Os prós e contras da chegada de Allegri à Juventus

A saída de Antonio Conte, no início da pré-temporada da Juventus, foi uma surpresa. Mas o ex-treinador bianconero deixou claro: foi uma atitude pensada. Ele não desejava prorrogar seu contrato, porém, ao fim da última época, ainda cogitava cumprir seu vínculo até 2015.


Massimiliano Allegri chega à cidade de Turim cheio de desconfianças. Ainda mais depois de uma meia temporada horrorosa pelo Milan – ele foi substituído por Mauro Tassotti na 20ª rodada da Serie A.


Divulgação/Juventus
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Allegri já iniciou os trabalhos. Jogadores que disputaram a Copa seguem de férias


O técnico natural de Livorno tem sua terceira chance na primeira divisão na Itália. E ele tem uma maior quantidade de contras que prós para o atual momento de sua carreira.


Contras


1 – Andrea Pirlo


O primeiro contra não podia ser outro. Foi Allegri quem marginalizou Pirlo e enviou o meio-campista de graça para a Juventus em 2011. Um ótimo presente, diga-se. Em Vinovo, o treinador encontrará o jogador que “não podia ter o contrato renovado, pois estava na descendente da carreira”.


2 - Jogadores de confiança


Andrea Pirlo está vinculado completamente com este tópico. Além do suposto declínio técnico, o regista viu Mathieu Flamini ganhando muito espaço no Milan. Flamini. Ponto. Nas temporadas seguintes, o clube rossonero investiu apenas 500 mil euros na posição, comprando Nocerino, do Palermo, e assinando de graça com Montolivo, da Fiorentina. Ambos foram pedidos de Allegri. Valeu a pena?


3 – Ataque caindo de produção


Em seu primeiro ano de Milan, Allegri levou a equipe ao título nacional. O Diavolo, então, teve também a melhor defesa e o segundo melhor ataque do campeonato. Os líderes nos principais números do time eram Thiago Silva e Ibrahimovic. De 2011 até sua saída, durante o inverno de 2013-14, o ataque do time piorou muito. As jogadas funcionavam, os atacantes recebiam a bola em posição para concluir a gol, mas a rede permanecia imóvel após as finalizações.


4 – Dependência


A ineficiência ofensiva pode ser explicada pela dependência nos primeiros dois anos. Ibrahimovic foi artilheiro da equipe entre 2010 e 2012. Além disso, o sueco foi o goleador máximo da temporada 2011-12, com 28 gols dos 74 feitos pela equipe. No restante de sua carreira em Milão, os gols ficaram concentrados em El Shaarawy, Pazzini e Balotelli.


Divulgação/Juventus
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5 – Mercado


Evra queria jogar na Juventus porque queria trabalhar com Conte. O lateral francês, no entanto, afirmou que vai sentar com Allegri para conversar. O técnico aprovou as contratações do atleta e de Morata, do Real Madrid. No entanto, a Juventus perdeu Iturbe para a Roma. Enquanto estava no Milan, o treinador não pediu contratações caríssimas, mas viu a diretoria trazer Kaká, Balotelli, Montolivo, Essien, Pazzini e de Jong. Exceto Honda, que chegou na última temporada, os rossoneri não iam ao mercado para gastar exatamente pela curva descendente que o clube vivia sob comando de Allegri.


6 – Psicológico


Allegri não é um técnico ruim; pelo contrário. Entretanto, o treinador é péssimo motivador e não consegue controlar os ânimos do plantel em momentos de adversidade. É possível comprovar isso no fim de sua passagem pelo Milan: os jogadores estavam desmotivados, assim como o próprio comandante. (O que joga a favor de Allegri é que essa atitude só veio à tona devido às nítidas fraquezas do time ao perder seus principais jogadores – Thiago Silva e Ibrahimovic).


7 – Inexperiência europeia


Conte lamentou não ter conquistado um título europeu com a Juventus, de longe a melhor equipe da Itália nos últimos três anos. O último técnico campeão nacional antes de Conte foi Allegri, em 2011. O que ambos têm em comum? O despreparo em competições internacionais. O Milan de Max Allegri disputou quatro edições Liga dos Campeões. Foi eliminado nas oitavas de final em três oportunidades. A melhor temporada foi a de 2011-12, quando segurou o Barcelona em San Siro, mas levou 3 a 1 fora de casa, nas quartas de final.


8 – Pressão


Título autoexplicável.


Prós


1 – Jogadores explodem sob seu comando


Allegri sabe valorizar determinados jogadores. Andrea Cossu, Davide Biondini, Robert Acquafresca, Davide Astori, Federico Marchetti e, sobretudo, Alessandro Matri foram elevados ao patamar de jogadores de alto escalão na Itália sob comando de Allegri no Cagliari. Em Milão, o treinador lançou El Shaarawy, que destruiu tudo e todos em 2012, e De Sciglio, o novo Maldini (dizem). Não é pouca coisa. 


Divulgação/Juventus
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2 – Manja das táticas


Ele é bastante inteligente. Apesar de um pouco cabeça-dura, Allegri é estudioso e conhece bem seus adversários. O treinador tenta montar táticas compactas que priorizam a defesa ao invés do ataque – mesmo com um setor ofensivo bastante acionado por partida. A diferença é que Conte formava um time que se movimentava por inteiro no campo, de área a área.


3 – Ambicioso


O ex-técnico do rival não aceitaria um contrato com a atual tricampeã italiana se ele não fosse ambicioso. Ele quer mostrar, sim, que pode fazer um trabalho tão bom quanto de seu antecessor.


4 - Trabalho de Conte


Buffon afirmou que não há como apagar o trabalho que Conte realizou em três anos em apenas alguns meses. A equipe segue forte e somente uma catástrofe faz com que Allegri não tenha comando firme durante o primeiro semestre.


5 – Sabe onde se enfiou


Em sua apresentação, Allegri disse: "eu entendo que os torcedores estão céticos. Eles estão certos. Como irei ganhá-los? Com resultados, trabalho, respeito e profissionalismo".


Não pise em ovos, Allegrinho.