Reserva, críticas e Manchester United: Dybala no banco não é um acaso

Duas reservas consecutivas na Serie A e a pressão só aumenta. Com ela – e sobretudo por estar às vésperas de mais uma janela de transferências –, as especulações vêm com tudo. Enquanto Mehdi Benatia tem se tornado o fiel escudeiro de uma defesa invicta em dezembro, Paulo Dybala está ao lado do resto, andando e vivendo paralelamente ao púlpito, como um jogador de rotação no elenco da Juventus.



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Precisar a razão é quase impossível; determinar o quando é bem mais simples. O argentino já não vivia os melhores momentos dentro de campo quando o vice-presidente Pavel Nedved declarou, simplesmente, que “ele precisava fazer sacrifícios na vida pessoal”. A opinião virou “crítica dura”. O conselho era “um grave alerta”. A frase, convenhamos, foi nada demais. Era nítido que Dybala estava (parcialmente) desligado: os dribles não saiam da forma desejada, os domínios estavam aquém do esperado e os desempenhos não se assemelhavam àqueles magníficos do início da temporada.


Getty Images
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Allegri fez duas substituições contra a Roma; Dybala nem saiu do banco


Parecia que o bianconero tinha colocado panos quentes nas “críticas” depois que Gianluigi Buffon e Massimiliano Allegri falaram sobre o caso acontecido nos dias que sucederam o empate sem gols contra a Inter. O goleiro afirmou que “a carreira que ele [Nedved] teve lhe dá todo o direito de dar conselhos” e o técnico, que também chamou as palavras do tcheco de “conselhos”, declarou que o argentino é extraordinário, jovem e tem muito espaço para crescimento. “A Juventus precisa do melhor Dybala e queremos tê-lo de volta o quanto antes”, finalizou.


Quanto ao por que, pensemos.


A presença do camisa 10 entre os titulares é um salto de qualidade técnica ao time. Indiscutivelmente. Porém - e retomo esse assunto - o argentino não tem jogado tudo o que pode nas últimas semanas. Nem mesmo depois de um bonito gol contra o Genoa, atuando na posição de Gonzalo Higuaín. A chance entre os 11 iniciais na Coppa Italia aconteceu entre as reservas ante Bologna e Roma, no campeonato nacional. Nestes, as câmeras sempre buscavam o jogador escondido debaixo de toucas e com semblante sisudo nos bancos do Renato Dall’Ara e Allianz.


Explanando o óbvio, Dybala não é Lionel Messi e pode, sim, ser relegado ao segundo plano por não jogar bem. (Se bem que até Messi, agora com Ernesto Valverde, tem ganhado minutos na reserva para estar no pico de performance na reta final da temporada…) Em setembro, discutia-se a ausência de Daniele Rugani na defesa juventina. Com ele, as atuações defensivas tinham resultado melhor, mas, ainda assim, Allegri optava por Mehdi Benatia ou Andrea Barzagli nas partidas mais importantes. O treinador, depois de ser indagado algumas vezes, disse que o zagueiro não estava treinando bem.



Uma diferença gritante entre Brasil e Europa é o tratamento do clube com a imprensa: os treinamentos são fechados e, salvo exceções (prévias da Liga dos Campeões com 15 minutos disponíveis ou Bayern de Munique com atividade semanal aberta para os torcedores, por exemplo), o relacionamento entre time/jogadores e jornalistas está recluso à sala de imprensa. Assim, se o treinador não explana esse tipo de informação ou os comunicadores não conseguem notícias de bastidores, beira o impossível presenciar comportamentos negativos relacionados aos treinos como se estivéssemos nos centros de treinamentos da Barra Funda.


A reserva do argentino, ainda, pode ser um aspecto puramente tático: a preparação de diferentes formas de lidar com o Tottenham, nas oitavas de final da Liga dos Campeões. O primeiro teste, contra o Bologna, foi com Higuaín centralizado, e Douglas Costa e Mario Mandzukic abertos. No clássico, a Juventus atuou praticamente com o camisa 9 e o croata pelo meio, com Juan Cuadrado e Blaise Matuidi subindo sempre. Por fim, versus Genoa, Dybala foi o titular na função de Higuaín (e sem retornar tanto para buscar jogo) ao lado de Costa e Federico Bernardeschi. Na frente, muitas mudanças; no meio, o setor com três jogadores está cada vez mais fidelizado.


A mensagem pode ser severa, mas Allegri apenas quer Dybala sendo Dybala sempre: seja nos jogos, treinos, em tempos felizes, difíceis, sozinhos ou novamente com a noiva, Antonella Cavalieri. Mandzukic é amado na mesma medida que odiado pela torcida, entretanto, é inegável que o croata sempre faz tudo com dedicação, independente o que e quando for.


O jornal turinês La Stampa disse que não há qualquer ruptura na relação entre Dybala e Juventus em meio aos boatos da saída para Manchester United, Real Madrid ou Paris Saint-Germain. Há dois anos, algo parecido foi noticiado e, atualmente, Paul Pogba atua na Inglaterra.