Juve é o segundo melhor ataque da Europa: estranho, mas bom demais

Tivesse sido alguns segundos antes ou uns centímetros a menos e o gol de Gonzalo Higuaín, o quinto nesta quarta-feira (25), seria validado para colocar a Juventus na liderança dividida do ataque mais positivo da Europa. A goleada em casa sobre a Spal mostrou como o ataque tem funcionado nesta temporada – e sobretudo nas últimas duas rodadas. Com 31 tentos em 10 rodadas, o bianconero só não supera o Manchester City nos campeonatos nacionais. Isso é louvável e surpreendentemente bom.



Curta o Gazzebra no Facebook.



Até esta mesma rodada na época passada, a Senhora havia marcado 21 vezes na Serie A (e 27, considerando a Liga dos Campeões). Em 2017-18, o aumento de quase 50% é notável visto que, em determinados momentos, os reforços têm decidido na mesma proporção que os criticáveis tentam ganhar projeção. Contra a Spal, por exemplo: Federico Bernardeschi marcou um golaço, Douglas Costa fez uma boa partida e Higuaín voltou a comemorar. No fim de semana, Sami Khedira apagou uma má impressão de meses com uma tripletta e Daniele Rugani marcou depois de falhar no lance que originou o primeiro gol da Udinese.


Getty Images
Getty Images

Golaço de Bernardeschi e outro de falta de Dybala: noite excelente em Turim


Para dar uma referência aos 31 gols na Itália (e 37 somando Liga e Supercoppa): no ano passado, o bianconero já tinha melhorado seu desempenho ofensivo em quantidade em relação a 2014-15 e 15-16. Mas fez menos gols que no biênio anterior, ao time de 2003-04 e ao liderado por Vittorio Sentimenti, em 42-43. Ultrapassar a barreira dos 30 significa tem um recorde melhor que da Juventus de 53-54 e 59-60 (nesta, o auge do trio Omar Sivori, John Charles e Giampiero Boniperti). Só não deu para alcançar os 33 do futuro campeão de 1951, chancelados pelo próprio Boniperti e pelos dinamarqueses John Hansen, Karl Hansen e Karl Præst.


ESPN.com.br | Dybala marca golaço de falta, Higuaín desencanta e Juventus goleia


O início de temporada juventino porque, por vezes, não parece a Senhora por estarmos acostumado ao estereótipo italiano, mas, acima disso, passar anos recentes com uma defesa quase intransponível. Os vacilos de Mehdi Benatia na Liga, o bote errado de Rugani contra a Udinese e a desatenção de Stephan Lichtsteiner ante a Spal são sintomáticos: mesmo que a perda de Leonardo Bonucci tenha sido positiva para o coletivo, a saída mostrou como ele era o elo de ligação do sistema defensivo - soma-se a isso os inícios irregulares de Alex Sandro, Andrea Barzagli e Giorgio Chiellini; o não comprometimento de Rugani, que perdeu jogos porque não treinava bem; as lesões de Benedikt Höwedes e Mattia de Sciglio…



No momento, inexistente preocupação acerca da criação de jogadas dos meio-campistas. Pode sofrer mais gols, também, mas tem sido divertido acompanhar uma Juventus que, finalmente, compensa lá na frente o que lhe acontece na área defensiva. Paulo Dybala não tem mais carregado um peso desnecessário, Miralem Pjanic continua ótimo e Mario Mandzukic acalma quando a situação complica. O retorno de Claudio Marchisio, então, é a melhor notícia da goleada.


Parece que a Juventus está melhor preparada para os desafios.