Juventus x Tottenham: o confronto mais parelho e sem favorito

O sorteio das oitavas de final da Liga dos Campeões foi bondoso com a Juventus e com o adversário, Tottenham. Para ambos, tinham disputas mais fortes em jogo e, no fim das contas, as equipes se deram bem.



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A eliminatória se equivale. Se as partidas fossem esta e na próxima semana, acredito que, sim, a Juventus seria a favorita com uma boa vantagem – principalmente pela forma que atuou contra Napoli e Inter, mesclas que se assemelham ao Tottenham (em um, a criação centralizada para buscar os lados; no outro, o atacante solitário que segura a zaga inteira).


Entre os possíveis adversários, aliás, os Spurs são aqueles que mais se igualam ao bianconero. O Liverpool era o mais “fácil” devido à descompensação ofensiva x defensiva – nem um malabarismo consegue justificar um ataque estupendo com Roberto “Mito” Firmino, Phillipe “Show” Coutinho e Mohamed “The Best” Salah para defender com Dejan Lovren. Escapar de Paris Saint-Germain e Manchester City é decente, enquanto manter-se afastado do provável estacionamento de ônibus do Manchester United e do inferno proporcionado pelo Besiktas na Turquia soam bem.


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Equipes se enfrentaram na pré-temporada, e os Spurs venceram


Como os confrontos acontecem somente em fevereiro e março, o prognóstico antecipado não tem acurácia. Desempenhos próximos certamente terão desdobramentos para a Liga dos Campeões, e nem mesmo temos possíveis desfalques para as pernas - como o Bayern de Munique, que aguarda as recuperações de Manuel Neuer e Thiago para a decisão da vaga em Istanbul.


Os próprios calendários são bem complicados para a eliminatória, diferente da sequência juventina na temporada passada, quando enfrentou Palermo, Empoli, Chievo e Pescara antes e durante os jogos contra Porto e Barcelona. A Senhora encara Fiorentina, Torino, Atalanta e Lazio no período de datas continentais; os Spurs têm os clássicos contra Liverpool, Manchester United e Arsenal mo que antecede o jogo inicial em Turim.


O Tottenham tem alternado esquemas com dois ou três zagueiros (dependendo da forma física de Toby Alderweireld), mas a certeza é que Harry Kane jogará à frente de Christian Eriksen e mais dois. O jogo fluído dos Spurs tem sido o grande diferencial da equipe que terminou a fase de grupos com saldo de 11 gols contra Real Madrid, Borussia Dortmund e Apoel mesmo que, no campeonato nacional, tenha conquistado derrotas frente a Leicester, Chelsea, United e Arsenal.


O trabalho dos jogadores de criação da Juventus, creio, serão imprescindíveis no Piemonte e em Londres. Para isso, os laterais do time italiano têm de estar no pico do desempenho: Alex Sandro precisa superar sua grande atuação (contra o Olympiakos) para derrubar um dos melhores assistentes do país (e também um defensor ruim), Kieran Trippier; e Mattia De Sciglio tem de se preocupar com Danny Rose pelo outro lado – seria melhor se Ben Davies jogasse, visto que ataca mal. Aliás, a performance da equipe sem Paulo Dybala contra a Inter mostrou que a Juve têm oportunidades e respostas para se adaptar a diferentes propostas.



Pesa o retrospecto da Juve contra ingleses no mata-mata da principal competição da Europa (e olha que nem estamos falando da vergonha passada contra o Fulham em 2009-10). Quando o bianconero conseguiu eliminar um britânico, chegou à final – mas isso não acontece desde a Copa dos Campeões de 1984. O histórico de Massimiliano Allegri na fase de oitavas também vale nota: sempre intercalou avanços com eliminações. Está na hora de mudar a página.