. Além do mais, o comandante teria de lidar novamente com Pirlo, exatamente quem o mandou embora do Diavolo. Mancini ganhou títulos na Inglaterra e Turquia; atualmente está no mercado. Contudo, fez parte do corpo técnico da Inter pós-Calciopoli. Difícil vê-lo treinando um rival. Tem mais: reencontro entre Mancini e Tévez na Itália.


Getty Images
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"Vou treinar Pirlo novamente? Dio mio!"


Se Cesare Prandelli tivesse esperado dez dias antes de fechar com o Galatasaray, seu nome seria o mais indicado, apropriado e/ou veiculado em Turim. Luciano Spalletti, sempre ele, também é cogitado - seria uma boa inclusão a Juve se quebrasse seu vínculo com o Zenit. 


Alguns outros professores correm por fora. A Juventus já entrou em contato com a Udinese, com quem tem um ótimo relacionamento extra-campo, para verificar a disponibilidade de Francesco Guidolin. Antes do início da temporada de 2013-14, Guidolin cogitou a possibilidade de deixar Údine pela falta de ambição do clube. Didier Deschamps (contrato com a Federação Francesa até 2016), Vincenzo Montella (até 2017 com a Fiorentina, que não tem bom relacionamento com a Juventus...), Mircea Lucescu...


A saída de Conte durante o mês de julho faz com que o novo treinador tenha trabalho dobrado para ajeitar as coisas no verão. As contratações também. Os negócios com Morata e Iturbe não foram oficializados. Ambos eram jogadores pedidos pelo técnico. 


Os rivais agradecem. A Juventus permanece com um time forte e, sim, vai lutar até o fim pelo título italiano. É favorita? Sim, por que não? Mas a lacuna entre o melhor time do País e o segundo foi diminuída consideravelmente. 


Números de um passado vitorioso


Após uma temporada fraca de 2010-11, terminando o campeonato na 7ª colocação, a Juventus substituiu Luigi Delneri por Antonio Conte. O treinador tinha feito uma ótima campanha com o Siena vice-campeão da Serie B. Porém, o que mais credenciou Conte à vaga em Turim foi seu passado bianconero.


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O que mais vou sentir falta é disso: um treinador que sempre está lá por seus comandados


O clube não conquistava um título desde 2006, foi rebaixado à segunda divisão, terminou em 7º lugar duas vezes e teve zagas terríveis. Sob comando do ex-volante, três temporadas então se passaram com a Velha Senhora dominando o território italiano: três scudetti, duas Supercoppa Italia e recorde de pontos e invencibilidade. 


Durante 2011 e 2014, a Juventus venceu 67% de seus jogos. A defesa sofreu 67 gols em 114 partidas da Serie A. No Campeonato Italiano, a Juve foi derrotada somente em sete oportunidades.


No entanto, os números não foram revertidos para uma boa campanha nos torneios continentais. Em 2012-13, o Bayern de Munique, que seria campeão da edição, eliminou os italianos com duas vitórias por 2 a 0; na temporada passada, a Juve caiu na fase de grupos da Liga dos Campeões e não chegou à decisão da Liga Europa ao ser derrotado pelo Benfica.


Conte perdeu a chance de se tornar o 6º treinador a conseguir quatro títulos nacionais consecutivos entre as sete maiores ligas da Europa - Carlo Carcano (Juventus, na década de 1930), Miguel Muñoz (Real Madrid, 1960), Albert Batteux (Saint-Étienne, 1966), Johan Cryuff (Barcelona, 1990) e Frank de Boer (Ajax, 2010). 


Assim como o futuro do time é desconhecido, o do treinador também. Seleção italiana? Clube em outra liga após um ano de férias? Quem sabe...