Juventus teve culpa no insucesso de D'Agostino

As férias de verão de 2009 começaram da melhor maneira para Gaetano D'Agostino. Ele criou dois gols a cada três jogos, marcou 11 gols e foi um dos líderes dentro de campo de uma Udinese que terminou a Serie A na 7ª colocação. O regista nascido na Sicília fez sua melhor temporada na carreira e, de quebra, estava deixando o Friuli para jogar no time de coração: a Juventus.


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D'Agostino comemora contra o Milan. Meia teve sua melhor temporada em 2008-09


Aos 27 anos, D'Agostino correspondeu as expectativas pela primeira vez. Formado nas categorias de base do Palermo, ele começou profissionalmente na Roma, teve dois anos irregulares na Serie B com o Bari, não conseguiu se reestabelecer na capital e foi cedido ao Messina. Só que o meio-campista sempre teve muito prestígio nas categorias inferiores da seleção italiana, com 47 aparições pela sub-15, sub-16, sub-18 e sub-21 entre 1997 e 2004.


D'Agostino provou sua inteligência dentro de campo naquela temporada de 2008-09, com as muitas chances criadas na Udinese. A inteligência necessária para ajudar a Juventus em sua fase de transição. O diretor de futebol Alessio Secco, com aval do técnico Ciro Ferrara, queria o jogador para substituir Pavel Nedved, aposentado. O regista era a peça que faltava no plantel da Juventus, pois o clube já havia investido nas posições que necessitavam de investimento - Cáceres e Grosso para as laterais, e Diego na posição de trequartista.


O jogador, no dia 4 de junho, disse: "não falei com o novo técnico, pois estamos esperando o anúncio oficial. Eu tive uma boa temporada, provavelmente a melhor da minha carreira. Fui informado que a Inter, outro grande clube, também está interessada em mim, mas entendo que a Juventus fez o suficiente pela minha contratação". O tempo nem era mais de especulação; a Juve queria mesmo D'Agostino e fez uma proposta pelo atleta.


O presidente da Udinese, Giampaolo Pozzo, disse que o valor do regista era de 25 milhões de euros. Secco, no entanto, não queria pagar um valor tão alto por D'Agostino. Ao invés disso, a Juventus contratou um jogador que Ferrara não queria: Felipe Melo, da Fiorentina (por 25 milhões de euros...). Como desgraça pouca é bobagem, D'Agostino ainda foi cortado da lista final dos 23 jogadores que viajaram à África do Sul para a disputa da Copa das Confederações.


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D'Agostino participou das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, mas foi cortado da Copa das Confederações


Para "salvar" as férias, o regista, então, torcia para que o Real Madrid concretizasse a sua contratação. Jorge Valdano era um entusiasta do futebol do jogador e queria D'Agostino na Espanha. Pozzo foi enfático ao declarar que o preço não seria alterado. A equipe espanhola, contudo, deixou de lado o desejo pelo italiano e foi atrás de Xabi Alonso. Sem saber para onde ir, D'Agostino permaneceu na Udinese.


Em 2009-10, a Juventus terminou o campeonato na 7ª colocação e foi eliminada na fase de grupos da Liga dos Campeões. Em 39 jogos, Felipe Melo recebeu 16 cartões amarelos e foi expulso duas vezes. D'Agostino fez apenas um gol pela Udinese e deu uma assistência em 22 partidas. Ele ainda precisou ser submetido a uma cirurgia no joelho após lesão contra o Napoli, em fevereiro.


D'Agostino foi negociado em co-propriedade com a Fiorentina, que não renovou o contrato em junho de 2011. Ele retornou ao time do Friuli e não se firmou no esquema tático baseado em contra-ataque de Francesco Guidolin na Udinese. O meio-campista foi vendido ao Siena, emprestado ao Pescara e, atualmente, procura um clube para atuar.


Talvez em algum lugar esteja escondido aquele jogador técnico, inteligente, criativo e que teve um sonho destruído.