Allegri atrai críticas ao não escalar Dybala e empatar com a Inter

Estou pensando sobre as capas dos jornais de amanhã. Não estou plenamente convencido das manchetes, mas certamente que as críticas a Massimiliano Allegri por deixar Paulo Dybala no banco no empate contra a Inter, neste sábado (9), não serão excluídas. Em alguma página, lá estarão as palavras que continuam marretando o treinador da Juventus. Desta e mais uma vez, descabidas.



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“Como pode deixar o craque do time no banco?” Tenho três leituras. O argentino tem sido, provavelmente, o melhor meia carregador da Juventus nas últimas partidas. Veja, por exemplo, a contribuição defensiva (além da assistência) na vitória contra o Napoli. Ao mesmo tempo, ele tem sido alvo de críticas exatamente porque tem se mostrado menos efetivo e criador no terço final do campo. A disposição continua com ele, porém, a comissão técnica sabe que o jogador passa por uma fase irregular.


Getty Images
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Dybala participou de poucos minutos contra a Inter depois das críticas que ouviu ao enfrentar o Olympiakos


“O camisa 10 precisa jogar sempre”. A terceira linha de raciocínio é significativa: a proposta da Juventus era jogar e barrar a Inter nas zonas fortes. Por isso que entrou com três meio-campistas. Por isso que começou com Mario Mandzukic, ao invés de Douglas Costa, nas costas de Danilo D’Ambrosio. E Juan Cuadrado, por sua vez, provavelmente tenha recebido mais uma chance depois da apresentação decente no meio da semana contra o Olympiakos, pela Liga dos Campeões.


De qualquer forma, a Juve teria vencido a líder invicta da Serie A mesmo sem Dybala. As chances perdidas foram muitas. Mandzukic empilhou finalizações erradas e domínios equivocados na pequena área, além de ter acertado a trave numa jogada exatamente para cima do irregular lateral-direito da Inter. Para a Juve lamentar, Samir Handanovic estava em mais uma noite normal – ou seja, defendendo tudo e em todos os lugares.


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Estou inclinado, entretanto, a discordar da permanência do brasileiro ou de Federico Bernardeschi fora do segundo tempo. Na metade da etapa, a Inter já estava cansada e Luciano Spalletti conseguiu arranjar nenhuma resposta ao que a Juventus propôs. Qualquer um dos meias abertas importunaria D’Ambrosio e Dalbert, permitindo outro tipo de ação que nem Mandzukic, Blaise Matuidi ou Gonzalo Higuaín conseguiu.



Allegri teve muita coragem em adotar uma medida cautelosa em casa, excluindo Dybala desde o início, para negar os nerazzurri. As tentativas geralmente são finalizadas por um Mauro Icardi infernal nesta temporada, mas são iniciadas por ou Ivan Perisic, ou Antonio Candreva. Os dois não atingiram as respectivas médias de passes certos em Turim, e o atacante argentino tocou apenas três vezes na bola. O treinador da Juve só não deu aquele passo além para acabar com qualquer picuinha.


Pelo lado positivo, a defesa tem se mostrado cada vez melhor. A Juventus conseguiu sair ilesa da sequência contra Barcelona, Napoli, Olympiakos e Inter, com atuações positivamente espantosas de Mehdi Benatia. A classificação de Marrocos para a Copa do Mundo parece ter dado a confiança que ele precisava. Que bom.


Ah, a outra manchete que imagino é algo sobre a saída de Miralem Pjanic, já que ele foi substituído e ficou puto com o treinador.


(Isso foi uma ironia).