53 jogadores emprestados pela Juve: ninguém vai ter chance?

O acordo entre Juventus e Schalke 04 levou Marko Pjaca a ser o 53º jogador do clube a ser emprestado na temporada. É um número expressivo para uma agremiação que tem uma política de transferência voltada aos negócios e que, por vezes, deixa escapar um talento para seguir investido em atletas mais experientes, que já passaram da data de validade.



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O croata ficou oito meses parado devido ao dano no ligamento cruzado, lesão sofrida num amistoso internacional contra a Estônia, e não tinha recebido chances no time principal. Para não deixá-lo com o time primavera, a direção optou por enviá-lo a quem daria tempo de jogo ao jovem. Não fossem as presenças de Douglas Costa e Federico Bernardeschi, certamente esta transação seria vetada.


Getty Images
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Juve garantiu os retornos de Spinazzola e Caldara, emprestados na Atalanta, para 2018-19


A fórmula de co-propriedade foi extinta em 2014, mas a Juventus segue com um elenco inchado em todas as categorias, emprestando aqui e ali, para continuar ampliando sua força em território nacional. Antes, os direitos dos jogadores com pelo menos dois anos de contrato podia ser dividido entre dois clubes; a cada ano, os times tinham a permissão de contratá-lo em definitivo.


A Juventus procura ramificar a Itália em preto e branco desde os tempos de Luciano Moggi à frente do futebol, durante a década de 1990. Era o diretor que investia na base e dava tudo de bom e do melhor às categorias juvenis. Esta cultura permanece e explica por que a Velha Senhora continua enviando jogadores para as divisões inferiores do Belpaese ou para times medianos de campeonatos do segundo ou terceiro escalão.


O amadurecimento pelo time profissional, entendiam, era preferível ao invés de atuar em competições desorganizadas de base. Contudo, e esta é uma opinião, que o pensamento pode mudar a médio prazo – não só para a Juve. O Campionato Primavera foi remodelado para 2017-18 pela Lega Serie A, com 16 clubes na primeira divisão e outros 13 na segunda. A Atalanta, por exemplo, mantém 52 jogadores emprestados pela Europa; Inter soma 32 e Roma, 29. O Chelsea foi bastante criticado em 2017, também, pela política de jovens atletas: o clube está com 33 atletas cedidos.


Em todo o caso, isso não muda o fato que a Juve tem quase cinco times com vínculo cedido de forma temporanea. Pjaca acabou de sair, mas é possível afirmar que, ao retornar, ele é um dos poucos que realmente pode ter chances como membro de rotação do time. Rolando Mandragora, Emil Audero e Riccardo Orsolini são ainda mais jovens, porém, excelentes prospectos para permanecer na Juventus. Mattia Caldara e Leonardo Spinazzola, na Atalanta até junho próximo, são incontestáveis no time a partir de 2018.


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Quem jogou muito bem contra a Juve foi justamente o jovem que foi vendido antes da temporada começar


A maioria dos jogadores que estão na lista abaixo não terá chance alguma de voltar ao Piemonte para atuar regularmente. Filippo Romagna, capitão na base, foi negociado com o Cagliari porque diretoria e comissão notaram que ele não era tão “futuro intocável” assim. Vale lembrar que a Velha Senhora lucrou quase 75 milhões de euros somente com os jovens que contratou e repassou a outros clubes desde 2011-12.


Rogério era um dos destaques do elenco sub-20 sob comando de Fabio Grosso, em 2016-17. Ele começou esta temporada emprestado ao Sassuolo, porém, não joga nem no principal, nem na categoria de baixo. Ceder Kwadwo Asamoah – que ainda não sabe se vai renovar o contrato – para manter o brasileiro como reserva de Alex Sandro é ousadia demais para lutar pelos títulos da Serie A, Coppa Italia e Liga dos Campeões? Na outra lateral, Pol Lirola seria o candidato perfeito para ser o reserva imediato de Mattia De Sciglio, mas ele involuiu desde que foi emprestado ao mesmo neroverde.


Apesar de achar que Luca Clemenza e Grigoris Kastanos têm qualidade suficiente para integrarem o elenco hoje, pesa contra a concorrência no setor. O ataque é exatamente o oposto: ou joga Gonzalo Higuaín, ou joga Mario Mandzukic na função de centroavante. Alberto Cerri seria uma boa para dar uma folga a dupla.


Quem são e onde jogam?


Goleiros: Alberto Brignoli (Benevento), Emil Audero (Venezia), Nicola Leali (Zulte Waregem), Laurentiu Branescu (Dinamo Bucaresti), Timothy Nocchi (Perugia), Alberto Gallinetta (Ravenna)


Zagueiros: Mattia Caldara (Atalanta), Dario Del Fabro (Novara), Pol García (Cremonese), Guilio Parodi (Pordenone), Stefano Pellizzari (Wattens), Mattias Andersson (Den Bosch), Vladut Marin (Dender)


Laterais-esquerdos: Rogério (Sassuolo), Luca Barlocco (Pro Vercelli), Claudio Zappa (Pistoiese), Pietro Beruatto (Vicenza), Lucca Coccolo (Perugia), Nazzareno Belfasti (Piacenza), Leonardo Spinazzola (Atalanta)


Laterais-direitos: Pol Lirola (Sassuolo), Joel Untersee (Empoli), Federico Mattiello (Spal), Matteo Vitale (Pro Vercelli)


Volantes: Tomás Rincón (Torino), Rolando Mandragora (Crotone), Luca Marrone (Bari), Roger M’Pinda (Wattens), Andrés Tello (Bari), Mattia Vitale (Spal), Roman Macek (Cremonese),


Meias: Luca Clemenza (Ascoli), Grigoris Kastanos (Zulte Waregem), Matheus Pereira (Bordeaux), Nicola Mosti (Gavorrano), Stefano Beltrame (Go Ahead Eagles), Giorgio Siani (Den Bosch), Vajebah Sakor (Göteborg)


Atacantes: Luka Oliveira (Espinho), Alhassane Soumah (Chiasso), Fabio Morselli (Pescara), Moise Kean (Verona), Alberto Cerri (Perugia), Francesco Margiotta (Lausanne), Cristian Bunino (Alessandria), Stefano Padovan (Casertana), Eric Lanini (Vicenza), Davide Cais (Carrarese), Nicolò Pozzebon (Mestre), King Udoh (Fermana)


Pontas: Marko Pjaca (Schalke 04), Riccardo Orsolini (Atalanta), Ferdinando Del Sole (Pescara)