Juve: empate com o Tottenham foi péssimo, ótimo e estranho – tudo junto

O empate na Arena foi péssimo. Mas foi ótimo. E também estranho, tudo ao mesmo tempo. Desperdiçar uma vantagem de dois gols não é incomum, porém, a maneira que o Tottenham atuou em Turim e conseguiu um empate (leia o relato no ESPN.com.br), os holofotes ficarão em cima de Gonzalo Higuaín e de decisões erradas do treinador. Erradas? 



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O atacante fez tudo e mais um pouco no Piemonte: dois gols, segurou tudo no ataque – afinal, meio-campo inexistiu (chegaremos nele) -, deu um baita trabalho a Jan Vertonghen e ensinou algumas coisas a Davinson Sánchez. Ao deixar o campo, a maioria das críticas era direcionada a ele, sobretudo pelo primeiro tempo: o gol perdido após deixar a marcação no chão, dentro da área, e o pênalti no travessão. O argentino, que sempre joga contra o seu retrospecto internacional, foi o principal atleta de uma Juventus repicada.


Getty Images
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Dois gols, melhor jogador da Juventus na partida e a corneta continua alta


Em Nápoles, Higuaín tinha um time jogando para ele; em Turim, o atacante joga para a equipe – e a partida desta terça-feira (13) foi um bom exemplo disso. Dá para contar nas mãos quantas vezes ele entrou na área. E com todos os chutões para frente ou contra-ataques com quase vantagem numérica, Pipita conseguiu ampliar as oportunidades da Juve sempre que teve a bola (que o diga Federico Bernardeschi, com duas finalizações criadas pelo argentino).


Essa influência de Higuaín foi necessária diante de um meio que funcionou de uma maneira diferente. Na semana passada, comentei sobre alguns problemas apresentados pela Juve ao atuar com apenas dois jogadores à frente da área. Miralem Pjanic não conseguiu render muito bem com apenas Sami Khedira ao lado dele (a opção escolhida contra o Tottenham). Com o alemão e Blaise Matuidi, havia a hipótese de o bianconero, com a bola, afundar todo mundo e o bósnio não ter para quem tocar. Ledo engano.


E parabéns para Mauricio Pochettino. Ao invés de negar qualquer outro jogador, os Spurs fizeram marcação individual em Pjanic. Sem cérebro, sem chances, certo? Errado. Porque ainda assim ele conseguiu ter mais passes-chave que outro juventino na noite – assistindo, também, Higuaín no primeiro gol.


Aqui, uma leitura de duas formas: 1) Max Allegri, cobrado por não ser ousado, escalou dois velocistas para fechar a casinha e puxar contra-ataques – algo que tem dado muito certo em partidas continentais de mata-mata; e 2) a opção anterior desequilibrou um sistema que havia sofrido apenas um gol nas últimas 16 partidas.



Há problemas e soluções em ambas as alternativas. Mousa Dembelé teve total liberdade para jogar atrás dos armadores do Tottenham e, assim, deixou Dele Alli e Christian Eriksen flutuarem entre zagueiros e meias da Juve, exatamente na zona de Pjanic. Atuar da mesma maneira em Wembley soa insano, porém, a Juventus conseguiu mascarar a adversidade com jogadas individuais a partir das laterais e bolas paradas. No segundo tempo, por exemplo, a Senhora teve seis oportunidades de gol contra quatro do adversário.


Por isso achei que o jogo foi apenas estranho. Foi um Tottenham mais expressivo e vistoso que não aproveitou todas as chances e quase sofreu uma goleada para uma Juventus que tentava se reencontrar a cada mudança de posição dos ingleses.


Para a volta, Matuidi e Paulo Dybala seguem como dúvida. Não é normal ver essa comissão antecipando retornos por lesão, mas a presença principalmente do francês na Inglaterra começa a ser imprescindível. Ainda dá.